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01/01/2018

Uma história de imigrantes por Virgínia Gasparini Tamanini (Por Elizangela Peixoto)



Virgínia Gasparini Tamanini foi uma importante escritora capixaba muito atuante na história literária espírito-santense. Nasceu em 1897 na Fazenda Boa Vista em Santa Teresa, filha de imigrantes italianos. Era autodidata e se dedicou intensamente a vida literária escrevendo romances e poesias. Em 1926 mudou para a cidade de Itapina, onde viveu por 23 anos e escreveu parte do seu primeiro romance KARINA, depois mudou-se para a cidade de Vitória, onde residiu até o fim da vida vindo a falecer vítima de pneumonia aos 93 anos. 
A escritora ingressou na Arcádia Espírito Santense e fundou com outras escritoras a Academia Feminina Espírito Santense de Letras. Montou e dirigiu peças de teatro, foi membro da Comissão Julgadora do concurso de contos promovido pelo jornal A Gazeta de Vitória, membro da Comissão Julgadora do Concurso Literário promovido pelo Lions Clube de Vitória, recebeu Menção Honrosa em concurso promovido pela Academia Internacional de Letras pelo poema “Criança Pensa”, ocupou a cadeira de número 15 da Academia Espírito Santense de Letras, recebeu o título de “Cidadã Vitoriense” da Câmara Municipal de Vitória e de  “Cidadã Colatinense” pela Câmara Municipal de Colatina. Também era pintora e houve exposição de suas pinturas na Galeria Homero Massena, pela Fundação Cultural do Espírito Santo; e na Fundação Cultural do Distrito Federal. Sua antiga residência, em Itapina, foi tombada como patrimônio material.     
Karina foi seu primeiro romance publicado em 1964 e teve 11 edições. O romance narra em primeira pessoa a história da jovem imigrante Karina que saiu contra a vontade dos pais, da Itália, juntamente com seu marido e outros imigrantes seus compatriotas em busca de riquezas, terras e uma vida melhor na América. Mas antes mesmo de desembarcarem em terra firme o grupo de estrangeiros começa a se dar conta de todas as dificuldades que iriam encontrar nessa aventura. Ao chegarem no Espírito Santo começa um grande calvário na vida desses personagens e Karina vai narrando cada importante detalhe: a rotina, o trabalho, as perdas, a total falta de estrutura, o medo. Mas ainda assim nunca perderam a fé e a alegria de viver. Apesar dos infortúnios eles vão se adaptando aos costumes do lugar e criando uma diversidade cultural rica na culinária, na música e em outras tradições tão preservadas ainda hoje por esses povos aqui no estado. 
O romance ainda retrata a formação de algumas cidades do interior do estado como Ibiraçu, Santa Teresa e São Roque do Canaã. Virgínia constrói uma bela narrativa, com um tom poético e envolvente que encanta e inebria o leitor de Karina.

Referências bibliográficas: 
BOBBIO, Kátia. A voz do coração. Virgínia G. Tamanini: vida e obra/ Kátia Bobbio: seleção, notícia biográfica (cordel); 
Matusalém Dias de Moura: estudo crítico. Coleção Roberto Almada. Vitória: 
Academia Espírito Santense de Letras; Editora Formar; Secretaria Municipal de Cultura, 2007. TAMANINI, Virgínia Gasparini. Karina. Rio de Janeiro: Ed. Pongetti, 1964.

Dores e delícias de ser e de escrever na poesia de Elisa Lucinda (Por Maria Fernanda B. de Araújo)


