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29/03/2019

Participação da poeta brasileira Renata Bomfim na "HOMENAJE VIRTUAL AL POETA RUBÉN DARÍO" (Festival Internacional de Poesia de Granada, Nicarágua)



Confira o vídeo com as 
declamações no site

Alfonso Kijadurías (El Salvador), 
Juan Carlos Mestre (España), 
Renata Bomfim (Brasil), 
@Elsa López (España), 
Anastasio Lovo (Nicaragua), 
Andrea Cote (Colombia), 
Isolda Hurtado (Nicaragua), 
Luis Alberto Ambroggio (Estados Unidos),
Arturo Desimone (Aruba), 
Edwin Madrid (Ecuador), 
Daniel Calabrese (Argentina), 
José Angel Leyva (México), 
José Ramón Ripoll (España)y  
Francisco Larios (Nicaragua).

A Academia Feminina Espírito-santense de Letras e a atividade das feministas da primeira hora no ES


Maria Stela de Novaes

A Academia Feminina Espírito-santense de Letras  completa setenta anos de existência e de resistência, e hoje, honramos a memória das mulheres que nos antecederam e o oito de março celebrando a luta das mulheres que nos antecederam e afirmamos o compromisso de trabalhar em prol da igualdade de gênero e por uma sociedade sustentável e justa.

Enquanto membros de uma instituição de mulheres, a nossa produção deve estar alinhada com os ideais de emancipação e com valores como a liberdade e a coragem.  Fazem parte da nossa Academia Feminina expoentes de uma geração de intelectuais capixabas que sentiram na pele o preconceito, mas que não se mantiveram alheias aos desafios do seu tempo.

Em 1934 a Carta Constitucional da República deu à mulher tanto o direito ao voto, quanto o direito à elegibilidade. A conquista do sufrágio feminino foi uma das reivindicações das feministas capixabas, que também exigiam para o sexo feminino o direito à educação e ao trabalho. Os registros mostram que em 1926, sob a organização de Silvia Meireles da Silva Santos (Patrona da cadeira nº 16), foi feito um banquete em Vitória para se celebrar a graduação da primeira mulher em medicina, a Dr.ª Adalgisa Fonseca. Esse encontro foi importante na articulação das mulheres.

Em 1928, Guilly Furtado Bandeira escreveu o artigo “A mulher o e voto”, que prontamente gerou estranheza e a resposta dos intelectuais capixabas, um deles escreveu: “Deus, certamente, em suas cogitações, nunca pensou em fazer da mulher eleitora”.

Passados três anos, em 1931, Judith Leão Castello Ribeiro escreveu um artigo com o mesmo título, levantando importantes questionamentos sobre os direitos civis e políticos das mulheres. Em março de 1932, Lídia Besouchet escreveu o artigo “feminismo”. No ano de 1933, as feministas capixabas fundaram a sua primeira organização, a FEDERAÇÃO ESPÍRITO-SASNTENSE PELO PROGRESSO FEMININO (FESPF). Vale destacar que, em 1922, Bertha Lutz e suas companheiras haviam criado a FEDERAÇÃO BRASILEIRA PELO PROGRESSO FEMININO (FBPF), reivindicando sociais e políticos, o que mostra que as capixabas estavam atentas ao fluxo do movimento feminista em outras federações. Ainda em 1933 foi criado no Espírito Santo, também, a CCA, CRUZADA CÍVICA DO ALISTAMENTO, da qual Silvia Meireles da Silva Santos (Patrona da cadeira nº 16) foi a presidente, Judith Castello Leão (Patrona da Cadeira 1) foi vice-presidente e Maria Stella de Novaes foi tesoureira.

Em 1937, o golpe do Estado Novo fez retroceder muitos dos direitos conquistados em 1934. Judith Leão Castello Ribeiro foi eleita deputada, a primeira mulher a ocupar esse cargo político no ES.

A trajetória dessas e de outras grandes mulheres, muitas delas ainda desconhecidas, nos mostra a importância de que tenhamos consciência do nosso papel no âmbito da cultura, assim como no da política, da pesquisa, etc. A realidade atual exige, de nós, posicionamento e ações concretas!

