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24 de fevereiro de 2012

Imagens do VIII Festival de Poesia de Granada/2012

Olá amigos, seguem algumas imagens do VIII Festival de Poesia de Granada/2012. Agradeço a organização do evento o carinho com que me recebeu e aos amigos poetas nicaraguenses pelo diálogo poético valioso.
abraços
Renata Bomfim

Visita a casa onde nasceu o poeta Rubén Dario, na cidade Darío, ao Museu-arquivo Rubén Darío e ao túmulo do poeta na Catedral de León (Nicarágua)

XXXXX Cantares

Si el Cantar de Los Cantares
nos da un mensaje profundo,
la inspiración me conceda
superar tal canto excelso,
poder heredar al mundo
una obra que supere todo
cuando ha conocido, escuchado,
disfrutado. Así, voluntad
divina que riges los Universos,
sean para ti esos versos,
todo un hermoso homenaje,
de lágrimas adornado,
y rubricado de Amor!

(Rubén Darío, Paris/ 1907)

* Rubén Darío: Nuevos Poemas inéditos. Museu- Arquivo Rubén Darío.

Olá amigos, estas são algumas imagens da minha viagem a Nicaragua para pesquisar sobre a vida e a obra do poeta Rubén Darío para minha tese de doutorado em letras na Universidade Federal do Espírito Santo. Agradeço, de forma especial, ao meu esposo, Luiz Alberto, pelo apoio precioso.

23 de fevereiro de 2012

Encontro poético no Centro Cultural Brasil-Nicarágua/ fev 2012


Olá amigos internautas, nicaraguenses, e da Embaixada do Brasil na Nicarágua, seguem algumas fotos do nosso encontro poético. Adorei conhecê-los e agradeço o carinho com que me receberam.
Abraços aquecidos pelo sol do Espirito Santo/Brasil
Renata Bomfim
Agradeço a Carlos Henrique Pissardo, Jefe de los Sectores Cultural y de Cooperación Embajada de Brasil en Managua, o apoio durante a minha estada em Granada.

Foto com professores e alunos do Centro Cultural Brasil-Nicarágua. Agradeço a presença do poeta e amigo nicaraguense Francisco Javier Bautista Lara.

Foi emocionante falar da obra de Florbela Espanca na casa do poeta Rubén Darío, visto que a menos de dois meses eu estava falando sobre Rubén Darío na casa de Florbela Espanca, Vila Viçosa-Portugal.
Tive a oportunidade de dialogar com os alunos e convidados acerca das minhas obras publicadas e do meu terceiro livro que se encontra no prelo, o Colóquio das árvores.

Pesquiso as poéticas de Rubén Darío e Florbela Espanca no doutorado de letras da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Nessa tese aprofundo a investigações de alguns aspectos da obra de Florbela, especialmente do diálogo com Darío.


Diálogos transnacionais entre Rubén Darío e Florbela Espanca (palestra ministrada na Embaixada do Brasil na Nicaragua)

Rubén Darío (1867-1915)

