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19/08/16

Conexão Nicarágua: MÚSICA DEL ALMA, da poeta GLORIA GABUARDI

Con la música del alma he de soñarte?
y buscar en las cenizas del rencor
las alas rotas de un pájaro derribado
y un corazón con campanario de gitano,
que llame incesantemente la luz de las estrellas,
con la mano de Dios perdida entre los muertos
Y la paciencia infinita aterrada por la sal del mar.
Con la música del alma he de buscarte?
si mi corazón, inventa y deshace,
debo amarte y desarmarte hacerte señor
de mi Troya derribada
y buscar el cuerno de la impudicia
roto por el desvencijado vagón del tiempo?
por eso quiero que la música del sueño
muerda tus noches vacías,
que no te alcance el tiempo de clavar tus puertas
Ni buscar tus chanclas ni peinarte,
te quiero así, desnudo, como dios te echo al mundo,
sin milagros, sin ser supremo que te ayude,
sin bosque que te proteja
ni cantos gregorianos que sean tus escudos,
quiero bailar en tu pupila
envolverte entre mis lazos
y que mi horizonte sea tu cielo
y mis brazos la cruz en que te mueras.
Por eso te quiero hoy aqui ante tu palacio,
ante la luz de tu estandarte
sin palabras rotas que estremezcan la historia de mi vida.
Únicamente entre mis manos
El carnaval de tu risa y de tu boca.

Gloria Gabuardi
Managua 14 de Junio del 2003



Gloria Gabuardi Poeta y artista plástica. Nació en Managua en 1945. 
Es doctora en Derecho y Notaría Pública por la Universidad Centroamericana (UCA) de Managua. Desde 1974 permaneció en el exilio en  México, hasta julio de 1979, fecha en que regresó  a su país. Durante el Gobierno Revolucionario  Sandinista desempeñó varios cargos,  incluyendo el de asesora  de la Vicepresidencia de la República. Varios de sus poemas  han sido traducidos al alemán, italiano y rumano. A partir de 2004 es la Secretaria Ejecutiva de la  Directiva de la Fundación  Festival Internacional de Poesía de Granada  y  coordinadora  del equipo de trabajo de  la misma,  que se celebra a partir de ese mismo año. Ha publicado los poemarios Defensa del amor (1986) y Mástiles y velas (2002); con una segunda edición en 2005. Recibió el Primer Premio del Concurso Literario Ricardo Morales Avilés, auspiciado por la Asociación Sandinista de Trabajadores de la Cultura (ASTC), 1982. (fonte)

Escrita de autoria feminina: Guilly Furtado Bandeira, primeira capixaba a publicar um livro (Contos/1913) será tema no Seminário do Autor Capixaba 2016

O BRAVOS COMPANHEIROS VII/ 2016 ACONTECERÁ NOS DIAS 
22 E 26 DE AGOSTO DE 2016

Esmaltes e Camafeus: o imaginário feminino nos contos de Guilly Furtado Bandeira

Prof.ª Dr.ª  Renata Bomfim- UFES


Resumo:
Guilly Furtado Bandeira (1890- 1980) nasceu em Vitória (ES). Filha de militar mudou-se com a família para o Pará, onde se tornou uma das primeiras brasileiras a ingressar em uma Academia de Letras, 1913. A maior parte da produção dessa escritora pode ser encontrada na Revista Vida Capixaba, onde escreveu entre os anos de 1925 e 1954. Em 1914, casada e morando no Rio de Janeiro, Guilly Furtado publicou Esmaltes e camafeus. Esse livro de contos ganhou uma edição fac-similar em 2011, publicada pela Academia Espírito-Santense de Letras. Nessa obra, uma galeria de representações femininas se articulam entre si, permitindo que se entrevejam concepções de mulheres avessas à integração social, como as personagens Rosilda, “uma d’essas criaturas que deslizam pela vida”; Soror Martha, “plantinha enterrada numa estufa escura onde a luz não penetra e definha pouco a pouco” e Haïna, a infeliz costureirinha que “dos braços do homem amado” caiu “nos braços de todos”. Essa comunicação propõe um olhar para o imaginário literário feminino apresentado nessa obra pouco conhecida do público, à luz da teoria e crítica da literatura comparada, tendo como aportes, também, contribuições do pensamento de Michel Foucault, Gayatri Chakravorty Spivak e Jacques Rancière.

Palavras-chave: Contos, literatura de autoria feminina, literatura produzida no Espírito Santo.