Recomendação de leitura: A mulher na História do Espírito Santo, de Maria Stela de Novaes


Academia Feminina Espírito-santense de Letras (AFESL) celebra o Dia Internacional da Mulher e dá posse a acadêmica Maria das Graças Lobinho



Esta solenidade se realizou para preenchimento da vaga da cadeira nº 14 da AFESL, cuja patrona é Adelina Tecla Lyrio Mululo, e que foi deixada em fevereiro de 2018 pela querida confreira Josefa Teles de Oliveira. Nesse dia, também, celebramos o Dia Internacional da Mulher conferindo a Medalha de Honra ao Mérito FELICIDADE ALBERTINO MÉIA a mulheres que com dedicação e coragem contribuíram para com a educação e cultura do nosso estado.
Há quase setenta anos, precisamente no dia 16 de julho de 1949, a Academia Feminina Espírito-santense de Letras foi fundada, a oficialização da instituição aconteceu em 16 de agosto do mesmo ano. Em 1954, a AFESL foi declarada uma instituição de Utilidade Pública[1].
Inicialmente, a AFESL tinha doze acadêmicas, mas aos poucos outras escritoras foram chegando e, hoje, as quarenta cadeiras possuem patonas e ocupantes o seu quadro de membros fica ainda mais rica e diversa com a presença das acadêmicas correspondentes.
A AFESL é uma entidade sem fins lucrativos e o seu caráter é predominantemente literário. A instituição tem por objetivo reconhecer, preservar e incentivar criações literárias em todas as formas, gêneros e estilos e valorizar e incentivar o exercício da Língua Portuguesa, com suas variações, e da Literatura em todas as suas manifestações. Esse trabalho de produção de conhecimento e divulgação da cultura é realizado a partir de uma ótica feminina.
A fundadora e primeira presidente da AFESL foi JUDITH LEÃO CASTELLO RIBEIRO, que esse ano é a personalidade homenageada da 6ª Feira Literária Capixaba. A ela sucederam nove presidentes[2] que muito trabalharam para o engrandecimento da nossa instituição.
A AFESL é uma das instituições capixabas que mais trabalha na promoção e divulgação da literatura no ES e chega aos setenta anos com o fôlego de uma menina, olhando para o mundo com esperança e amor. Nossos olhos estão postos no futuro, mas, não nos esquecemos do passado de luta das nossas antecessoras e buscamos fazê-las sempre presente, gratas pelo rastro de perfume da sua contribuição!



[1] Pela Lei no. 836 de 13 de dezembro de 1954
           


histórico das FLICs-ES


A Feira Literária Capixaba (FLIC-ES) é considerada hoje um dos maiores eventos literários do ES e agrega expressões culturais eruditas e populares de variados municípios do ES. 

Durante os cinco dias  se apresentam, na FLIC-ES, grupos de animação, de dança, atividades circenses, concursos literários e premiações, mesas redondas, lançamentos de livros, palestras, encontros com escritores, narração de histórias, oficinas artísticas e recreativas para as crianças; teatro, shows musicais, saraus, performances, exposição de obras de arte e artesanato, apresentação de vídeos e saraus poéticos.

HISTÓRICO DAS FLICs-ES

A I Feira Literária Capixaba aconteceu em 2014, na Praça do Papa – Enseada do Suá- Vitória, ES, entre os dias 22 e 26 de maio. Essa edição da Feira contou com a presença de aproximadamente 18.000 visitantes e o escritor homenageado foi Elmo Elton, poeta, historiador, jornalista.

A II Feira Literária Capixaba, em 2015, foi realizada na Fábrica de Ideias, em Jucutuquara, Vitória, ES, entre os dias 20 e 24 de maio. Esse evento contou com uma um encontro cultural, posteriormente chamado de “Pré-FLIC-ES” na Casa Porto (centro de Vitória) e no auditório do Centro de artes da UFES e já teve maior participação de atividades como artesanato capixaba, livrarias, maior número de contação de histórias, exposição de artes, espaços gourmet, fotografias em neon, lego, pintura, oficina de mágica e parquinho para crianças. Contou com a participação de 10.000 pessoas e caravanas de vários municípios. A homenageada foi a escritora Virgínia Gasparini Tamanini.