Florbela Espanca (1894-1930)
A poeta portuguesa Florbela Espanca (1894-1930) e o poeta nicaraguense Rubén Darío (1867-1915) são personalidades literárias cuja relevância das obras e legado de resistência aos discursos autoritários, via poesia, têm despertado na contemporaneidade o interesse, tanto do público leitor, quanto de pesquisadores. Embora tenham nascido em continentes diferentes e cumprido percursos literários singulares, Florbela e Darío compartilharam da mesma modernidade, descrita por Octávio Paz (1990) como sendo tempos de autodestruição criativa , aspecto que pode ser observado no desejo de romper com a tradição e o status quo. Mas as variadas mudanças sócio-políticas e literárias propostas pela modernidade não se ancoraram na negação ferrenha do passado e nem da tradição, mas, na desconstrução e incorporação dos códigos desse passado, daí os questionamentos e contribuições que Florbela e Darío propiciaram à tradição literária. Octávio Paz (1990, p. 37) salientou que a época moderna, que teve início no século XVIII, engendrou aspectos como a diferença, a heterogeneidade e a revolução, nomes que podem ser condensados em apenas um: “futuro ”. Dessa forma, as obras de Florbela e de Dario engendraram aspectos que seriam compreendidos, com maior clareza, apenas por seus contemporâneos. Vejamos o caso de Florbela Espanca, poeta que nasceu em Vila Viçosa, Portugal, e que foi uma mulher extemporânea. A poeta construiu uma obra que é prenhe de encantamento, cujo eu lírico possui a capacidade de se metamorfosear e de jogar com as formas do mundo. Foi buscando conhecer a si mesmo que o eu poético florbeliano desafiou lugares instituídos e a distribuição desses lugares. Florbela trabalhou por meio de sua obra, variados aspectos do universo feminino e a sua poesia possui uma sedução própria da alteridade. A poeta ousou adentrar em um campo tradicionalmente masculino, a literatura, e foi além, ela escreveu poemas que abarcam variadas vozes, e que encontram ressonância no coletivo de diferentes épocas. Florbela cantou o amor, o erotismo, a angústia, o desejo, o sonho, entre outros temas que revelam o seu desejo de fazer dialogar dicotomias. Sua obra é marcada por uma inquietação reveladora que desnuda, tanto a incapacidade de expressão plena do feminino no sistema patriarcal, quanto, as dificuldades de realização profissional e pessoal comuns às mulheres de sua época. A vida pessoal de Florbela Espanca, imantada pelo espírito da insurreição, formou, juntamente como a sua poesia, uma espécie de tragédia da vida privada.
Na America hispânica nos deparamos com Rubén Darío, poeta que nasceu em um pequeno povoado Nicaragüense chamado Metapa. Darío é considerado o príncipe das letras castelhanas e foi um escritor que afirmou o papel do artista nas discussões a respeito da sociedade e da cultura moderna, denunciando de forma irreverente os valores laicizados da sociedade burguesa emergente. Dario registrou poeticamente a desarmonia relacionada à perda dos valores e dos ritos na modernidade, e para tal, lançou mãos de variados suportes. Ele dialogou como a pintura, a música, a ciência, e o pensamento filosófico na tessitura de seus poemas, lançou mão, também, dos mitos. Estes aspectos contribuíram para com a renovação estética da literatura hispano-americana e fomentaram o surgimento do modernismo hispano-americano .
Política e Poética são temáticas que se imbricam de forma especial nas obras de Florbela e de Darío. Florbela Espanca incomodou a estamental sociedade católica portuguesa de sua época com o seu canto, e não é circunstancial que ela tenha se tornado uma importante referência para o movimento feminista. Rubén Darío recebeu duras críticas à sua obra, especialmente por parte dos nacionalistas que diziam que ele escondia um penacho de índio centro-americano embaixo do chapéu francês.
Octávio Paz (1990, p. 13) foi categórico ao afirmar que “a atividade poética é revolucionária por natureza ”, e a poesia, “uma operação capaz de mudar o mundo”. Jacques Rancière (1995) na obra Políticas da escrita afirmou que “a escrita é coisa política. O filósofo não fundamentou essa afirmação apenas no fato de a escrita ser um “instrumento de poder ou a via real do saber”, mas também por ela alegorizar a constituição estética de uma comunidade, ser a forma como esta comunidade partilha o sensível e delimita os seus espaços reais e simbólicos. Assim, política e escrita se inscrevem, de forma radical, no campo da comunidade, permitindo aos grupos sociais designarem o que lhes é comum, e diferenciando o que lhes é particular (RANCIÉRE, 1995, p. 7). A escrita , especialmente a poética, além de coisa política, traça e significa uma redivisão entre as posições dos corpos, sejam eles quais forem, operando uma re-divisão na ordem do discurso e das condições. Os pensamentos de Rancière e de Paz acerca da escrita confluem para a ideia de que no princípio da democracia existe o poder da literalidade.
Florbela Espanca e Rubén Darío foram acusados pela crítica, durante muito tempo, de não terem envolvimento político, mas, se a “uma sociedade dividida corresponde uma poesia em rebelião”, como destacou Paz (1990, p. 41), é possível observarmos nas poéticas de ambos, formas singulares de engajamento que põem em xeque essa alienação. Acreditamos que o engajamento político por parte de Florbela Espanca aconteceu, predominantemente, via poesia. Ao poetizar o universo feminino, Florbela também contribuiu para com a denúncia do silenciamento milenar que marcou o discurso feminino na história. Nas obras anteriores ao livro Charneca em Flor , a poeta dialogou com a tradição dos trovadores medievais, por meio das quadras populares, e com temas como a dor, a saudade e a melancolia. Por meio da interlocução com poetas portugueses como Antônio Nobre, Raul Brandão, Américo Durão, a poeta incorporou a sua poética, a tradição Garrettiana e a Junqueirista, bem como as vozes de Simbolistas como Baudelaire, Verlaine, Samain. Importa-nos destacar a interlocução, ainda pouco pesquisada, realizada por Florbela com o poeta nicaragüense Rubén Darío.
Se a poética de Florbela Espanca rompeu com o ideário feminino de sua época, encontraremos na poética de Rubén Darío uma ruptura com o cânone literário, que contribuirá para com a renovação das letras hispano-americanas e marcará o surgimento do primeiro movimento genuinamente hispano-americano, o Modernismo. As poéticas de Florbela Espanca e de Rubén Darío comungam, tanto na tendência de romper com o status quo, quanto, nas questões relacionadas ao erotismo. Rubén Dario reuniu a tradição neolatina em sua obra dialogando cristianismo e paganismo. Assim como Florbela Espanca viveu as incertezas de um tempo marcado por crises em Portugal, Rubén Darío viu a sua terra natal, a Nicarágua, passar por muitas intervenções políticas, que remontavam a Doutrina Monroe .
Darío possui uma vasta obra que percorre variados gêneros: poesia clássica e metrificada, prosa poética, novela, contos e crônica. O poeta cosmopolita abriu os versos castelhanos à poesia francesa que, processada pelo simbolismo, possibilitou uma renovação dos mesmos e, especialmente, vencendo a resistência da Espanha e enfraquecendo o casticismo . A modernização “à francesa” se apresentou como uma forma de “resistência” e uma “alternativa ao domínio cultural espanhol”, paralelo a este movimento, tomava força um discurso de independência em toda a América Central (FIORUSSI, 2010, p. 43).
O modernismo hispano-americano irrompeu com a “geração de 98”, sem abandonar as suas conquistas formais, dando forma à literatura hispano-americana do século XX. Sob o signo do Modernismo Darío escreveu, em resposta a intervenção dos Estados Unidos no Panamá, em 1903, aquele que é considerado o primeiro grande poema político da literatura latino-americana, o poema A Roosevelt , onde ressoam muitos “nãos”, observemos o fragmento do poema:

[...] Eres los Estados Unidos,
Eres el futuro invasor
De la América ingenua que tiene sangre indígena,
Que aun reza a Jeuscrissto y aún habla en espanhol.

[…]
(DARIO, 2004, p. 71)

Nas “Palavras preliminares” de Prosas profanas Rubén Darío escreveu: “Existe no meu sangue alguma gota de sangue africano, ou de índio chorotega ou nagrandano? Pode ser, a despeito de minhas mãos de marquês; entretanto, vereis em meus versos princesas, reis, coisas imperiais, visões de países longínquos ou impossíveis”. Essa gota de sangue afriacano ou índio, descrita por Darío, ressoará em poetas como Vallejo, Arguedas, Gullén, Carpentier, Rulfo, em Cesaire, em Neruda e Jorge Amado, enquanto a visão de países longínquos ou impossíveis ressoará em escritores como José Maria Egurem, Vicente Huidobro, Jorge Luiz Borges ou Haroldo de Campos. Jorge Luiz Borges afirmaria em 1955: “Nossa pátria é a humanidade” (RETAMAR, 1988, p. 127).
Rubén Darío lançou mão da riqueza e da heterogenia de variados produtos culturais, como a mitologia, submetendo-os a recombinações que alteraram radicalmente seus valores originais, mesclando-os a outros materiais. O poeta desafiou um código fechado, instituído, recodificando, dessa forma, a poesia produzida na América central, ou seja, inserindo novos códigos na poesia hispânica.
Rubén Darío e Florbela Espanca se tangenciam de forma especial no terceiro livro publicado de Florbela, Charneca em Flor (1919). Defendo a hipótese de que, ao escolher Dario como epígrafe da obra Charneca em Flor, Florbela Espanca ultrapassou o desejo de apenas homenagear o poeta, até porque nos seus livros anteriores é possível perceber que os autores escolhidos para as epígrafes, extrapolam este espaço específico atravessando toda a obra. Temas relacionados ao erotismo como a entrega, o corpo transmutado em terra fértil se abrindo em flor, comungam com o universo dariano. É possível, também, perceber que Florbela Espanca e Rubén Darío tiveram interlocuções afins. Ambos beberam da tradição simbolista francesa e do acervo poético medieval; ambos, também, tinham como referências os poetas Verlaine, Eugenio de Castro, Samain, entre outros escritores, valendo ressaltar que Darío era um profundo admirador da poesia de Walt Whitman. Florbela e Darío dialogam não apenas a partir de seus interlocutores, mas dos temas e da forma poética culta e popular, os quartetos e os sonetos.
A possessão erótica, em Dario, é o reencontro consigo mesmo, e em Florbela, como nos faz saber Maria Lúcia Dal Farra (2002, p. 20), o erotismo possui “sinal de menos”, por ser marcado mais pelo “comedimento”, “retiro” e “silêncio”, que pelo “excesso”. A crítica literária explica que:

Para proferir o erótico é preciso derrubar barreiras, estilhaçar a permissão, visto que é de tabu social que se trata – e era assim, pelo menos na época em que Florbela ensaiava fazê-lo. Transgredir é, portanto, a única lei viável para os arroubos sensuais. E depois, sendo a atividade erótica aquela que ocupa por inteiro o sujeito, ou ele deixa de fruir o seu momento prazeroso com o fito de poder comunicá-lo com precisão, ou a ele se entrega desmensuradamente sem direito de voz (DAL FARRA, 2002, p. 20, grifo nosso).