Eu ainda assistia a novelas quando conheci Elisa Lucinda. Lembro-me de alguém dizer “olha, uma atriz capixaba!”. Daí a conhecê-la como poeta foi um salto no tempo, meu mergulho na literatura é recente. Mas não foi lendo, e sim assistindo a uma maravilhosa declamação de seus versos,  com toda sua alma.  Se não sabem do que estou falando, procurem por sua performance de “Mulata exportação”.
Elisa nasceu em Vitória, Espirito Santo, ao meio dia de um domingo de Carnaval,  no dia 2 de fevereiro de 1958, dia de Yemanjá. Não é à toa que poetiza sobre as águas, como em “Amor de Odoyá”, “Inocência” e “Rio melhor”. As águas da chuva, dos rios, do mar, perpassam suas memórias, suas paixões, suas palavras. “Toda lágrima deveria virar palavra”, diz em “Escrito d’água”, “Aproveite a lágrima, faça ela render.”
No poema “Uma vitória”, Elisa Lucinda rememora um momento em que declamou versos na Festa de São Pedro de 1999, dividindo o palco com a cantora e sua madrinha Beth Carvalho, a quem dedica o poema. “Minha terra me amava, o Espírito Santo me amava, caí no chão do camarim, de muita emoção eu chorava.” Um relato que nos revela a construção da identidade de uma artista diante de sua terra natal.
Poeta, atriz, jornalista, cantora e professora, Elisa é uma das fundadoras da Casa Poema, no Rio de Janeiro, para onde se mudou na juventude. O projeto, com oficinas e saraus, atende a um público diversificado e acredita na poesia, especialmente a falada, como uma forma de melhorar a qualidade de vida das pessoas. Em diversos poemas da escritora, encontramos a reflexão sobre o fazer poético, sobre a palavra que nasce, cresce, grita e não morre dentro da gente. E é dessa necessidade de transbordar a palavra que essa poeta capixaba nos faz crer que escrever é para todos, nos convida a poetizar porque acredita que a palavra, nascendo do sentimento de cada um de nós, é estrada para o outro.

A poesia de Elisa Lucinda não tem enigmas ou rebuscamentos. De forma simples, direta e bela, fala de amor e paixão, de dor e frustração, de preconceito, violência e morte. Fala também de delicadezas de toda sorte. Versa sobre a natureza, a amizade, o desejo e a saudade; a mulher, o negro, a mulher negra na sociedade. Racismo, sexismo, pobreza: para esses temas, não convêm sutilezas. Elisa rasga o verbo, desnuda a alma, traz à tona todas as vozes guardadas nos convidando a dialogar, a compartilhar, a multiplicar. Sua escrita revela aquilo que vai no peito, aquilo que nunca finda. E pode ser no seu, no meu, no de Lucinda. 

Beatriz Monjardim Faria Santos Rabelo, uma autora singular (por Beatriz de A. Santos)

Nos livros a gente derrama as nossas lágrimas,mas na vida a gente é feliz! Beatriz Monjardim Os poemas são tristes, mas a autora é feliz!Beatriz Monjardim



Beatriz Monjardim Faria santos Rabelo, nasceu na cidade de Santa Leopoldina- ES,a mesma descende da família Monjardim. Ainda criança se muda para a capital ( vitória) juntamente com sua família, aonde tem sua formação educacional no colégio americano batista de Vitória.
     A autora escreveu sua primeira poesia aos 11 anos, Beatriz possui quatro livros, sendo estes: Na encruzilhada dos sonhos, despetalando saudades, sementes dos sonhos e floradas de inverno. Sua escrita se dá por meio de sonetos, os quais são permeados de versos que expressam a educação cristã que a autora recebeu, a forma da mesma ver a vida, histórias da sua própria vida, dores que são transformadas em versos, etc…
    Além dos livros, Beatriz possui outras publicações as quais ocorreram nos jornais de grande circulação no estado, A Tribuna, A Gazeta, possui também participação no livro  À Sombra do arco-íris, do escritor Malba Tahan. Essa singela mulher ganhou diversos prêmios, dentre eles a medalha de honra ao mérito Cora Coralina pela Academia feminina espírito santense de letras, a qual ela faz parte ocupando a cadeira nº 24.
    Beatriz Monjardim, além de escrever também pinta quadros, sendo de sua autoria os retratos dos ex-presidentes da caixa econômica de Vitória. É importante ressaltar que a pintura dos quadros é um hobbie da autora.
      A escrita de Beatriz Monjardim traz uma leveza e emoção, a autora coloca no papel a dor da alma de uma forma que o leitor se identifica com os escritos da mesma devido a sua profundidade no conteúdo, singeleza nas palavras.
       Seus sonetos são compostos de versos que expressam sua fé, visão da vida, desalentos, sonhos, esperanças e desesperanças.
Na obra floradas de inverno, um dos sonetos foi intitulado de “Coração Inquieto”, o qual a autora expressa sua fé, ele diz o seguinte:

O meu Coração inquieto
Palpita dentro do peito
Em busca de um puro afeto,
Em busca de um amor perfeito

Dos filhos, tenho a afeição;
Dos netos, quanto carinho!
Mas meu pobre coração
Ainda é triste, sozinho…

Nos braços do meu amado
tenho amor, tanta ternura,
Um amor apaixonado
Que há muito tempo perdura.