A III Feira Literária Capixaba, de 2016, Continuou na Fábrica de Ideias, em Jucutuquara, e foi realizada no período de 11 a 15 de maio. O homenageado foi o escritor Adelpho Polli Monjardim, personalidade de destaque das letras capixabas, ele foi também advogado e Prefeito de Vitória. Participaram cerca de 10.000 visitantes e diversos seguimentos da produção cultural, artística e empresarial tiveram oportunidade de mostrar seus trabalhos como: livraria, setor gastronômico, prestadores de serviços, músicos, atores, seguranças,dançarinos, circenses, artesões, estudantes, professores, escolas públicas e privadas. Nessa edição, várias ações culturais Pré-FLICs-ES foram realizadas contemplando os seguintes municípios: São Mateus, Aracruz, Vila Velha, Serra, Marechal Floriano, Santa Tereza, Ibatiba, Guarapari, São Jose do Calçado, Cariacica, Ibatiba, Itaguaçu.

A IV Feira Literária Capixaba, edição 2017, contou com a parceria da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), e aconteceu no Campus de Goiabeiras, em Vitória, no período de 17 a 21 de maio. Dessa vez a homenageada foi a historiadora Maria Stella de Novaes, que deixou extensa obra, entre trabalhos literários e estudos científicos publicados e inéditos. Participaram dessa FLIC-ES um público variado, cerca de 10.000 entre elas 67 escolas confirmadas que trouxeram em Ônibus fretados 1936 alunos, 201 professores, houve ainda contadores de historia, 71 lançamentos de livros 9 palestrantes, 16 mediadores, 48 Debatedores-Mesa Redonda, academias de letras de várias partes do ES. Houve representatividade de vários municípios, entre eles Vitória, Vila Velha, Cariacica, Serra, Guarapari, Castelo, Guaçuí, Araguaia, Ibatiba, Iúna e São Mateus). Duas editoras expuseram livros, (Paulinas e Aquáros), houve estande de arte e artesanatos e estandes de arte como os do Escritório de Arte Dayse Resende, de Caio Cruz, de caricatura -Caio Cruz. Nessa edição houve uma divulgação mais ampla: TV GAZETA TV Ufes, TV Sim - Linhares ,TV Record, Rádio Espírito Santo, Rádio UFES.

A V FLIC-ES, em 2018, Aconteceu na Universidade Federal do Espírito Santo. Campus Goiabeiras Vitória. Ela aconteceu entre os dias 23 e 27 de maio e homenageou o importante intelectual capixaba Afonso Claudio de Freitas Rosa, escritor, poeta, historiador, professor e advogado. Participaram dessa edição da FLIC-ES um público variado em torno de 7000 participantes contando com escolas inscritas (66), alunos (2500), professores (88), contadores de historia (14), lançamentos de livros (71), palestrantes (10), mediadores (20), Debatedores-Mesa Redonda (54), academias de letras do ES, representadas (07), presença de representantes de outros municípios (Vitória, Vila Velha, Cariacica, Serra, Castelo, Linhares, Ibatiba, Iúna, São Mateus).


A 6ª FLIC-ES, em 2019, cujo tema é "diversidade", busca integrar e valorizar a literatura e as demais expressões artísticas produzidas no Espírito Santo para um público diversificado, crianças, jovens e adultos, priorizando, também, cidadãos com necessidades especiais. Todas as atividades procuram despertar o interesse pela arte, leitura e pela escrita, facilitando o acesso do público aos bens culturais da terra capixaba por meio de palestras com escritores, profissionais ligados ao trabalho de incentivo à leitura, bate papo com artistas capixabas e exposições e lançamentos de livros de autores nascidos ou residentes no ES.

Judith Leão Castello Ribeiro é a homenageada da 6ª Feira Literária Capixaba (22 a 26 de maio de 2019/ UFES)



Judith Leão Castello Ribeiro nasceu no município da Serra, em 31 de agosto de 1898. Educadora desde cedo, durante quarenta anos ministrou cursos em diversas áreas do conhecimento, tais como Sociologia, Pedagogia, Psicologia, Geografia, Didática etc. 

