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21/08/2019

LITERATURA PRODUZIDA POR MULHERES NO ESPÍRITO SANTO: JUDITH LEÃO CASTELLO RIBEIRO E A AFESL

www.afesl.com 
Durante muito tempo um silêncio ruidoso pairou sobre a produção intelectual das mulheres capixabas. Maria Stella de Novaes, na obra A mulher na História do Espírito Santo (História e folclore), escrita entre 1957 e 1959, denunciou que essa “omissão de referências às mulheres” remontava os registros históricos da comitiva de Vasco Fernandes Coutinho, donatário da Capitania. Dona Stelinha, como carinhosamente era chamada, é uma personalidade importantíssima da historiografia do ES, pois, contribuiu para manter viva a memória de muitas mulheres, como a esposa do índio Maracaiaguaçu, batizada como Branca Coutinho e a viúva de Guajaraba (Cabelo de Cão) que guiou o seu povo na descida do Sertão para a aldeia dos Reis Magos. Não ficou de fora de seu relato a importância histórica de Dona Luísa Grimaldi, que governou o Espírito Santo com êxito entre os anos de 1589 e 1593 e de Maria Ortiz, heroína capixaba, filha de espanhóis que defendeu a Capitania da invasão holandesa, em 1625. Os séculos passaram e “humildes e ignoradas, alheias, mesmo aos resultados sociais e econômicos dos seus esforços”, as mulheres capixabas chegaram ao século XVIII ainda condicionadas por conceitos patriarcais religiosos, sociais e legais que as caracterizavam como inferiores ao homem. Dona Stelinha registra: “fadas incógnitas que salvaguardavam as bases da sociedade”, as capixabas eram consideradas “máquinas de trabalho doméstico”, mesmo assim, as alunas da professora Maria Carolina Ibrense protagonizaram a primeira publicação pública feminina no ES, poemas no Correio de Vitória (29-12-1849).  No século XIX as mulheres começaram a conquistar novos espaços sociais e as senhoras do Espírito Santo se organizavam em torno de novos interesses, como o jornal de moda parisiense A Estação e surgem clubes literários como o de São José do Calçado, denominado “Amor às letras” e temos registros das primeiras escritoras capixabas: Orminda Escobar Gomes, Cecília Pitanga Pinto, Silvia Meireles da Silva Santos, minha patrona na AFESL,, e Maria Antonieta Tatagiba. Em Vitória e Vila Velha as rendas, parte do aprendizado de trabalhos manuais das moças, eram famosas. Porém, esses novos espaços conquistados se devem muito à escolarização das mulheres e à emergência de suas ações coletivas. Nesse sentido, no século XX, podemos perceber a relevância da vida e da obra da homenageada da 6ª Flic-ES, Judith Leão Castello Ribeiro. O Brasil viveu e vive um obscurantismo com relação às questões de gênero, exemplo disso é que o tema vem sendo subtraído das metas da educação nacional. Acreditamos que resgatar a história das resistências das mulheres como Judith Leão é essencial, pois nos inspira a continuar lutando pela educação e pelo direito à livre expressão. Judith Leão se insere nesse contexto de luta e resistência das primeiras sufragistas capixabas. Ela estudou, tornou-se professora e o seu interesse por política levou-a a se engajar no movimento de mulheres. Vale recordar que a exclusão das mulheres da categoria de cidadãs, na constituição inglesa de 1791, levou a escritora Mary Wollstonecraft a escrever Reivindicação dos direitos da mulher e essa obra, que denunciava a opressão no tempo do iluminismo, ecoou no Brasil e, insuflado por Nísia Floresta com o seu Direito das mulheres e injustiça dos homens, de 1832, floresceu o movimento feminista brasileiro. Berta Lutz, na década de 1920, liderou a criação da FEDERAÇÃO BRASILEIRA PELO PROGRESSO FEMININO e esse feminismo de primeira hora, que tinha como foto a melhoria das condições da mulher na sociedade e a conquista do direito ao voto feminino, só alcançou o pleito em 1932. Segundo Maria Stella de Novaes, o movimento feminista capixaba delineou-se, paralelamente ao movimento nacional, liderados por Silvia Meireles da Silva Santos, em Vitória. Nessa época, a organização das mulheres em entidades fomentou importantes debates políticos e, em vários estados da federação, o feminismo se fortaleceu. No Espírito Santo não foi diferente, as intelectuais capixabas já chamavam a atenção pela atuação destacada no cenário cultural local, mesmo assim, alguns espaços ainda lhes eram negados, e um desses espaços era o político. Judith foi uma defensora ardorosa dos direitos políticos das mulheres, mas, o ambiente conservador da época exigiu uma sensibilização das capixabas para a luta política. Maria Stella de Novaes expõe as dificuldades das mulheres que ousavam desafiar a ordem patriarcal adentrando espaços públicos, relata que ela mesma sofreu para ingressar como catedrática no corpo docente do Ginásio do Espírito Santo e na Escola Normal do Estado, e que “as escritoras e as poetisas margaram” da mesma forma, “bebendo o cálice da crítica ferina e da oposição implacável”. Em 1933 um grupo de senhoras vitorienses fundou a FEDERAÇÃO ESPÍRITO-SANTENSE PELO PROGRESSO FEMININO, buscando incentivar o alistamento de mulheres e, sem compromisso partidário, fundou-se também a CRUZADA CÍVICA DO ALISTAMENTO, cuja presidente foi Silvia Meireles da Silva Santos, vice-presidente, Judith Castello Leão Ribeiro, e tesoureira Maria Stella de Novaes. Judith já era professora, desde o ano anterior, quando tinha sido aprovada em concurso público e ingressada como professora no Grupo Escolar Gomes Cardim. Foi como mestre que, em 