Mas meu coração inquieto
Ainda suspira e palpita
Por um sublime afeto,
Uma paixão infinita

Esse amor e esse desejo
Ardentes que me consomem
Não acharei nem no beijo
E nem nos braços de um homem

No abraço aberto da cruz
Encontro amor sem igual…
O Nazareno, Jesus,
O meu amor imortal!
                                                     Beatriz Monjardim
       Neste soneto, a autora ressalta a necessidade de um afeto, um amor perfeito o qual não consegue encontrar em nenhuma outra pessoa a não ser Cristo.
     Em outro soneto ela fala sobre a angústia, tristeza, desesperança, sentimentos comuns a todo ser humano, e da sua esperança de “ver” o olhar de Jesus, sabendo que este lhe traria esperança e conforto. a Autora também afirma que Ele è o caminho, a verdade e a Vida, o que remete a passagem bíblica de João 14:6, que diz: Assegurou-lhes Jesus: “Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.
Outra passagem do soneto remete ao  texto de Apocalipse 21:4, o qual diz: Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.  
Esse soneto diz o seguinte:

Em tuas mãos

Perdoa-me Senhor, se ainda Choro,
vergada ao peso da desesperança...
Aflita, ergo as mãos aos céus e imploro:
Não sei me ouves… Se minha voz te alcança.

Quisera ver de novo o teu olhar
Buscar o meu, tão terno e compassivo
Todo o meu ser se abrasa ao recordar
Aquele sonho em que Te vi, Tão vivo!

Sei que é o Caminho, a Verdade e a Vida!
Que hás de curar toda  dor, toda ferida…
E que, dos tristes, hás de enxugar o pranto.

Deponho em tuas mãos, minha tristeza;
Ofereço-te estes versos, na certeza
De que aceitas meu louvor neste meu canto.


     No livro “Despetalando saudades”, Beatriz Monjardim escreve sobre sua Terra, Santa Leopoldina, a autora descreve como a mesma é geograficamente, os encantos presentes neste lugar e o amor que ela possui por essa terrinha localizada ao sul do estado do Espírito Santo.Nos seus  singelos versos ela escreve o seguinte:

Minha Terra
Eu sou filha das montanhas:
-Terra de verdes colinas,
Profundos e lindos vales,
Minha Santa leopoldina.
Teu rio, o Santa Maria,
Desce das serras cantando
Sua eterna melodia...
(...)
No quiosque da pracinha,
Uma banda musical
Com Valsas te embala á noite
Estimula tuas tardes
Com o hino nacional…
(...)
Esta imprevista homenagem,
Ah, eu sei muito bem,
Não me prestou tua gente,
Mas meu coração presente,
Foi minha terra que quis!
Cantava o vento nas matas…
Rolava o rio feliz…
-Olhem, voltou Beatriz!

Ainda sobre a obra despetalando saudades, Beatriz Monjardim, surpreende seus leitores com duas poesias nada esperadas, sendo elas sobre o piloto de fórmula 1, Ayrton Senna e outra sobre a copa de 94. Na poesia sobre Ayrton Senna a autora fala sobre quão admirável e capaz era o piloto nas pistas de corrida; sobre a copa de 94, ela descreve como o Brasil era merecedor do título e de como o povo deveria vibrar com os jogos, mas também faz uma alerta de que o país não deveria ficar apenas no âmbito do futebol, mas também ganhar o título de tetra contra a corrupção, fome, violência e miséria. O poema sobre a Copa diz o seguinte:

Vai lá, Brasil!

Levanta, brasil!
Decola!
Aproveita esse momento lindo.
Que teus filhos veste
De verde e amarelo!
Esquecem o dia a dia tão sofrido,
Vão pelas ruas cantando e sorrindo…
(...)
Vai lá, Brasil!
Com garra e raça!
Ganha esse “tetra” contra a corrupção
Contra a fome, a violência e a miséria.
Luta, Brasil, por essa nova taça.
      
