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16/03/2017

[Revista Todas as Musas] Colóquio das Árvores: a natureza pulsante de Renata Bomfim (Lina Arao)


O texto “Colóquio das Árvores: a natureza pulsante de Renata Bomfim”, foi escrito por Lina Arao, Pós-Doutoranda em Ciência da Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Essa resenha crítica sobre o meu livro mais recente foi publicada na conceituada revista Todas as Musas, ano 8, volume 2, dedicada à literatura de autores de Angola, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

"No esclarecedor prefácio ao livro escrito pela professora Ana Luísa Vilela, destacase, acerca do instigador poema “Identidade X”, a “autenticidade feminina”, plural e contraditória, sendo, por isso, não-rotulável e flexível. Tais características são adequadas também para outros poemas de Bomfim, sobretudo aqueles que se relacionam com a construção de uma identidade poética feminina. 

É notável, nesse contexto, o duplo movimento empreendido pela escritora, que, por um lado, aproxima-se de uma espécie de “tradição” ou “herança” literária de autoria feminina, ensejando a recuperação de algumas imagens recorrentes, como a identificação do sujeito poético feminino com a imagem do pássaro; por outro lado, essa associação, nos poemas de Bomfim, transforma-se para alcançar o empoderamento, a autoafirmação de uma subjetividade feminina. 

Se muitas poetisas oitocentistas valeram-se da figura da ave para de alguma maneira simbolizar os ímpetos de liberdade ao mesmo tempo em que enfatizavam a condição de vulnerabilidade feminina característica do período, em “O canto da harpia”, por exemplo, Bonfim relata a transformação do eu lírico em harpia, de “indecentes e fortes plumas” e de “imensas asas”, cujo voo abarcador não revela fragilidade, mas a crença em sua capacidade de transpor limites e abarcar o “universo selvagemente novo”.  



10/03/2017

[Palestra] Divas da Academia Feminina Espírito-Santense de Letras (Renata Bomfim)



A palestra abordou sobre o Sagrado feminino, desde o ponto de vista
 da teoria do matriarcado e da roda das deusas, exemplificando as representações
arquetípicas nos escritos de escritoras da AFESl.

Entre as escritoras homenageadas estava Dona Felicidade Albertina Méia,
autora capixaba de romances como "Banco de Jardim". 

Amigas(os), fiquei muito emocionada ao apresentar a palestra "Divas da AFESL", a cada momento vinha a mente a lembrança de confreiras queridas que nos deixaram como as queridas Thelma Maria Azevedo e Beatriz Abaurre, mas, segurei as lágrimas e toquei adiante. Vou guardar com carinho esse 8 de março! 

Falar sobre a divindade inerente ao feminino, literatura produzida por mulheres no ES, empoderamento da mulher e especialmente sobre a produção dessas mulheres maravilhosas da AFESL é algo que me dá muita satisfação! Parabenizo a querida Ester Abreu, Madu, Jô Drummond, Valentina Krupnova pela organização, pelas músicas e recital poético e pelas flores. Toda a apresentação musical foi um show coroado com música clássica, popular e com a nossa Maria Marino Schineider cantando sucessos em francês. 

Agradeço o carinho do público, com presenças ulustres como a do prof. Francisco Aurélio Ribeiro, um dos maiores estudiosos da literatura prodizida por mulheres no ES. Agradeço muito aos presentes e a equipe da Justiça Federal pela acolhida carinhosa, por disponibilizar o espaço e providenciar o suporte (data show) para a palestra. 
beijos no coração,
Renata Bomfim

05/03/2017

O esoterismo poético em Arcano Dezenove de Renata Bomfim (Fábio Mário da Silva)

Esse artigo, escrito pelo prof.º Dr.º Fábio Mário da Silva, foi publicado na obra O IMAGINÁRIO ESOTÉRICO LITERATURA CINEMA BANDA DESENHADA, organizada  por Cristina Álvares, Ana Lúcia Curado,  Sérgio Guimarães de Sousa e  Isabel Cristina Mateus, do Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho, em Portugal. Editora Húmus, 2016. Acesse a revista

Capa do livro Arcano Dezenove 
de autoria do fotógrafo Jove Fagundes.