1934, pela primeira vez, ela se candidatou como deputada estadual não filiada a partido, mas não se elegeu.Em 1936, o direito ao voto das mulheres foi mantido sem restrições na Constituição Federal e a sessão capixaba da Federação, no Rio de Janeiro, então capital Federal, contribuiu com uma mobilidade para esse episódio. A movimentação feminista vitoriense repercutiu no interior do estado e uma delegação da UNIÃO CÍVICA FEMININA, de Cachoeiro de Itapemirim, em 1936, enviou uma delegada para participar do Congresso Nacional Feminino. O “esforço titânico” para o êxito do movimento feminista, ¾ como diria Maria Stella de Novaes ¾, de Judith Leão e de muitas outras mulheres capixabas, entre elas Guilly Furtado Bandeira, Ilza Etienne Dessaune, Maria Antonieta Tatagiba, Lidia Besouchet, Virgínia Tamanini, Yponéia de Oliveira, Zeni Santo e Haydée Nicolusse, precisa ser conhecido pelo público. A Flic-Es busca criar espaços para que os escritores do passado e do presente possam ter visibilidade. Em 18 de julho de 1949, um grupo de mulheres uniram forças com Judith Leão e fundaram a ACADEMIA FEMININA ESPÍRITO-SANTENSE DE LETRAS (AFESL). Francisco Aurélio Ribeiro, dedicado pesquisador da vida e da obra das escritoras capixabas, nos faz saber que apenas muito recentemente as mulheres foram aceitas nas academias de Letras, e destaca da extemporaneidade da capixaba Guilly Furtado Bandeira que, em 1913, ingressou como acadêmica na Academia de Letras do Pará. A escritora é, também, a primeira capixaba a publicar um livro, em 1913, Esmaltes e Camafeus. A acadêmica da AFESL Ailse Therezinha Cypreste Romanelli destacará que, no ES, era “um despautério”, na década de quarenta, uma mulher como Judith cumprir quatro legislaturas como deputada e, ainda, tentar entrar para a Academia Espírito-santense de Letras. Judith se candidatou para uma cadeira da AEL, mas, não foi aceita. Ailse Romanelli destaca, ainda, que “as academias eram exclusivamente masculinas”, então num movimento de afirmação feminina, Judith fundou a Academia Feminina Espírito-santense de letras (AFESL) e foi a sua primeira patrona. Participaram dessa primeira diretoria Arlette Cypreste de Cypreste, como vice-presidente, como secretárias Zeni Santos e Iamara Soneghetti e Virgínia Tamanini como bibliotecária, a elas se juntaram Ida Vervloet Finamore, Hilda Prado e outras escritoras e a instituição foi se firmando no cenário cultural capixaba. Temos o registro de que a querida escritora e acadêmica Maria Filina Salles de Sá declamou o poema “Mãe Negra”, de Colares Júnior, na reunião da AFESL do dia 11 de agosto de 1949 e que Beatriz Monjardim participou pela primeira vez de uma sessão no dia 25 de agosto de 1951. Maria Filina e Beatriz Monjardim continuam participando ativamente das atividades da AFESL, fica aqui registrado o meu carinho e o de todas as acadêmicas por ambas. Beatriz Monjardim lançará o seu mais recente livro, “Nas contas do meu terço”, na 6ª Flic-ES. Maria Stella de Novaes participou da comissão que escreveu o primeiro estatuto da AFESL, juntamente com Ida Vervloet Finamore e Hilda Pessoa Prado e muitas outras personalidades femininas do Estado passaram pela AFESL dignificando a instituição. No dia 16 de agosto de 1949, estiveram presentes no Salão de honra da Escola Normal Pedro II, onde aconteceu a Sessão solene de Instalação da AFESL e posse da primeira diretoria, o Governador Carlos Fernando Monteiro Lindenberg, que falou sobre a “feliz iniciativa” de criação da Academia, o representante da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, Dr. José Rodrigues Sette, e o Presidente da AEL, Dr. Eurípedes Queiroz do Vale, pessoa que muito incentivou e contribuiu para com a fundação da AFESL. Nos seus setenta anos de existência, a AFESL continua lutando para ser um espaço de criação de livre produção para as intelectuais capixabas, desde os seus primórdios quando Annette de Castro Mattos, em 1950, organizou a “Vitrine literária”, fazendo um importante registro das escritoras do Espírito Santo, passando pelo programa “Mulher e perfume”, dirigido por Arlete Cyprete de Cypreste na Rádio Capixaba e que deu voz a muitas escritoras e artistas, a escritora Zeny Santos, que fundou a “Casa do capixaba”, o apoio dado pela AFESL ao Instituto Braile na sua criação, a criação do “Lar da Menina”, por Beatriz Nobre de Almeida e tantas outras ações das nossas acadêmicas. O emblema da nossa academia é Ubi Plura Nitente, que significa “onde todas brilham”, ele ilustra o sentimento que nos norteia. Assumi a presidência da AFESL consciente da responsabilidade de dar prosseguimento a esse legado de luta feminina/feminista e sinto-me honrada em presidir a AFESL no ano do seu Jubileu. A trajetória dessas e de outras grandes mulheres, muitas delas ainda desconhecidas, mostra a importância de que tenhamos consciência do nosso papel no âmbito da cultura, assim como no da política, da pesquisa, etc. A realidade atual exige, de nós, posicionamento com ações concretas. Poucas instituições culturais completam setenta anos ativas e com um histórico de conquistas. Dedico essas linhas a Judith Leão Castello Ribeiro, a Ester Abreu Vieira de Oliveira, destacando duas em especial, Carmélia Maria de Sousa e Haydée Nicolussi, que nas suas épocas, não foram aceitas no quadro de acadêmicas da AFESL, mas que hoje nos honram sendo nossas patronas. Renata Bomfim - Presidente da Academia Feminina Espírito-santense de Letras e da 6ª Flic-ES