Em 29 de março de 1947 foi a primeira e única mulher a tomar posse na cadeira de Deputada Estadual do Espírito Santo. A partir daí, foi deputada estadual por quatro legislaturas consecutivas. 

A escritora contribuía com artigos para o Jornal "Diário da Manhã" e para as revistas "Vida Capixaba", "Canaã", "Revista do DSP", "Revista da Educação", quase todas editadas pelo Estado do Espírito Santo. Publicou, ainda, crônicas e relatos da vida social do município da Serra, no Jornal "A Gazeta", onde pode valorizar o espírito comunitário e o senso de religiosidade local. 

Em 1980, por fim, publicou o livro Presença, uma coletânea de vários trabalhos e crônicas. Em 1949, fundou e tornou-se a primeira Presidente da Academia Feminina de Letras do Estado do Espírito Santo.

PRÉ-FLIC Manguinhos/ ES



Espaço de múltiplas vozes: 6ª Feira Literária Capixaba defende o tema “diversidade” e realiza homenagem a Judith Leão Castello Ribeiro


É com muito carinho que estamos preparando a 6ª Feira Literária Capixaba (6ª Flic-ES). Neste ano, o evento — que acontece entre os dias 22 e 26 de maio, na Universidade Federal do Espírito Santo (Campus de Goiabeiras) — terá como homenageada a escritora Judith Leão Castello Ribeiro. Natural do município da Serra, Judith nasceu em 31/08/1898 e foi uma pessoa à frente de seu tempo. Descendente de portugueses, e filha de uma família tradicional, diplomou-se professora ainda muito jovem, tendo estudado, em Vitória, no renomado Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, também conhecido como Colégio do Carmo. Educadora, atuou por mais de quarenta anos na capital. Dentre as escolas que lecionou, estão o antigo Ginásio São Vicente de Paulo e, também, a Escola Normal D. Pedro II.

A experiência no universo docente fez com que Judith enxergasse horizontes mais amplos, construindo uma carreira intensa, na qual assumiu diversos papéis. Revolucionária, foi a primeira mulher eleita Deputada Estadual no Espírito Santo, no ano de 1947. Desvinculada de qualquer partido, pois não concordava com a política da época, Judith exerceu um mandato focado nas áreas de educação, cultura e bem-estar social. Assumiu diversos projetos e, tendo sido reeleita, exerceu o cargo parlamentar por cerca de dezesseis anos. Neste período, integrou também a Conselho Estadual de Educação, ocupando a função de Secretária da Comissão do Ensino Médio.

Além de sua atuação na vida pública, Judith também se destacou no campo literário: foi cronista e ensaísta presente em diversas publicações da imprensa local. Escreveu para os jornais "Diário da Manhã" e “A Gazeta”; e também para os periódicos "Vida Capixaba", "Canaã", "Revista do DSP" e "Revista da Educação". Em 1949, ingressou na Associação Espírito-Santense de Imprensa (AEI). Neste mesmo ano, indignada pelo fato de as mulheres não poderem integrar a Academia Espírito-santense de Letras fundou, juntamente com um grupo de mulheres, a Academia Feminina Espírito-Santense de Letras, sacramentando-se na história como sua primeira presidente. Na década de 1980, ingressou no Instituto Histórico e Geográfico do Estado do Espírito Santo (IHGES) e na Academia Anapolina de Filosofia, Ciências e Letras de Goiás. Além disso, conseguiu, finalmente, participar da Academia Espírito-Santense de Letras, tendo sido a primeira mulher a compor tal núcleo.

Judith foi alguém de vários talentos. Além de todos esses, também tinha o dom para a pintura e gostava de se dedicar às causas assistenciais. Inclusive, sua única obra publicada, a coletânea Presença, foi doada à Igreja, com finalidade de angariar verbas e destiná-las aos pobres. A homenageada da 6ª Flic-ES nasceu no século XIX, numa época em que a mulher era considerada, socialmente, um ser humano inferior: sem direito ao voto e à opinião, fadada ao inglório exercício da submissão, ditado por cruéis e arbitrários padrões de natureza patriarcal. No decorrer do século XX, Judith mostrou ser capaz de transitar por vários campos e, em todos eles, deixou o legado de sua grandeza. Não caminhou sozinha: ao lado do marido, Talma Rodrigues Ribeiro, seu maior incentivador, participou da formação e da luta pelos direitos das minorias. Sem filhos biológicos, o casal também adotou muitas crianças nascidas no município da Serra- ES.