RENATA BOMFIM, que nasceu em Vitória, no Espírito Santo, em 1972, além de escritora, arte-terapeuta, educadora socio ambiental e profes­sora doutorada em Letras, começou a carreira como artista plástica dedicando-se à pesquisa da joalharia no âmbito da técnica do mosaico. No cenário brasileiro é autora de três livros de poemas – Mina (2010), Arcano Dezenove (2011) e Colóquio das árvores (no prelo) –, possui poemas seus integrados em antologias, ensaios e artigos publicados no Brasil e no exterior, e é autora do blog literário Letra e fel (www.letraefel.com). Estamos diante, então, de uma personalidade multifacetada que em 2010 estreou no cenário poético espírito-santense e brasileiro. Dentre as suas produções destacamos a que nos chamou logo a atenção, o seu segundo livro de poemas, Arcano Dezenove, no qual encontramos uma poesia ligada à ecologia, mas diante de uma tópica de misticismo e de esoterismo.

Em Arcano Dezenove, como já referimos no posfácio de nossa lavra, há um percurso estratégico situado em diálogos com outros autores (como, por exemplo, Florbela Espanca, Rubén Darío, e Maria Lúcia Dal Farra), através de um discurso focado na alteridade, proposta importante atualmente nos estudos literários –, a poetisa mostra os seus espelhos poéticos sem, no entanto, perder a sua originalidade (Silva, 2010: 84). Por seu turno, Maria Lúcia Dal Farra argutamente explicita, através de uma análise acurada em relação a esta e a outras cartas (o Arcano 16 e Arcano 17), bem como do Tarot em geral, citando autores como o ex-abade Constant, Baudelaire, Nerval, e André Breton, que os segredos e mistérios deste arcano (e dos outros), percorre a dinâmica seguidamente explicitada, desde a apresentação da capa até desembocar nos poemas e na própria figura da poetisa Renata Bomfim:

A Lâmina que a capa compõe é toda luz e sombra, magia branca e negra, incerteza melíflua (…). A Lâmina explicita, portanto, essa caçadora celeste, essa divindade lunar (Artemisa, Diana, Hécate) – imagem que se aglutinará durante a leitura do livro, graças mesmo a esse simbolismo de trânsito, de passagem, de viagem heróica que o Arcano 18 encerra. Do plano iniciático da via úmida lunar nascerá a Feiticeira, a Maga e a Poetisa que, viajando em corpo etéreo (o «corpo cósmico» tão referido no volume) da Noite para o Dia, da Luz Noturna para a Luz Solar que o Arcano 19 encerra, buscará despertar, com suas palavras, aquilo que dorme. Aliando-se ao Sol, ao Fogo Criador e à Pedra Filosofal próprias do Arcano 19, a Poetisa procurará representar o Centro da Consciência capaz de abranger e dar voz ao Universo. (Dal Farra, 2011: [s.p.])

Arcano Dezenove é dividido em cinco sessões (sob os títulos de «Arcano Dezenove», «Memória», «Quinta essência», «Transição» e «Rituais») nas quais a proposta de Renata Bomfim muito se alia a apro­fundar a origem do cosmo, do ser humano, da essência dos elementos e da inspiração poética, daquilo que é inominável. Assim, o sujeito poético nesta obra se assume como o próprio segredo, como o mestre que transmite aos seus discípulos uma experiência espiritual através de símbolos para que seja possível a sua compreensão: «A minha pena guarda segredos./ Ela tem um quê de mistério e maldade» (2010: 32). Por isso, nos deparamos com uma poética arraigada a uma tradição esotérica, seguindo uma filiação que contempla o diálogo entre o mestre
e o discípulo que dialogam e procuram transmitir um conjunto de ideias através de uma tomada de consciência de princípios imanentes à ordem do universo, transmitidos através de rituais e símbolos que permeiam a grande maioria desses poemas. Não é por acaso que o poema que abre a obra se intitula «Poeta Adâmico», metáfora construída através da tríade lógica: paraíso (linguagem), Adão (Poeta) e Letra (Eva), numa combinação harmoniosa, criando um mundo sem pecado nem condenação, gerando o diálogo entre outros «poemas-sementes». Como elucida este poema de abertura, este livro procura compreender (e não desvendar, já que o mistério deve permanecer) a comunhão cosmo-natureza, abordando também questões em torno do desejo, da multiplicação dos sentidos e de sensações que demarcam o prazer e as angústias, associado a um êxtase com os elementos da natureza: «A ninfa ascende entre agonias,/ a selva orquestra gemidos de prazer» (Idem, 18). Para Renata Bomfim, da natureza não emergem apenas as relações de desejo e espiritualidade, mas também o ato poético e, consequentemente, o poeta, que representam também essa força cósmica da natureza:

O poeta julga-se superior e,
no momento da criação,
sente-se plutão,
atingido por meteoritos. (…)

É um mago condenado.
É tantos e todos que é ninguém.
Bruma solitária que vaga
Entre pepitas de ouro e cadáveres. (Idem, 19)