11/08/2019

Brazil

Minha terra, meu amor,
Quantas saudades de ti, senti,
Lá em Madri.
Era verão, 2013, e eu andava sem rumo,
Embriagada pela ilusofonia.
Fui atrás do Rubén Darío, o bardo beberrão e sensual,
Dei um rolezinho com a Florbela, em Évora.
Eu, uma poetisa capixaba, anônima como os pombos
Da Puerta del Sol.
Nessa época, escrevi um poeminha apaixonado,
Tão sincero, para ti,  meu Brasilzinho,
A saudade doía. Nele, cantei tuas belezas
Reconheci ser parte de ti e, tu, o meu sangue e carne.
Fiquei chocada, um dia, em Madri,
Quando vi, nos muros de uma universidade,
Um picho convidando para um encontro pro nazi.
Fiquei horrorizada, indignada, muito puta da vida.
Isso me lembra que um homem me abordou, em uma feira de livros
Em Portugal, queria pagar pelos meus montes, prados e matas.
Lembrei o sujeito que não estávamos em 1500.
Ironicamente, eu acabara de comprar um livro de freira:
Cartas portuguesas e de ler as Novas Cartas Portuguesas.
Voltei para ti, pátria e, vejam só, um tempinho depois, logo, logo,
Eis que ascende ao Planalto Adolfinho e seu secto bizarro.
Ah! terrinha querida,
Foste sequestrada por uma quadrilha
Perversa, sanguinária,
Malditos incendiadores do futuro.
Agora, o meu corpo de mulher luta para não se reduzido
A cinza, pó e nada e a tupiniquim que me habita 
Grita, luta e exige justiça.
A Mata e os animais, que amo mais que a mim mesma,
Estão sendo dizimados.
A morte se instalou no teu seio como um câncer.
Pátria armada, salve, salve!
Não, não espero que me salvem.
Ensaio movimentos plurais e sinuosos de sobrevivência. 
Pátria estuprada, aviltada. 
Terra de desamparados, marginalizados e oprimidos. 
Brazil. 


RB- Vix, 11-08-2019

O "Santinho" de Elvis Júnior

***Em 2014 fiz esse "santinho" para o meu gatinho milagreiro, o Elvis Júnior. Aconselhava os amigos que queriam passar nas provas de mestrado e de doutorado que rezasse para ele, visto que tinha funcionado comigo, e tive o retorno de três colegas que rezaram e passaram. Então, sabendo dos três "milagre", canonizei o felino sem problema e nem pudor, era beato e pronto, o meu santinho Elvis Júnior.

SANTO ELVIS JÚNIOR,
GATO MILAGREIRO,
DOS ANIMAIS, PROTETOR,
LIVRAI OS ANIMAIS
DAS PESSOAS MALVADAS, 
DO ABANDONO, DA FOME,
DO FRIO E DA DOR.
VENHO A VÓS, FELINO BENEVOLENTE,
JUNTO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS,
PEDIR QUE NOS ATENDA PRONTAMENTE.

30/07/2019

“El sacro incêndio universal amoroso”: ecos del lirismo de Rubén Darío en la poesía en lengua portuguesa. (Renata Bomfim)




Visita a Diriamba, Nicarágua.