     Sobre Ayrton Senna, a autora escreve o seguinte:

Para Ayrton Senna, o “piloto da chuva”
Não choveu nesse domingo .
O dia amanheceu festivo;
Um desses dias que me faz mais vivos.
(...)
Choveu rosas, hoje, no teu caminho…
Uma longa estrada florida,
Lentamente percorrida,
Pelo nosso campeão;
Que o tira da nossa vida,
Mas fica no coração!
Eterno Poli Position,
Quanta alegria nos deste!
Agita a nossa bandeira,
No alto Podium Celeste!

Beatriz Bomjardim traz versos que tocam a alma e encantam  seus leitores, através dos seus sonetos e poemas trabalha os mais diversos temas presentes na vida de todo ser humano, é possível ao leitor se identificar com os versos da autora, pois a distância entre autor/leitor, presente em muitas obras, não se dá nos escritos de Beatriz Monjardim Faria Santos Rabelo.

Simone Lacerda (por Celise Conceição A. da Rocha)

   

  Arame farpado é a primeira obra da escritora Simone Lacerda, publicada pela Editora Cachoeiro Cult. Ela atualmente leciona como professora de português, nascida no estado do Rio de Janeiro, mas que, se considera cachoeirense de coração, por ter vindo ao estado do Espírito Santo quando criança.
  Sua obra é composta por 38 crônicas que abordam as temáticas da contemporaneidade e as pessoas que nela habitam. Sua obra nos faz refletirmos sobre as nossas condutas do dia a dia, pois seu livro está voltado ao empoderamento do indivíduo. Tratado por diversos assuntos do cotidiano, com um toque especial da essência da poesia. E também ela tem como inspiração grandes nomes da literatura em especial ela destaca Adélia Prado e Drummond. Segundo Simone “Escrever faz a gente raspar a pele em vidros quebrados, sangrar, anunciar... ” (p. 18). Ela em sua primeira crônica descreve os desafios da escrita, desafios estes que eu também enfrento todos os dias, mas que estou conseguindo superar a cada dia.
  Temos em sua obra a crônica “Em tempos” onde a escritora descreve a personagem Alice que enfrenta a correria do dia a dia, com diversos relógios espalhados por sua casa, na tentativa de sempre se controlar no horário. Mas estes grandes controladores de nossas vidas, os relógios, na maioria das vezes nos deixam presos, pois estarmos tão preocupados com as obrigações a serem feitas, que não conseguimos parar um pouco e “contemplar o belo”, as coisa mais simples da vida que realmente nos traz felicidade, assim como descreve Augusto Cury, faz-se necessário, por um estante, a reflexão de si mesmo segundo sugere Simone. 
  E também temos a crônica número seis que recebe o mesmo nome do livro “Arame Farpado” onde a autora se descreve, com o seu jeito de ser, suas vontades, a mesma escreve que prefere não seguir as regras ditadas pela maioria das vezes mas que prefere por andar pela contramão. Estas características descritas pela autora que nos mostra a sua singularidade e sensibilidade como escritora.

Waldo Motta (por Fábio Eduardo Bonisson Paixão)