O poeta se sente como próprio elemento da natureza, só assim se pode tornar parte do universo místico. Esta é uma poesia que tenta revelar os sentidos da vida e da morte, através de um conjunto de inter­pretações quase que doutrinárias para os seus leitores, que buscam afirmar algumas «supostas verdades»; as leis que regem todo o universo, seja ele o material ou o ficcional (a poesia), e que é bem mais inteligí­vel, consistente e compreensível se for visto através dos elementos da natureza. Neste caso, em Arcano Dezenove está evidentemente explícito que nós somos meros coadjuvantes deste cenário primevo e infinito, e nossa pátria deve ser muito maior que uma identificação nacional: «Eu canto a Pátria-planeta,/ antes que o pensamento,/ Divagando entre futilidades,/ se perca» (Idem, 22). Há um desejo implícito do sujeito poético em se fundir aos elementos da natureza, num processo não apenas de metamorfose, mas de parentesco, de identificação, numa procura de descobrir novas sensações:

As ondas me constituem
Parentesco que me abisma
E me pego, assim, mareada,
Ansiando tons de cinza e azul
Enquanto, silenciosamente,
Quebro na praia. (Idem, 25)


Tornar-se elemento da natureza ou do cosmo, feito na sua totalidade de microcosmos e macrocosmos, se sentir astro, aí reside o «mistério maldoso» de que fala o eu lírico. A maldade em transpor as barreiras das verdades absolutas, deixar de ser senso comum para adentrar-se no mistério da criação, da cosmologia que apenas deve ser experienciada e sentida, nem tanto compreendida:

Inunda a minh’alma um sol de sétima grandeza
e te desejo toda, inteira,
Terra amada, Santa, Natureza!
Despi-me toda para recebê-la,
Veste-me de lírios
lilases e caprichosas.
Respiro profundamente
Te sinto mistério maior:
Quasares, buracos negros, estrelas
tudo, tudo, tudo me leva a ti (Idem, 35)

Nesta fusão do corpo-sujeito com o corpo-natureza é criada uma atmosfera ritualística de entrega e de posse corporal, que se dá como oferenda sacral e se regozija nos «mistérios» quase ancestrais deste  contato; elementos da natureza esses que para Renata Bomfim têm uma estreita relação com o feminino: «Orgânica/ A mulher era verde/ E sem veneno» (Idem, 47); ou seja, estamos diante daquilo que Pierre Riffard (1996: 56) denominou como «esoterismo primitivo», associado a um culto da terra-mãe. Os rituais e pactos também se arvoram por questões filosóficas ligadas às bruxas e sua relação na busca por um equilíbrio pacífico e harmonioso com a Mãe-Terra, a Grande-Deusa – contrariando a ideia de obscuridade e maldade associados às mulheres feiticeiras –, como base prática de existência de retorno à essência dos seres, da purificação e encorajamento a atos benéficos, como aqui expresso em «Desejos de feiticeiras»:
  
Eu quero tocar os espíritos alheios
com encantos luminosos.
Acordar dormentes e sonâmbulos,
com fluidos escândalo-viscosos,
colhidos nas veias dos cristais e das ervas.
Lançar bênçãos,
Distribuir afagos e,
justificando a minha natureza,
distribuir, também,
olhares de secar pimenteiras (Idem, 71)

A única maldição lançada por esta poética é contra aqueles que desprezam a natureza, ato de violência imperdoável: «Se brigar com esses seres,/ Será amaldiçoado e perseguido./ Não adiantarão algas, nem filtros» (Idem,72). Esta poesia ensina então a fazer mandigas, filtros mágicos de conquista amorosa (mais eficazes que promessas aos santos), como, por exemplo, no poema «Banho de limpeza», no qual se recita uma limpeza espiritual que abre caminhos. Já em «Patuás» e em «Cerimônia do chá» ficamos a saber que muitos ritos só podem ser concretizados através de cerimoniais envolvendo as fases e místicas da lua, do número sete aliado à harmonia dos elementos da natureza, aquela «que guarda em si/ elementos combinados» (Idem, 81). É uma poética na qual, mesmo nas referências a figuras cristãs, encontramos um discurso voltado, mais uma vez, para um certo  eco-existencialismo, que relaciona natureza e religiosidade, [2] como, por exemplo, em «Nossa Senhora dos raios multicoloridos»:

Te sonho infinitamente,
Te busquei no mais alto das montanhas
cujos picos eram branco-azulados
E lembravam aqueles que partiram sem se despedir.
Clamei por teu nome, doce e secreto,
Do abissal de minhas entranhas e,
Nos meus pensamentos, armadilhados intangíveis,(…)