Delirio divino, así como lo definió Platón; deseo de aquello que nos falta, como lo entendió Sócrates; experiencia a las puertas de la muerte, descrito por Santa Teresa; la temática amorosa forma parte del manantial lírico de todas las épocas, siendo el amor un arquetipo potente que estremece y arrastra hacia el objeto perseguido.
La temática amorosa, plasmada por Rubén Darío en su obra, encuentra resonancia en la tradición lírica en lengua portuguesa, desde las cantigas de amor medievales, pasando por la obra de Luis de Camões que cantó: “el amor es fuego que arde sin ver”; por Eugênio de Castro, a quien el poeta dedicó estudios, Fernando Pessoa y, llegando al Brasil, en las voces de poetas de diferentes épocas: Gregório de Matos, considerado el primer poeta brasileño, Olavo Bilac, Carlos Drummond de Andrade y Hilda Hilst, entre otros.
En la obra dariana, el amor posee el poder de fragmentar barreras y facilitar la coincidencia; y se singulariza, dejando de ser “lugar común” para alcanzar la “universalidad”. El poeta y crítico Pedro Salinas, calificó al bardo nicaragüense como “el mayor revolucionario del concepto del amoroso”. Esa revolución poética dariana puede ser comprobada en la constante invitación a la entrega hecha por el yo lírico: “Ama tu ritmo e ritma tus acciones” (“Ama tu ritmo”); al fin, hasta la “fiera virgen ama” (“Estival). Así, el amor se erige en fuerza vital que posibilita superar “la montaña de la vida” (“Amo, amas”). De ese modo, el amor, para Darío, se hace instrumento de reafirmación vital, se vuelve poesía, se convierte en mito.
Sucedió durante la investigación del maestrado, mientras investigaba la obra de la poetisa portuguesa Florbela Espanca (1894-1930), cuando me encontré con el poeta nicaragüense. Observé que el libro de poemas florbeliano Charneca em flor, póstumo, de 1931, llevaba como epígrafe el poema “Amo, amas”, de Canto de vida y esperanza. Defendí la tesis de la existencia de un diálogo estrecho entre esos dos libros. Así, muchos de los poemas contenidos en Charneca em flor, probarían el impacto que la lectura de la obra de Darío pudo causar en la poetisa considerada como una de las mayores voces de la lírica portuguesa moderna. Presenté tales inquietaciones en el I Congreso Internacional Florbela Espanca, que reunió en 2011, en Vila Viçosa, Portugal, a estudiosos de variados países. Las hipótesis presentadas fueron comprobadas, posteriormente, en la tesis de doctorado titulada A flor e o Cisne: diálogos poéticos entre Florbela Espanca e Rubén Darío, defendida por mí en 2014, en la Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).
Florbela Espanca fue una poetisa que, como Darío, conoció mudanzas socio-políticas significativas, incorporadas por la modernidad. Entre ellas el cuestinoamiento de la tradición y la recuperación de los códigos del pasado. El poema dariano “Amo Amas, de la obra Cantos de vida y Esperanza, dice: “Amar, amar, amar, amar siempre, con todo/ el ser y con la tierra y con el cielo, / con lo claro del sol y lo obscuro del lodo. / Amar por toda ciencia y amar por todo anhelo”. En el poema de Florbela Espanca, titulado “Amar”, resuena la voz del bardo nicaragüense: “Yo quiero amar, amar, perdidamente!/Amar solo por amar; Aquí… allá…/ también a Este y Aquel, al Otro y a todo el mundo…/Amar! Amar! Y no amar a ninguno!