VII SEMINÁRIO BRAVOS COMPANHEIROS E FANTASMAS - Seminário Sobre o Autor Capixaba / homenagem a José Carlos Oliveira (1934-1986)




O Seminário Bravos Companheiros e Fantasmas é um evento científico e cultural que se realiza na Cidade de Vitória-ES desde 2004 pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas da Literatura do ES (Neples) no âmbito doPrograma de Pós-Graduação em Letras (PPGL) da UFES. O Seminário visa à promoção do diálogo e à reflexão sobre aspectos relacionados com a crítica e a historiografia da vida literária no Estado do Espírito Santo; constitui, nesse sentido, um espaço de referência associado ao registro da produção acadêmica sobre autores, obras, temas e demais questões identificadas com a presença (e com a ausência) da Literatura no Espírito Santo, e do Espírito Santo na Literatura.

VII Seminário Bravos Companheiros e Fantasmas, que ocorrerá entre os dias 22 e 26 de agosto de 2016 na cidade de Vitória, terá como homenageado o escritor José Carlos Oliveira (1934-1986), cronista, jornalista, romancista que não apenas forneceu ao evento seu título mas também -- e talvez sobretudo -- um mote e lema que sugere e revela tanto uma referência nietzscheana quanto uma referência algo trágica e picaresca no âmbito do próprio sistema cultural do Espírito Santo, se não do País. Lembrar, evidenciar e estimular o reconhecimento desses traços, tanto em nosso Seminário quanto na obra do Carlinhos Oliveira, será a pretensão e a proposta. PROGRAMAÇÃO.


18/08/16

XI SEMANA DE LETRAS/UFES POLISSEMIA: IDENTIDADE E DIVERSIDADE 13, 14, 15 E 16 DE SETEMBRO DE 2016


XI Semana de Letras possui a temática “Polissemia identidade e diversidade”, propõe-se a englobar todas as temáticas que perpassam os estudos da Língua e da Literatura, além de estabelecer um diálogo entre as artes e suas interseccionalidades, isto é, associar os conceitos do estudo da Língua com a diversidade e pluralidade dos\as falantes nas áreas da literatura, da música e da arte. PROGRAMAÇÃO

27/07/16

Ficção e performance no Diário íntimo de Florbela Espanca (por Renata Bomfim)

Esse texto foi publicado no Caderno de Cultura Pensar, do Jornal A Gazeta.

Clique AQUI e ouça os poemas
 de Florbela Espanca (MP3)

Florbela Espanca nasceu no dia 8 de dezembro de 1894 em Vila Viçosa, região do Alentejo português. A poeta escandalizou a sociedade portuguesa do início do século XX com seus poemas sensuais e com o seu comportamento social, que caminharam na contramão do que se esperava de uma mulher de sua época. Mais conhecida como poeta, Florbela também publicou contos, fez traduções de romances do francês para o português, escreveu uma profusão de cartas que deram forma a um rico acervo epistolar, e escreveu um diário que só foi publicado cinquenta anos após a sua morte, ele é conhecido como “Diário de último ano”. O diário íntimo é um fetiche na contemporaneidade, ele é um gênero literário que, mesmo aparentando oferecer ao autor um espaço de liberdade total, está sujeito ao calendário, como destacou Maurice Blanchot na obra O livro do porvir: “sob a proteção dos dias comuns”.

O diário abriga aquilo que não pode ser relatado e variadas paixões, ele preserva os dias resguardando-os do furor do esquecimento, nele, o discurso fica no interstício, na fronteira entre a ficção e a realidade. No diário o real é recriado via ficção, pela literatura.

Ainda no relato inicial do diário Florbela escreveu: “Quando morrer, é possível que alguém, ao ler estes descosidos monólogos, leia o que sente sem o saber dizer, que essa coisa tão rara nesse mundo ─ uma alma ─ se debruce com um pouco de piedade, um pouco de compreensão, em silêncio, sobre o que eu fui ou o que julguei ser. E realize o que eu não pude: conhecer-me. A poeta esperava que alguém a decifrasse, a interpretasse, dando acabamento ao seu eu fragmentado, incompleto e mutilado pela vida. O diarista é um agente ficcional que se performa na frente do leitor. A escrita no diário serviu, assim, como um espécie de tábua de salvação, por meio da qual a poeta reviveria, construída pela imaginação do leitor.

A rapariga autora do diário se declara “sempre sincera para consigo mesma”, e não reconhece na sua vida “um só ato covarde”, num mundo no qual “toda gente o é... mais ou menos”: “Honesta sem preconceitos, amorosa sem luxúria, casta sem formalidades, reta sem princípios e sempre viva, exaltantemente viva, miraculosamente viva, a palpitar de seiva quente como as flores selvagens da tua bárbara charneca”. Florbela elegeu o seu diário como um espaço privilegiado para a ficcionalização da vida, ele perfaz um roteiro de insatisfação localizada “entre a vertigem de enlouquecimento, da esquizofrenia lírica, e que descerra, todavia, uma insânia genial”, como destacou a crítica literária Maria Lúcia Dal Farra. Observemos o fragmento do diário datado do dia 22 de janeiro de 1930, no qual Florbela escreveu: “Faço as vezes o gesto de quem segura um filho ao colo. Um filho, um filho de carne e osso, não me interessaria talvez, agora... mas sorrio a este que é apenas amor nos meus braços”.