Como posso tocar o teu manto de luzes
Multicoloridas e vislumbrar a tua rara santidade?
Mil sóis estão explodindo, estrelas colidem ruidosas,
O caos se instaura dentro de mim.
Vem plena de amor, iluminada.
Eu não resistirei e serei a flor
Colhida e fresca, perfumosa,
à mercê de tua sábia providência. (Idem, 27)

A luz, neste caso os raios coloridos da Nossa Senhora, pode rees­tabelecer o caos instaurado intimamente no eu lírico. Esta dinâmica é muito parecida com a explicitada por Luc Benaist (1969: 27) que refere que a criação do mundo se apresenta como um ajuste do «caos» ou, mais precisamente, como «a consequência duma ‘ordem’ divina, que a Bíblia apresenta como um Fiat Lux, porque a luz sempre acompa­nhou as teofanias e que a ordem identifica-se com a luz». Por isso, o sujeito poético deste poema procura um equilíbrio através dos raios luminosos, deixando de ser caos, para se constituir como experiência espiritual e divina, acedida através da ordem que é luminosidade. Aliás, num outro poema, «Saturnais: mito de origem», Renata Bomfim traz à discussão a questão do surgimento da ordem através da luz, do sol, que só é possível graças a uma intervenção feminina:

Antes era Nada.
E de dentro do Tudo nasceu o Sol.
A grande roda brilhante se alimentava
nas generosas tetas cósmicas
das mulheres galáxias,
que eram, também
filhas do Tudo e netas do Nada.


Gotas de leite estelar caíram,
pingaram abundantes e deram forma a inúmeras raças:
os Syrios, os Krianos
e também, a humana,
de complexidade rara.

Para louvar o grande Nada
e agradar ao Sol,
organizavam festas que duravam
sete luas.
Ocasião em que essa raça,
que ainda não conhecia a sabedoria,
não roubava, nem matava, mas
cantava celebrando a vida e
fazia amor na alvorada.

Um banquete público era o que,
ao contrário, amor traduzia,
ato que refletia o lampejo da origem.
E, durante a festa, essa rude criatura
 revelava o que, da sua face, a rotina ocultava.
De tanto arranhar a Terra e violar os Rios
 ofendendo o grande Nada,
Tudo veio ensinar-lhes a compaixão e,
resgatando-os da ignorância,
ensinou coisas de partículas brilhantes.
Essa raça de pés sujos vive olhando para o céu,
esperando voltar ao seio da mãe primordial. (2010: 44)

Este poema está impregnado da ideia de «sagrado celestial», que é um tipo de experiência religiosa muito antiga baseada na ideia de que «a transcendência revela-se pela simples tomada de consciência da altura infinita» (Eliade, 1975: 128), visto que esse «muito alto», o sol celeste na poesia, é algo superior, atributo de uma divindade:

O ‘muito alto’ é uma dimensão inacessível ao homem como tal; ela pertence de direito às forças e aos Seres sobre-humanos. Aquele que se eleva subindo a escadaria de um santuário ou a uma escada que conduz ao céu, cessa então de ser homem: de uma maneira ou de outra participa da condição divina. (Idem,129)

 Renata Bomfim assim relata o Nada (o infinito cósmico) que é elevado, eterno, forte e procriador («E dentro de tudo nasceu o Sol»). O Deus-Celeste neste poema é o Nada, que deu sentido a um todo-tudo surgido in illo tempore. Na fala inicial do sujeito poético, neste tempo remoto, também encontramos referência à sacralidade na sexualidade, ao nascimento que as «tetas cósmicas» das «mulheres galáxias» pro­porcionaram, ou mais precisamente, ao mistério do parto descoberto pelas mulheres que são criadoras no plano da vida, experiência essa feminina por excelência.
Em suma, Arcano Dezenove traz à tona vários debates e temáticas ligados à experiência com a sacralidade criadora da Natureza, envolta em misticismo e religiosidade, que desembocam também em passagens fortemente marcadas por um tom esotérico. Por isso mesmo Maria Lúcia Dal Farra (2011: [s.p.]) diz que Renata Bomfim é uma «Feiticeira» e que «essa mulher é também telúrica e vegetal», visto o eu lírico compor-se como ser-planta num tom de equilíbrio dum ecossistema harmonioso: «A minha errância é como a água turva/ De um rio caudoloso:/ Não permite que lhe encontre a fonte/ Ou que lhe desnude os mistérios do fundo» (2010: 62). Por fim, acreditamos que o esoterismo de Arcano Dezenove está intimamente ligado ao que Jean-Paul Corsetti descreveu como uma dinâmica deste conceito:
  