Observamos que el poema florbeliano es un clamor obsesivo, en el que se da un uso anafórico de la palabra amar; repetida ocho veces, siete de ellas en el primer cuarteto. En el poema dariano, la palabrea amar se repite siete veces y, amor, una. Florbela Espanca ama perdidamente, y esta pasión, fuerza vital de su poesía, no conoce límites. Florbela describe en su poesía un amor libertario, insumiso y ansioso; que desea un “más allá” del objeto amoroso; pues su amor se extiende hacia “Este y Aquel, el Otro y toda la gente…”, hasta alcanzar el despersonalizado “Amar! Amar! Y no amar a ninguno!”. Para la poetisa portuguesa, la vida, esa primavera con los días contados, solo vale la pena abandonándose al numen, a lo humanamente inexplicable. Desde esa perspectiva, el amor se siente capaz de dar nuevo significado a la vida y vencer a la muerte: “Y si un día he de ser polvo, ceniza y nada/ Que sea mi noche una alborada, que me sepa perder…para encontrarme…”
En “Historia de mis libros”, Darío dice del poema “Amo, amas”: “pongo el secreto de vivir en el sacro incendio universal amoroso”. El amor, cantado por el poeta, tiene como distintivo la continuidad: “Amar, amar, amar, amar siempre”, o sea, sobrepasando el simple placer carnal que se agota en sí mismo –aunque sea esta una de las facetas distintivas de la poesía dariana, un amor completo, integro, que como el descrito en el “Amar” de Florbela,  se aleja de la individualidad. Darío defiende el amor como ejercicio verbal que debe ser conjugado “con todo/ el ser y con la tierra y con el cielo,/ con lo claro del sol y lo obscuro del lodo./ Amar por toda ciencia y amar por todo anhelo”.
Si la poética de Florbela, rompió con el ideario femenino de su época, encontramos en la poética de Darío la ruptura con el canon literario, contribuyendo a la renovación del idioma español, inicio del primer movimiento genuinamente hispanoamericano, el Modernismo.
Florbela y Rubén no se conocieron personalmente, aunque Darío visitó Lisboa en 1912 como director de la Revista Mundial. Tras esa visita a Portugal, el poeta viajó a Brasil. Había estado Darío en Brasil en 2006 como Subsecretario de Relaciones Exteriores de Nicaragua, participando en la Tercera Conferencia Panamericana, celebrada en Rio de Janeiro. En esa reunión, marcada por tensiones políticas, el poeta leyó por vez primera el polémico “Salutación al águila”. Siendo aclamado por los destacados intelectuales brasileños: Machado de Assis y Graça Aranha. En 1912 Não fue diferente, recibió a Darío la flor de la intelectualidad brasileña: Silvio Romero y Afrânio Peixoto entre ellos. El renombrado crítico paraense José Veríssimo, intervino en nombre de la Academia Brasileira de Letras, destacando el “funesto” distanciamiento existente entre los pueblos latinoamericanos: “Hijos del mismo continente”, que vivían, “indiferentes los unos de los otros e ignorándonos por completo”. En ese sentido, Veríssimo señaló a Rubén Dario como “uno de los mejores representantes del espíritu latino-americano”, o sea, una personalidad capaz de conseguir la unidad primordial de esos pueblos.
Es indiscutible que, en América Latina, el incendio promovido por el lirismo dariano inflamó a poetas muy distintos. En Brasil, la obra del bardo nicaragüense fue leída y mencionada profusamente por los escritores de los inicios del siglo XX, especialmente Manuel Bandeira. Sin embargo, constatamos que, en la actualidad, tanto su poesía como su prosa son poco estudiadas, aunque se demanden traducciones. Pensamos que ese escenario tiende a cambiar, en la medida en que el eurocentrismo pierde fuerzas y los estudiosos tienden su mirada hacia el Sur. Darío es un poeta de plena actualidad porque canta el amor y la fraternidad entre los pueblos. Difundir su poesía entre los brasileños, nos da hoy la oportunidad de celebrar y fortalecer los lazos que nos unen histórica y culturalmente. Y ese es nuestro reto.