No diário de Florbela o vivido é reencenado e já não é possível identificar, com clareza, a fronteira entre o vivido e a arte, entre a autora e seus duplos. O diário possibilitou à Florbela estar a só com a sua fantasia e, “ apanhar tanto o excesso quanto a perda” da vida, na difícil tarefa de tentar reter o tempo.

O último registro do diário, datado do dia 2 de dezembro de 1930, exatamente sete dias antes do seu suicídio, 8 de dezembro, diz: “E não haver gestos novos e nem palavras novas! Foi, também, no dia 2 de dezembro que Florbela escreveu uma carta para a amiga Maria Helena Calás, com instruções exatas sobre o que fazer com os seus pertences após a sua morte. Florbela também deixou uma carta destinada ao seu marido e postais de despedida para as amigas mais próximas. Florbela tinha consciência de que o diário era o lugar do artifício e da performance, tanto que declarou: “as mesmas palavras nos servem para exprimir a mentira e a verdade!”
(Renata Bomfim)

26/07/16

Estudantes de Letras da UFES, vem ai a XVI Semana de Letras (de 13 a 16 de setembro de 2016)

Olá amigos e, especialmente, alunos do Centro de de Letras da UFES, vem ai a XVI Semana de Letras. Logo estarei postando a programação. Parabenizo a comissão organizadora pela garra e determinação que tornaram esse evento uma realidade.
RB

25/07/16

Renata Bomfim toda estrada (pela critica Maria Lúcia Dal Farra)

Renata Bomfim, toda estrada, busca sempre outros corpos para as suas letras. Entre vulnerável e venerável (parente da Rainha de Copas), ela se mune de patuás, sal grosso, espadas de São Jorge, banhos de erva, incensos e velas para invocar o encantamento. Daí que progrida vertiginosamente nas suas metamorfoses – ritual poético em que brinca de ser outra: flor, água, madeira, fogo, cobra, vale, peças de roupa purpurinada. Chama de fogo sagrado, em desconcerto interrogante com seus pares, ela se remete a Florbela, Anto, Drummond, Balzac, Hilda Hilst, irmãos Campos, Pignatari. Mas, mulher peregrina, vai buscando como pode (e às próprias custas) a safra, a serpente primeva, a fênix, o ovo, a ova. O corpo é parque de diversões – também casa, toca, tumba. Enfim, lugar à espera de iluminação. Ela sabe que cair é princípio vital – mas é preciso jeito, performance... e o teatro ilude. Sem pruridos, essa mulher geral não hesita em enfiar mudas de caquis por entre seus versos - para que cresçam no sabor colorido e raiem belezuras indizíveis. Que atraiam mandaçaias ao léu, pois que só se ganha quando se perde - quando se oferta muito mel. Por isso, o corpo é chamado de palavras, eco de acenos, armadilha para o bem. Os verbos colidem-se no ventre e a frase salta da boca para a escrita, para a lida alheia, para a vida profana e promíscua dos que nela se imiscuem inteiros – nós, os leitores e amantes. Daí o sentido de mina, do que brota de dentro, do imo do corpo – do chão. Como criar o brocado, recuperar o fóssil cintilante afogado nas tramas da pedra? O linho que faz a renda?A poesia é processo profundo de cavocação carnal e terreal. Operação que bombardeia, aos poucos, os sentidos e apura o material bruto, descasca, lavra, clama pela alma escondida que nele se aperta. Mas, aqui, como alguém que se enamora e se maravilha com o outro, qualquer que seja: uma moqueca, uma palavra, um gato, uma viagem, um querubim. Afinal, essa substância é própria e alheia, resquícios de si mesma a serem reconhecidos ao longo das eras. Daí que a poetisa converse com o ex-amor, com os fantasmas do passado e da ilusão, com a terra agonizante, com a noiva funesta, com a sereia, com Calíope. Daí que ela encarne a moça frustrada, a mulher apaixonada, a felina - e até almeje a morte cinematográfica de Cleópatra... Se, para a tecedeira, a morte é o nó, Renata sabe que “poeta morto é o que mais canta,/não acredita?/Pega um livro da Espanca, lê,/engole em seco e te cala.” Recadeira do tempo, Renata Bomfim agradece na sua poesia, e com suas próprias palavras, o ter penetrado outras paragens: visitado o milagre.

Maria Lúcia Dal Farra 
Crítica literária
Ganhadora do Prêmio Jabuti (poesia)/2012