En discernant la magie des métamorphoses sous l’apparent désordre, l´esotérisme révèle à l´homme de désir qu’ en transformant son regard sur le monde et sa connaissance de la nature, il ne cesse de récréer lúnivers qui l-entoure, réveillant alors la vie qui sommeille sous les pierres. (Corsetti,1992: 328)
Referências:
 Benaist, Luc (1969), O esoterismo, trad. Fernando G. Galvão, São Paulo, Difusão Européia do Livro.
Corsetti, Jean-Paul (1992), Historie de l’ésotérisme et des sciences occultes, Paris, Larousse.
Dalfarra, Maria Lúcia (2011), Uma leitura poética do Tarot, por Renata Bomfim, [em linha] diponível em http://www.letraefel.com/2011/09/uma-leitura-poetica-do­-tarot-por-renata.html [consultado em 18/02/2015].
Eliade, Mircea (1975), O Sagrado e o Profano. A essência das religiões, trad. Rogério Fernandes, Lisboa, Edições Livros do Brasil.
Riffard, Pierre A. (1996), O esotermismo, trad. Yara Azevedo Mauro e Elisabete Abreu, São Paulo, Mandarim.
Silva, Fabio Mario da (2010), «O que nos resta, após a leitura de Arcano Dezenove?», in Renata Bomfim, Arcano Dezenove (2010), Vitória, Helvética Produções Gráficas e Editora, pp. 83-85.


**Poema «Nossa Senhora dos raios multicoloridos», contido em Arcano Dezenove (Vitória: Helvética Produções Gráficas e Editora, 2010, p. 27). Todas as citações feitas neste trabalho dizem respeito a esta edição, pelo que daqui por diante será referido apenas o número de página, a fim de evitar a repetição constante da informação bibliográfica.

**Mircea Eliade em O Sagrado e o Profano explica bem esta dinâmica da seguinte forma: «Para o homem religioso, a Natureza nunca é exclusivamente ‘natural’: está sempre carre­gada de um valor religioso. Isto compreende-se facilmente porque o Cosmo é uma criação divina: saindo das mãos dos Deuses, o Mundo fica impregnado de sacralidade» (1975: 127).


02/03/2017

Poemas de José Régio traduzidos para o castelhano por Pedro Sevylla de Juana


ntico negro

Vem por aqui” — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: vem por aqui!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: vem por aqui!”?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!



ntico Negro

Ven por aquí” — me dicen algunos con los ojos tiernos
tendiéndome los brazos, y seguros
de que sería bueno que yo los escuchara.
Cuando me dicen: ven por aquí!”
yo los miro con ojos lánguidos,
(Hay, en mis ojos, ironias y cansancios)
Y cruzo los brazos,
nunca voy por allí…
Mi gloria es esta:
Crear barbaridades!
No acompañar a nadie.
Que yo vivo con el mismo desánimo
con que rasgué el vientre a mi madre
no, no voy por ahí! Sólo voy por donde
me llevan mis propios pasos
Si a lo que quiero saber ninguno de vosotros responde
Por qué me repetís: “ven por aquí!”?
Yo prefiero resbalar en los callejones embarrados,
arremolinar vientos,
como andrajos, arrastrar los pies ensangrentados,
a ir por ahí…
Si vine al mundo, fue
solo para desflorar selvas vírgenes,
y dibujar mis pies en la arena inexplorada!
la mayor parte de lo que hago es inútil.
Cómo, pues, vais a ser vosotros
quienes me deis impulsos, herramientas y coraje
para derribar mis obstáculos?
Corre, por vuestras venas , vieja sangre de los abuelos,
Amáis lo sencillo!
Me gusta lo Distante y el Espejismo
aprecio los abismos, los torrentes , los desiertos
Id! Tienes carreteras,
tienes jardines, tienes parterres,
tienes patria, tienes techos,
y tienes normas, y tratados, y filósofos, y sabios
Yo tengo mi locura!
La alzo como una antorcha ardiendo en la noche oscura
y siento espuma, y sangre, y cánticos en los labios
Dios y el Diablo conducen, nadie más!
Todos tuvieron padre, todos tuvieron madre;
mas yo, que nunca comienzo ni acabo,
nací del amor existente entre Dios y el Diablo.
Ah, que nadie me entregue intenciones piadosas,
nadie me pida definiciones!
nadie me diga: ven por aquí”!
Mi vida es un vendaval que se desató,
y una ola que se elevó,
y un átomo más que se estimuló…
No sé por donde voy,
no sé hacia donde voy
sé que no voy por allí!


Baile de máscaras

Contínua tentativa fracassando,
Minha vida é uma série de atitudes.
Minhas rugas mais fundas que taludes,
Quantas máscaras, já, vos fui colando?