Tradução Pedro Sevylla de Juana (pedrosevylla.com/ruben-dario/)



28/07/2019

Encruzilhada (Renata Bomfim)

Na encruzilhada,
Sem posses, lembranças,
apenas uma escolha e
a voz que, mesmo baixa,
se projeta
pelos caminhos.
Todo final pode ser
um recomeço.


Labrar Profundo Poema de Pedro Sevylla de Juana


A ti Alonso, hijo de Madrid o de Bermeo
Ercilla y Zúniga, o de Valladolid acaso, aunque improbable,
mas de Iberia por seguro;
a ti Alonso, quiero explicarte en estas letras,
gracias a Fortuna, breves,
mi asombro nacido de la separación que haces
de las noche vecinas de los días,
cuando escribes en plena madrugada:
“en una parte oculta y encubierta
tengo cerca de aquí mi gente armada”
gente que atacará al despuntar el alba,
confesando Alonso, al papel, secretos militares;
que soldado eres y escritor
a partes desiguales,
y no sé, lo doy por ignorado,
si actúas para contar
o cuentas para obligarte a hacer lo que has contado.

Como escritor, yo, que describe lo ocurrido
y lo mezcla con los deseos personales,
con aquello que quisiera que ocurriera,
dándolo por hecho de igual modo,
te diré que admiro el uso simultáneo
de la pluma y de la espada
blandiendo cada una en una mano:
ora la acción cierta,
ora, previo, su relato.

Labrar profundo, muy profundo
para que la tierra se airee y se oxigene,
y luego sembrar hondo
ese grano de trigo, humedecido
durante una semana larga en Valdepero
con agua del pozo y piedralipes,
y eliminar así enfermedades pasadas y futuras
de la semilla repleta de esperanza,
y que la semilla hinche su preñez más fructuosa
variedad antigua de grano adormecido
-coincido con Neruda en llamarla palabra-
pues ya estaba en el principio
del universo, aleteando, aleteando, aleteando
en vigorosa soledad, en abandono activo.

Y aunque hoy
hayamos convertido la palabra en sangre,
aunque la vayamos transformando en luz,
sangre a intervalos cada vez más largos
luz en espacios cada vez más breves,
debemos recordar, en el momento todo,
que su capacidad
-palabra lenitivo, palabra espada-
sigue siendo enorme, enorme, enorme;
ingente, apremiante y apretada.

Cuando, la puerta europea, en otro tiempo de par
en par abierta, a cal y canto amanece cerrada,
los necesitados de Iberoamérica
y del entero mundo
tienen que asaltarla, reivindicándose
como personas iguales y distintas
que no encuentran
huellas recientes de la humanidad antigua.