Educadora, política, escritora e artista... Judith mostrou que poderia ser diferente e não aceitou o papel que lhe fora pré-determinado. Voou alto... E mais que isso: atingiu destinos diversos e inimagináveis, deixando, neste percurso, o seu exemplo e a sua indelével contribuição. Inspirada por esta grande mulher, a equipe organizadora da 6ª Feira Literária Capixaba tomou o cuidado de adotar como tema uma palavra que traduzisse a personalidade de sua homenageada. Judith foi alguém que despertou o olhar social para as urgentes e necessárias trocas simbólicas; que permitiriam e viabilizariam o crescimento de toda a sociedade. O desafio de traduzi-la em um só vocábulo originou reflexões que culminaram no termo DIVERSIDADE.

A etimologia da palavra “diversidade”, aqui considerada, advém do latim “diversitas” e desperta um significado que remete às noções de “pluralidade” e “multiplicidade”. Tais noções mostram-se ideais se pensarmos a personalidade e a história de nossa homenageada. Mas não apenas isso: são noções adequadas também para pensarmos o nosso papel enquanto sujeitos que habitam o universo global- contemporâneo. O que somos nós neste contexto, senão sujeitos complexos e plurais, imersos em uma época de intensas transformações e aparatos tecnológicos?! Sujeitos dedicados a múltiplas atividades, vindos de diferentes realidades, dotados de variadas características... Sujeitos históricos que vivem um tempo acelerado e interagem a cada instante, quer pelas redes sociais ou presencialmente... Mas também sujeitos que ainda detém o desconhecimento sobre si mesmos... Que precisam aprender a compartilhar diferenças, sejam elas étnicas, econômicas, políticas ou sexuais... Que precisam unir forças à construção de uma sociedade melhor e mais justa... E como atingir tal objetivo? Relembremos aqui de outro importante intelectual brasileiro, Paulo Freire, para quem a educação só é possível por meio do conhecimento da própria cultura. Para Freire, não há “saber mais ou saber menos: há saberes diferentes”.

É neste sentido, de fomentar o conhecimento acerca dos múltiplos saberes que compõem a sociedade capixaba, que construímos o propósito da feira literária deste ano. A Flic-ES 2019 será um espaço para as múltiplas vozes, um canal que se propõe a resgatar e proporcionar conhecimentos sobre a identidade e a cultura do capixaba
Da panela de barro à casaca
Do congo ao rap
Do rap ao slam
Dos direitos da mulher, passando pelos direitos dos negros e índios...
Da ética à estética
Da sustentabilidade às obras de nossos queridos e competentes escritores capixabas!

De tudo à literatura e à sua função formadora, presente nos ditames do crítico literário brasileiro Antônio Cândido... Função esta que nos permite desvelar e humanizar, frente aos olhos-leitores, realidades distintas, muitas vezes, também, ocultadas pela ideologia social hegemônica. Relembremos, nesse sentido, o célebre ensaio “O Direito à Literatura”, no qual Cândido enfatiza a potencialidade educadora e representativa que detém esta arte, ao que diz: “a literatura tem sido um instrumento poderoso de instrução e educação, entrando nos currículos, sendo proposta a cada um como equipamento intelectual e afetivo. Os valores que a sociedade preconiza, ou os que considera prejudicais, estão presentes nas diversas manifestações da ficção, da poesia e da ação dramática. A literatura confirma e nega, propõe e denuncia, apoia e combate, fornecendo a possibilidade de vivermos dialeticamente os problemas.”