Mas sempre, atrás de Mim, me vou buscando
Meus verdadeiros vícios e virtudes.
(– E é a ver se te encontras, ou te iludes,
Que bailas nesse entrudo miserando…)

Encontrar-me? iludir-me? ai que não o sei!
Sei mas é ter o rosto ensanguentado
O rol de quantas máscaras usei…

Mais me procuro, pois, mais vou errado.
E aos pés de Mim, um dia, eu cairei,
Como um vestido impuro e remendado!


Baile de máscaras

Contínua tentativa fracasando,
Mi vida es una serie de actitudes.
Mis arrugas más profundas qué taludes,
Cuántas máscaras, ya, os fui colando?
Pero siempre, detrás de Mí, me voy buscando
Mis verdaderos vicios y virtudes.
(-Y para ver si te encuentras, o te encubres,
bailas en ese carnaval infausto…)
¿Encontrarme? ¿engañarme? ay que no lo sé!
Sé pero es tener el rostro ensangrentado
La relación de máscaras que usé …
Me busco más, pues, voy más equivocado.
y a los pies de Mí, un día, yo caeré,
como un vestido impuro y remendado! 


Soneto de amor

Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem almaAbre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.

E em duas bocas uma língua…, unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.

Depois… — abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!


Soneto de amor

No me pidas palabras ni Salmos,
ni expresiones, ni alma… Ábreme el seno,
Deja caer los párpados pesados,
y entre los pechos apriétame sin recelo.

En tu boca debajo de la mia, en el medio,
Nuestras lenguas buscan, desvariadas
Y que mis flancos desnudos vibren en el fuego
de tus piernas ágiles, delgadas.

Y en dos bocas una lengua …,. unidos,
vamos a intercambiar besos y gemidos,
Sintiendo nuestra sangre mezclarse.

Después … – abre los ojos, mi amada!
entiérralos bien en los míos; no digas nada
deje la vida expresarse sin disfraces!


Testamento do Poeta

Todo esse vosso esforço é vão, amigos:
Não sou dos que se aceita… a não ser mortos.
Demais, já desisti de quaisquer portos;
Não peço a vossa esmola de mendigos.

O mesmo vos direi, sonhos antigos
De amor! olhos nos meus outrora absortos!
Corpos já hoje inchados, velhos, tortos,
Que fostes o melhor dos meus pascigos!

E o mesmo digo a tudo e a todos, hoje
Que tudo e todos vejo reduzidos,
E ao meu próprio Deus nego, e o ar me foge.

Para reaver, porém, todo o Universo,
E amar! e crer! e achar meus mil sentidos!….
Basta-me o gesto de contar um verso.


Testamento del poeta

Todo vuestro esfuerzo es vano, amigos:
no soy de los que se conformancon no estar muertos.
además, ya renuncié a cualquier puerto;
no pido vuestro óbolo de mendigos.

Lo mismo os diré, sueños antiguos
de amor! ojos en los míos, una vez absortos!
cuerpos ya hoy torcidos, viejos, gordos,
que fuiste el mejor de mis ejidos!

Y lo mismo digo a todo y a todos, ahora
que todo y todos veo reducidos,
a mi propio Dios niego, y el aire me abandona.

Para recuperar, sin embargo, todo el Universo,
y amar! y creer! y hallar mis mil sentidos! ….
me basta el gesto de contar un verso.



Obsessão
Poema de José Régio, à morte da su filhinha única

Sobre umas pobres rosas desfolhadas,
Vestidinha de branco, imóvel, fria,
Ela estava ali pronta para o fim.
Eu pensava: De tudo, eis o que resta!
E entre as pálpebrazinhas mal fechadas,
(Como um raio de sol por uma fresta)
O seu olhar inda me via,
E despedia-se de mim.

Despedir-se, porquê?, se nunca mais,
Sobre essas pobres rosas desfolhadas,
A deixei eu de ver…, imóvel, fria.
Pois eu, acaso vivo onde apareço?
Lutas, ódios, amores, sonhos de glória, ideais,
Tudo me esqueceu já! Só não esqueço,
Entre as pálpebrazinhas mal fechadas,
Aquele olhar que inda me via.


Obsesión
Poema de José Régio, a la muerte de su hijita única

Sobre unas pobres rosas deshojadas
vestidita de blanco, inmóvil, fría,
ella estaba allí dispuesta para el fin.
Yo pensaba: “¡De todo lo existente, he aquí lo que queda!
y entre los parpaditos mal cerrados,
(como un rayo de sol por una rendija)
su mirada aún me veía,
y se despedía de mí.