Europa los relega,
los relegan Portugal y España
los gobiernos europeos
los relegan, más como pobres sin enmienda
que como gentes de su gente
a la que también relegan.

Relega España a Ercilla
Madrid lo trata como a desconocido
y aquí reivindico su nombre y su vida
su vida y su obra
como ejemplo de todo aquello
que tenga de ejemplar el uso de la espada
antes o después
de usar con maestría la palabra.

Moriste Alonso y no sabes
por Fortuna
lo que tu cadáver fue y vino
de aquí para allá entero o separado;
ignoras que fuiste enterrado,
desenterrado y nuevamente enterrado
enterrado de nuevo, nuevamente;
ignoras que decapitado fuiste, y tu cabeza
vivió aventuras
que tu corazón ignora y viceversa
por Fortuna.

PSdeJ


Canto X de la Araucana (Fragmento)
Escrito por Alonso Ercilla y Zúniga
Traduzido por Pedro Sevylla de Juana

Estas mulheres, digo, que estiveram
num monte escondidas esperando
da batalha o fim, e quando creram
que ia de revés o castelhano bando,
ferindo o céu aos gritos desceram,
o mulheril temor de si lançando;
e de alheio valor e esforço armadas,
tomam dos já morridos as espadas.

E a voltas do estrondo e multitude
também na vitória embevecidas,
de medrosas e macias de costume
se voltam temerárias homicidas;
não sentem nem lhes dava pesadume
os peitos ao correr, nem as crescidas
barrigas de oito meses ocupadas,
que correm melhor quanto mais grávidas.

Se chamaba infelice a postreira,
e com rogos ao céu se volvia,
porque a tal conjuntura na carreira
mover mais presto o passo não podia.
Se as mulheres vão desta maneira,
a bárbara canalla qual iria?
De aqui teve princípio nesta terra
vir também as mulheres à guerra

Vêm acompanhando a seus maridos,
e no duvidoso transe estão paradas;
mas se os contrários são vencidos,
saem a perseguí-los esforçadas;
provam a fraca força nos rendidos
e se cortam neles suas espadas,
fazendo os morrer de mil maneiras,
que a mulher cruel o é deveras.

Assim aos nossos esta vez varreram
até onde o alcance tinha cessado,
e desde ali a volta ao povo deram
já dos inimigos saqueado.
Que quando fazer mais dano não puderam,
subindo nos cavalos que no prado
soltos sem ordem e governo andavam,
a seus donos por jogo remedavam.

Quem faz que combate e quem fugia,
e quem depois do que foge vai correndo;
quem finge que está morrido e se tendia,
quem correr tentava não podendo.
A gente alegre assim se entretenía,
o trabalho importuno desprendendo,
até que o sol riscava os collados,
que o General chegou e os mais soldados

PSdeJ

Académico Correspondiente de la Academia de Letras del Estado de Espírito Santo en Brasil, Pedro Sevylla de Juana nació en plena agricultura de secano, allá donde se juntan la Tierra de Campos y El Cerrato; en Valdepero, provincia de Palencia y España. La economía de los recursos a la espera de tiempos peores, ajustó su comportamiento. Con la intención de entender los misterios de la existencia, aprendió a leer a los tres años. A los nueve inició sus estudios en el internado del colegio La Salle de Palencia. En Madrid cursó los superiores. Para explicar sus razones, a los doce se inició en la escritura. Ha cumplido ya los setenta, y transita la etapa de mayor libertad y osadía; le obligan muy pocas responsabilidades y sujeta temores y esperanzas. Ha vivido en Palencia, Valladolid, Barcelona y Madrid; pasando temporadas en Cornwall, Ginebra, Estoril, Tánger, París, Ámsterdam, Villeneuve sur Lot y Vitória ES, Brasil. Publicitario, conferenciante, traductor, articulista, poeta, ensayista, editor, investigador, crítico y narrador; ha publicado veinticuatro libros, y colabora con diversas revistas de Europa y América, tanto en lengua española como portuguesa. Trabajos suyos integran seis antologías internacionales. Reside en El Escorial, dedicado por entero a sus pasiones más arraigadas, vivir, leer y escribir. Blog: pedrosevylla.com