Sabendo desta propriedade e considerando a importância da convivência plural e respeitosa, pretendemos fazer da 6ª Flic-ES um instrumento dedicado à formação crítico-cultural do povo capixaba. Nossa homenageada, Judith Leão Castello Ribeiro certa vez, ao discorrer em uma crônica intitulada “O Movimento Cultural Na Serra”, deixou registrado: “O serrano não será marginalizado. Acompanhará a evolução que a civilização impõe às coisas e às gentes”. Nós, a equipe organizadora desse evento, estendemos este pensamento a todo o povo capixaba, reconhecendo a dinâmica de nosso tempo, estabelecida em ritmos de diversidade.

RENATA O. BOMFIM
Presidente da 6ª Feira Literária Capixaba (6ª FLIC-ES)
Presidente da Academia Feminina Espírito-santense de Letras (AFESL)
Membro do Instituto Histórico e Geográfico do ES

17/10/2018

DEUS MENINO

NO TEMPO
FORA DO TEMPO
O MENINO DEUS BRINCAVA
DE LANÇAR ESTRELAS.

NO TEMPO ANTERIOR AO
GRANDE MILAGRE DO
SEU NASCIMENTO
DEUS BRINCAVA DE INVENTAR
A SI MESMO.

NO TEMPO DEPOIS
DE TUDO QUE JÁ EXISTIU
DEUS SENTIU SAUDADES
DE QUANDO ERA MENINO
E LANÇAVA ESTRELAS
BRINCANDO DE SER
ELE MESMO.


RB

05/10/2018

A condição da mulher: o caso de Mariana Alcoforado (palestra com a prof.ª Dr.ª Renata Bomfim)


A Academia Feminina Espírito-Santense de Letras promove mensalmente uma palestra aberta ao público. Nesse mês de outubro falarei sobre a obra de Mariana Alcoforado, freira do barroco português cujas cartas de amor se tornaram célebres desde o século XVII. 

23/09/2018

Tempos de chumbo (RB, Vitória/ES)


Tuas mãos enormes
Seguram o peso do mundo.
Polegar e indicador se tocam
Tentando pinçar o cotidiano.
Mas, meu bem, nem as maiores
mãos do mundo poderão 
suspender a dor desse momento
e nem aniquilar o sombrio
desses tempos de chumbo.


VI o teu rosto (RB, Vitória/ES)



Vi o teu rosto
Por trás da máscara da máscara.
Um deus de carne e osso
Cujos olhos vicejavam luz.
Vi o teu rosto belo de
Imperfeições e assimetrias.
Amo-te desde aquele momento.


21/09/2018

OS GUARDAS DO PARAÍSO (Renata Bomfim)


No centro da minha cidade
Existe uma Árvore.
Guardada por homens 
armados. Não são anjos,
São  os guardas do paraíso.

Um dia atrevi-me.

Tomei conselho com as sombras,
Planejei sob o manto escuro da noite
um jeito, uma forma de provar do fruto.
Há palmeiras rebuscadas
e sabiás nesse paraíso seguro.
Há também macacos prego
Espreitando bananeiras
do lado de fora dos muros.
O abacateiro do paraíso, protegido
Por homens de dentes de ferro, de pesado  
arriou os galhos.

Embora haja muitas frutas é proibido
sucumbir ao pecado da gula.
Por isso regulam a distribuição 
de alimentos: "um cuidado adicional",
é o que dizem os guardas do paraíso.
Mas, da Árvore que fica no centro
da cidade, não se pode nunca provar o fruto.

Desejo sentir o sabor desconhecido,
Sussurro palavras de amor baixinho e,
Ao longe, observo o vento balançar 
os longos galhos Verde-amarelados. 
Algo em mim tremula.

Os frutos da Árvore não são vermelhos
e nem arredondados.
Parecem espirais resplandecentes e criam
Um halo de luz no centro da minha cidade.
O povo vive sob o fascínio da luz, embora
quase sempre faminto.
É tudo parece tão lindo!

Os homens ceram a Árvore, afinal,
é a guarda especializada do paraíso.

Resisto e tramo, na noite, apoiada
Pelo demônio da revolta.
Busco um jeito, uma forma
De alimentar essa fome específica.

Serei eu a primeira a única rebelar?

Lá estão eles, os malditos 
homens com dentes de ferro. Agora,
seguram punhais e escopetas
no centro da minha cidade.



RB, Vitória, dia 21/09/2018 (dia da árvore)