Despedirse, ¿por qué?, si nunca más,
la dejé de ver, inmóvil, fría,
pues yo, ¿acaso vivo donde aparezco?
Luchas, odios, amores, sueños de gloria, ideales,
¡todo, todo, todo, me olvidó ya! Solamente no olvido,
entre los parpaditos mal cerrados

aquella mirada que aún me veía.



***Traduzco a José Régio, a quien considero uno de los más completos creadores de la moderna literatura portuguesa. En primer lugar, tal creador es un filósofo que se interroga sobre lo que le rodea, sobre su origen y objetivo. Llega así a Dios y a la sociedad, pasto inagotable para su entendimiento. Pensamiento y método lo llevan a crear un cuerpo de certezas del que hace norma de conducta personal. Es, en ese sentido, una persona consecuente. La obra emana de la vida, la vida emana de la obra. Han dicho que su obra rezuma misticismo, creo que revela humanidad, una humanidad social que va y lleva a alguna parte de interés. Su Dios es causa, pero, sobre todo, consecuencia. El teatro del mundo está formado por individuos actores; él lo sabe y lo tiene como premisa de sus silogismos. De ahí su sentido del humor. He traducido algunos de sus poemas donde se muestran estos rasgos. 
Pedro Sevylla de Juana

21/02/2017

Vinte anos da Revista "DiVersos" - Poesia e Tradução


Amigos, a Revista DiVersos- poesia e tradução, publicada no Porto, Portugal, completou em 20 anos. Quero parabenizar o esforço e a dedicação do seu editor, José Carlos Costa marques, da editora Sempre em pé, por essa conquista! 

Conheci o editor José Carlos por intermédio do amigo  Pedro Sevylla de Juana (poeta e tradutor) que enviou para a revista alguns poemas meus traduzidos para o castelhano. Quero desejar a DiVersos muitos outros anos de vida. Abraços dessa poeta brasileira.RB.

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Está em circulação, desde julho de 2016,
o n.º 24 da série DiVersos - Poesia e Tradução de Poesia.
Eis o sumário desse n.º 24:
  
           Vinte anos de poesia e tradução de poesia na DiVersos são assinalados neste número e sê-lo-ão no próximo. Pela primeira vez inserem-se traduções de poesia dinamarquesa. O poeta traduzido é Benny Andersen e o tradutor para português é o polaco Marcin Wlodek, que tem como segunda pátria a Noruega e se especializou em estudos portugueses. Faz-nos lembrar Alessandro Zocca, italiano que vive em Moscovo e traduziu poetas russos para português incluídos em números nossos anteriores, para além de poemas seus em português também na DiVersos publicados.
            As outras línguas presentes neste número foram já antes várias vezes traduzidas aqui: Christos Kyrkindanos, do grego moderno, por Rosa Salvado Mesquita; Efraín Huerta, mexicano, traduzido do castelhano por Francisco José Craveiro de Carvalho, matemático, poeta e tradutor, que pela primeira vez colabora com a Diversos, e logo com traduções de três poetas. Além de Huerta, e agora a partir do inglês, devemos-lhe traduções dos norte-americanos Robert Creeley, poeta grande na esteira de Ezra Pound e de William Carlos William, e de Michael Kelleher, que foi próximo de Creeley e mantém intensa atividade literária e cultural. Graças à recomendação amiga de Luís Quintais, pudemos assim beneficiar da generosa cooperação de F. J. Craveiro de Carvalho.
            Do castelhano estão ainda presentes o colombiano Harold Alvarado Tenorio, traduzido por João Rasteiro, pela primeira vez presente na DiVersos, não só como tradutor mas também como poeta; e Pablo Luis Ávila, espanhol de Granada, amigo de Portugal, que ensinou longos anos em Turim, adiante traduzido por António Fournier, que o verte igualmente do italiano, língua em que Ávila escreveu também poesia.
            Sob responsabilidade do editor, foram transcritos para português poemas de Xosé Lois García, poeta galego radicado na Catalunha, especialista de literatura africana de expressão portuguesa, sobretudo de Angola, a quem agradecemos a gentileza e paciência com que atendeu ao nosso convite e a cooperação na concretização dele.
            Há publicações em Portugal que inserem poesia de autores castelhanos e galegos sem a verter para português. É uma decisão compreensível, e que terá até preferência por parte de alguns autores galegos. No número anterior, aliás, incluímos poemas de Alfredo Ferreiro, cuja opção é mesmo a de adotar expressamente a norma linguística de âmbito lusófono. Desde que, no número 21, decidimos tentar deliberadamente aproximarmo-nos mais da poesia galega, paradoxalmente mal conhecida entre nós e até aí pouco representada nas nossas páginas, optámos, o que nos parece igualmente legítimo, por passar ao português os originais escritos em galego, mesmo quando as diferenças são meramente ortográficas (como acontece adiante com o poema «Ollares») ou eventualmente fonéticas. Não porque pensemos que os leitores da DiVersos precisem dessa operação para os compreender! Tal como aliás não precisam em relação ao castelhano. Mas, simplesmente, porque consideramos que esse exercício pode ser linguisticamente e poeticamente interessante e mesmo enriquecedor.
            Se a versão a partir de línguas mais ou menos afastadas da nossa tem interesse indubitável, interesse pode ter também fazê-la de línguas muito próximas. Galego, castelhano, português não são mais próximas entre si que o dinamarquês, o norueguês e o sueco, e a versão recíproca entre estas últimas é prática normal. O exercício põe problemas e desafios que julgamos úteis, não só para  portuguesesescolha, necessariamente breve, que percorre apesar disso o arco da generalidade da sua poesia. Dos restantes poetasumauma melhor compreensão dos originais como até da nossa própria língua.
            Nos autores de poemas originais em português, neste número, destacamos duas miniantologias mais extensas. De Eduardo White, poeta moçambicano recentemente falecido, é traçada uma panorâmica que evidencia uma poesia digna de ocupar lugar importante no universo multicultural e multinacional da nossa língua. Numa futura que se deseja próxima antologia global da poesia de expressão portuguesa terá decerto o apropriado destaque. De Eduarda Chiote, de que inserimos no n.º 20 o longo poema Fiat Lux!, apresentamos uma escolha, necessariamente breve, que percorre apesar disso o arco da generalidade da sua poesia. Dos restantes poetas portugueses, António Cândido Franco, Jorge Vilhena Mesquita, Rui Tinoco e Teresa Ferro tinham já sido publicados antes na DiVersos. Gisela Rosa, Inez Paes, João Rasteiro e Rute Noiva, uns, com obra feita, outros a iniciá-la, como é o caso desta última, vêm alargar o naipe. De outros países de língua portuguesa, refira-se a são-tomense Goretti Pina e dois jovens poetas do Brasil, Ana Elisa Ribeiro e Stefanni Marion, o que mais uma vez foi possível graças a Elisa Andrade Buzzo, amiga firme da DiVersos.