29/03/2019

Participação da poeta brasileira Renata Bomfim na "HOMENAJE VIRTUAL AL POETA RUBÉN DARÍO" (Festival Internacional de Poesia de Granada, Nicarágua)



Confira o vídeo com as 
declamações no site

Alfonso Kijadurías (El Salvador), 
Juan Carlos Mestre (España), 
Renata Bomfim (Brasil), 
@Elsa López (España), 
Anastasio Lovo (Nicaragua), 
Andrea Cote (Colombia), 
Isolda Hurtado (Nicaragua), 
Luis Alberto Ambroggio (Estados Unidos),
Arturo Desimone (Aruba), 
Edwin Madrid (Ecuador), 
Daniel Calabrese (Argentina), 
José Angel Leyva (México), 
José Ramón Ripoll (España)y  
Francisco Larios (Nicaragua).

A Academia Feminina Espírito-santense de Letras e a atividade das feministas da primeira hora no ES


Maria Stela de Novaes

A Academia Feminina Espírito-santense de Letras  completa setenta anos de existência e de resistência, e hoje, honramos a memória das mulheres que nos antecederam e o oito de março celebrando a luta das mulheres que nos antecederam e afirmamos o compromisso de trabalhar em prol da igualdade de gênero e por uma sociedade sustentável e justa.

Enquanto membros de uma instituição de mulheres, a nossa produção deve estar alinhada com os ideais de emancipação e com valores como a liberdade e a coragem.  Fazem parte da nossa Academia Feminina expoentes de uma geração de intelectuais capixabas que sentiram na pele o preconceito, mas que não se mantiveram alheias aos desafios do seu tempo.

Em 1934 a Carta Constitucional da República deu à mulher tanto o direito ao voto, quanto o direito à elegibilidade. A conquista do sufrágio feminino foi uma das reivindicações das feministas capixabas, que também exigiam para o sexo feminino o direito à educação e ao trabalho. Os registros mostram que em 1926, sob a organização de Silvia Meireles da Silva Santos (Patrona da cadeira nº 16), foi feito um banquete em Vitória para se celebrar a graduação da primeira mulher em medicina, a Dr.ª Adalgisa Fonseca. Esse encontro foi importante na articulação das mulheres.

Em 1928, Guilly Furtado Bandeira escreveu o artigo “A mulher o e voto”, que prontamente gerou estranheza e a resposta dos intelectuais capixabas, um deles escreveu: “Deus, certamente, em suas cogitações, nunca pensou em fazer da mulher eleitora”.

Passados três anos, em 1931, Judith Leão Castello Ribeiro escreveu um artigo com o mesmo título, levantando importantes questionamentos sobre os direitos civis e políticos das mulheres. Em março de 1932, Lídia Besouchet escreveu o artigo “feminismo”. No ano de 1933, as feministas capixabas fundaram a sua primeira organização, a FEDERAÇÃO ESPÍRITO-SASNTENSE PELO PROGRESSO FEMININO (FESPF). Vale destacar que, em 1922, Bertha Lutz e suas companheiras haviam criado a FEDERAÇÃO BRASILEIRA PELO PROGRESSO FEMININO (FBPF), reivindicando sociais e políticos, o que mostra que as capixabas estavam atentas ao fluxo do movimento feminista em outras federações. Ainda em 1933 foi criado no Espírito Santo, também, a CCA, CRUZADA CÍVICA DO ALISTAMENTO, da qual Silvia Meireles da Silva Santos (Patrona da cadeira nº 16) foi a presidente, Judith Castello Leão (Patrona da Cadeira 1) foi vice-presidente e Maria Stella de Novaes foi tesoureira.

Em 1937, o golpe do Estado Novo fez retroceder muitos dos direitos conquistados em 1934. Judith Leão Castello Ribeiro foi eleita deputada, a primeira mulher a ocupar esse cargo político no ES.

A trajetória dessas e de outras grandes mulheres, muitas delas ainda desconhecidas, nos mostra a importância de que tenhamos consciência do nosso papel no âmbito da cultura, assim como no da política, da pesquisa, etc. A realidade atual exige, de nós, posicionamento e ações concretas!