O agora já Waldo Motta (eu o li como Valdo Motta) é capixaba, nascido em Boa Esperança (27.10.1959-). Tem profícua produção literária e sua obra já se espraiou para fora dos limites do Estado e do Brasil.
É um artista multimídia, navegando pela poesia, pela atuação como ator e tem pesquisado com profundidade o misticismo, a numerologia, a cabala etc.
Li a obra Bundo & outros poemas por volta do ano 2000. Revisitar a obra agora em 2017 me gerou muito desconforto, pois ainda agora não tenho plena capacidade de decodificar muitas das suas falas. Ledo engano o do leitor de querer decifrar tudo o que diz o poeta. O poeta não precisa ser entendido na sua literalidade: quase sempre não o quer.
Bundo não é marginal, pois se apropria do sagrado para nos levar à dedução de que o profanador é aquele que se distancia do criador sagrado ao repudiar suas criaturas. Bundo recria o conceito de marginal ao nos trazer o grande Esposo, o Deus que está em todos nós e que será o nosso redentor.
Em tempos de patrulhas ideológicas, nos quais prorrompem discursos raivosos tentando censurar nossas produções artísticas com arremedos de discursos moralistas/religiosos, Waldo nos brinda em Bundo uma orgástica manifestação do Divino encravado em todos nós. Nos leva a crer que as interdições em nome de Deus nada mais são do que um imenso vazio existencial, um culto à mediocridade e um grande passo para um fundamentalismo religioso desprovido de qualquer graça divina.
Pedindo-se uma permissão, ou melhor uma verdadeira licença, à teoria pós-colonialista, Bundo permite uma “re-colonização” da linguagem bíblica, pois traz uma produção literária que escarafuncha uma blindada teoria literária bíblica. Mas, Waldo não é marinheiro de primeira viagem e seu trabalho não é só belo: é fruto de incessante pesquisa. Não há ingenuidade ali: há muita pesquisa e muito esforço para se ofertar ao leitor um aporte teórico de linguagem que serve não só como adorno, mas serve para assegurar o gozo da libertação pela exposição da verdade arquetípica: Eis Ele - O Esposo!
Recepcionemos o texto de Waldo sem os arroubos de nossa formação cristã (Minha Nossa Senhora? Como justificar Deus pelo Cu?) e com a liberdade daqueles que não mais aceitam patrulhamentos ideológicos: sejamos corajosos para ouvir Waldo! Sejamos corajosos para recitar Bundo!
Eis um belo exemplo do que nos diz o poeta:
DEUS FURIOSO:
Estendi mãos generosas
a quantos o permitiram
e disse: sou Deus.
Porém, quem acreditou?
Fui humilhado,
escarnecido: Deus viado?
Fui negado e combatido.
Em meu amor entrevado
cerrei lábios e ouvidos.
Até o amor reprimido
virar ódio desatado.

Rasguem céus e infernos,
ó gemidos e brados
de amor ressentido.
Raios partam quantos
meu amor tenham negado.
Prorrompam tormentas
em corações petrificados.
Quero ser amado
quero ser amado
quero ser amado

Então não pode um Deus viado (“Peça com transexual em papel de Jesus é cancelada após decisão judicial”- Folha de São Paulo de 11.12.2017 - in http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/09/1919033-peca-com-transexual-em-papel-de-jesus-e-cancelada-apos-decisao-judicial.shtml).?
Então não pode um poeta analisar de forma profunda o evangelho para trazer à tona a força erótica e a energia criadora da escritura?
Não às interdições e sim a disponibilizar o que se acha necessário, devendo o filtro partir do leitor e não de um censor.
E para terminar, cito a terceira parte  de ANIMA X ANIMUS, para fazer corar aqueles que profanam o nome do Senhor:
Que o sol fique lívido
e a lua corada de vergonha,
as estrelas desmaiem, errem suas rotas os planetas
e os céus aturdidos se embaralhem.
Urrem os mares e os montes estremeçam,
porque a Terra santa grita e sacoleja
de gozo: chegou o seu Esposo.
III - BIBLIOGRAFIA:
MOTTA, Valdo. Bundo & outros poemas. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 1996.


Aline Dias (por Enrico Costa Rocha)