20 ANOS DE DIVERSOS - POESIA E TRADUÇÃO
Esta série DiVersos - Poesia e Tradução iniciou-se em 1996 como uma publicação muito simples de poucas páginas. Proposta por Manuel Resende a três colegas numa instituição europeia onde trabalhavam, Carlos Leite, Jorge Vilhena Mesquita e José Carlos Marques, teve desde o início a ajuda muito próxima de um outro, José Lima, que ainda hoje a acompanha. O grafismo da capa do primeiro número, igualmente muito simples, deveu-se a Vasco Rosa. Ainda hoje se conserva, embora com alguma derivação circunstancial no tipo de letra usado, e, uma vez por outra, o acréscimo de uma vinheta ou de uma legenda suplementar. Mantendo-se simples e discreta ao longo de duas décadas, a publicação foi gradualmente crescendo em número de páginas, não devido a algum êxito comercial ou mesmo literário que nunca teve, mas a um lento alargamento de colaboradores, poetas e tradutores, que, na maior parte dos casos chegaram até nós, e continuam a chegar, de forma espontânea. Este número é o maior de sempre, chegando a superar as 200 páginas, por um lado devido ao afluxo de colaborações, solicitadas ou espontâneas, e por outro lado para lhe imprimir uma intenção comemorativa, que se manterá no número 25 que esperamos editar igualmente neste vigésimo aniversário da sua existência. Não sabemos se poderemos manter esse número de páginas, seja por motivos de colaboração suficiente, seja por motivos de custos. Se chegamos até aqui foi apenas porque optamos por uma fórmula sóbria e encontramos maneira de a realizar com baixos custos e uma pequena tiragem. Se o leitor aprecia a DiVersos na sua sobriedade, poderá querer apoiá-la, mantendo ou renovando a sua assinatura, tornando-se assinante ou oferecendo uma assinatura a um amigo, ou por qualquer outra forma a seu gosto.
Pelas edições publicadas, 24 apenas em 20 anos, é fácil ver que a intenção inicial que nos levou a subintitular a série «revista semestral de poesia e tradução», subtítulo mais tarde abandonado, não se concretizou. Curiosamente, após uma interrupção longa entre 2009 e 2012, conseguimos finalmente alcançar grosso modo uma regularidade de dois números em média por ano... Esperamos mantê-la assim pelos anos de longevidade que nos restarem.
O editor  

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