A escritora Aline Dias nasceu no sul do Espírito Santo, em Cachoeiro de Itapamirim, no ano de 1988. Graduada em Jornalismo pela UFES, a cachoeirense escreve desde os seus 14 anos de idade, mas seu primeiro livro foi publicado em 2012, aos 24 anos, com o nome de Vermelho. A autora descreve este como sendo uma novela erótica. Além de Vermelho (2012), Aline também é autora de outros livros, como: Além das pernas (2015) e A única coisa que fere é manhã pós-amor (2017).
            Sua obra é classificada, segundo a análise das fases da escrita feminina de Elaine Showalter (A literacture of their own: British women novelist from Bronte to Lessing, 1985), como sendo fêmea ou mulher, isto é, a última fase da escrita da literatura de autoria feminina, marcada como sendo uma fase de autodescuberta, já rompida com os padrões impostos pela sociedade.
 A obra A única coisa que fere é manhã pós-amor (2017) é uma reunião dos escritos da autora depois de um período no estado da Bahia. Trata-se de uma compilação de diversas crônicas, marcadas pela visão feminina sobre o amor. Em uma união de prosa e poesia, Aline capta a essência das relações amorosas, colocando como algo substitutivo, porém marcante, como no trecho tirado de Espuma: “Troquei o nome de um amor por outro. Troquei o nome do amor pulsante pelo nome do amor velho, finito.”. Apesar desta colocação, ela acredita no amor, e é fiel ao que sente, como mostra em Sempre fiz carnaval.
 Mesmo sendo classificada na fase fêmea, a autora mantém traços feministas, como em Anel de vidro: “Ninguém me mata, meu bem.[...] Eu não tenho medo, não.”. Em sua crônica Bucho, Aline se coloca como observadora da interação de um casal de bêbados. A mulher havia sido agredida, e ao perceber que seu marido está passando mal com a embreaguez, ela zomba e ri do marido. Ela se promete que “nunca mais eu apanho” e chama o marido ébrio para tomar banho de mar em Jardim Camburi, “Banho de mar em Jardim Camburi e você vai afogar”. No final da crônica, o homem se afoga e pede ajuda a mulher, que vendo o homem estender a mão pedindo ajuda e se afogar, ri da situação.
Outro aspecto marcante é a forte presença dos elementos da natureza, tendo inclusive uma crônica separada por 4 elementos (fogo, vento, água e terra), mas sendo o elemento da água mais utilizado.

 Referências:

DIAS, Aline. A única coisa que fere é manhã pós-amor: 1ª. Ed. Vitória, ES: Cousa, 2017


Anaximandro Amorim (por Sasha Ingrid Muniz)


Anaximandro Amorim, nascido em 14 de dezembro de 1978, é um escritor capixaba natural de Vila Velha e graduado em Direto pela Universidade Federal do Espírito Santo. Participou como membro da Academia Jovem Espírito-santense, da Academia Espírito-santense de Letras, além de membro de várias outras entidades de valorização da cultura e literatura, atuando também como apresentador na TV paga. O autor com quinze anos escreveu e publicou sua primeira obra, “Asas de Cera”, com isso começou a trabalhar para que outros escritores jovens também se manifestassem e que a própria escrita jovem fosse descoberta. Com todos os pontos de destaque, Amorim ainda é detentor da Comenda Rubens Braga, maior distinção dada a um escritor capixaba. Como a vida de todo escritor possui muitas aventuras, muitas delas boas outras  não, além das inúmeras que vivemos em seus escritos, talvez o mesmo também viva, ocorreram os percalços, um deles a sensação de quase morte passada pelo autor após um acidente automobilístico em setembro de 2009, esta hoje relatada em mais um de seus fascinantes livros.
Desde muito novo, Anaximandro Amorim destacou-se por sua retórica formidável e envolvente nos textos escritos, prendendo o leitor a cada página. Percebe-se que além do nome, o escritor possui bem mais referenciais da Literatura Clássica, trazendo para dentro de seus textos relações com a história e grandes personagens da literatura greco-romana. Em seu primeiro livro nota-se a correspondência com o mito de Ícaro, tão bem trabalhado por muitos outros autores por todo o arcabouço informativo e filosófico do mesmo.
 "Asas de Cera", "Brasil de ontem, hoje e sempre", "Concupiscência", "A história de um sobrevivente", "O livro dos poemas", "A máquina do tempo e outras histórias" e "A vida após a luz" contam como obras publicadas do autor, (destacado no romance e na crônica, além da poesia em versos brancos) que para compor seus textos utiliza da memória, sensualidade e argumentos pontuais, além de toda uma atmosfera amorosa.
Anaximandro Amorim cativa em seu texto e carisma, de fato um exemplo para muitos jovens que acreditam na arte da escrita e a buscam com tanto afinco, por tal motivo foi feita a escolha desse ilustre homem que coopera desde sempre para a descoberta de novos dons escritores. Sem sombra de dúvidas um ícone espírito-santense da literatura.


REFERÊNCIAS :
Disponível em: . Acessado em: 10 de dezembro de 2017.
Disponível em: . Acessado em: 10 de dezembro de 2017.