Onde Florbela poderia buscar afirmação para o seu discurso feminino e transgressor se não fora de sua própria casa? A poética de Darío, mesmo com o crescimento desordenado da metrópole, preservou a ordem natural, expressa pela sua “selva sagrada”, onde, a partir de uma articulação de símbolos, forma uma unidade em que os opostos podem coexistir. Na “selva sagrada” dariana os contrários aspiram à unidade, se necessitam e se juntam para reconstituir a sua forma primordial. Já Florbela, faz da “charneca rude” e “sacrossanta”, o seu corpo a florir; este é o seu espaço sagrado, é onde poderá despir-se do hábito de monja, Sóror Saudade, sair da clausura e liberar a força latente e pulsante que, em toda a sua poética anterior, foi ensaiada.
A relação entre as poéticas de Florbela Espanca e de Rubén Darío são, ainda, pouco estudadas, o que nos causa estranheza, pois o conhecimento da obra deste poeta é relevante para uma compreensão da lírica hispano-americana e, no caso em questão, para o entendimento do Livro Charneca em Flor, de Florbela. Esta importância pode ser observada, por exemplo, em um dos sonetos mais conhecidos, traduzidos e musicados de Florbela Espanca, intitulado Amar, que mostra grande afinidade com o poema Amo, Amas..., de Rubén Darío. Este poema de Rubén Darío foi escolhido por Florbela como epígrafe do livro Charneca em Flor. Estes dois poemas dialogam entre si e com outros poemas da literatura mundial.
Na dissertação de mestrado intitulada Vozes femininas: a polifonia arquetípica em Florbela Espanca, Renata Bomfim analisou o diálogo entre os poemas acima descritos. A pesquisadora ressaltou a emergência da voz lírica de Florbela Espanca, sempre coral, de ecos de ecos. Observemos os poemas:

Amar

Eu quero amar, amar, perdidamente!
Amar só por amar; Aqui... além...
Mais este e Aquele, o Outro e a toda gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida;
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz foi pra cantar!

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
(ESPANCA, 1996, p. 232).

 
Amo, Amas

Amar, amar, amar, amar siempre y com todo
El ser com La tierra y com El cielo,
Com lo claro Del sol y lo obscuro Del lodo.
Amar por ciência y amar por todo anelo.
Y cuando La montaña de La vida
Nos sea dura y larga, y alta, y llena de abismos,
Amar La inmensidad, que ES de amor encendida,
Y arder em La fusión de nuestros pechos mismos....
(ESPANCA, 1996, p. 207).

Dario compôs o poema Amo, Amas, após ler Plotino e em dialogo estreito com Victor Hugo e Charles Guérin, escritores que persistiram na repetição de caráter afetivo. Florbela Espanca segue um fluxo vocal em sua poética, abarcando a partir da voz de Darío, também as vozes de Plotino, Hugo, Guérin, etc., o que reafirma a polifonia da sua poética, bem como sua relação de abertura radical para a alteridade e a linguagem.
Em Hipólito de Eurípedes a voz do coro que clama: “amor, amor”... “Eros, Eros”. O coro também se faz ouvir em Garliaso (soneto XXVII): Amor, Amor... e Gerin repete três vezes, amar: “Une voix murmurait dans l’ombre:/ Amour! Amour! Amour!” (MASSARO, 1954, p. 273). Arturo Massaro ressaltou que, para Darío, a doutrina do amor é: “exaltação universal, é romântica: aspiração de amor indefinido, filantrópico” é “amor universal, sem ser graça ou caridade, abarca as antinomias do que se pode ou não amar, e do que se deve ou não se deve amar.”
Florbela e Darío cantam o desencontro, o eu poético florbeliano, no soneto Versos de orgulho é uma “Princesa” entre “plebeus”, presa, “numa torre de orgulho e de desdém”, princesa com asas, com possibilidade de voar e ascender aos céus, asas que os outros lhe invejam porque não as possuem (ESPANCA, 1996, p. 210). Darío, por sua vez, em Canción de Otonõ busca a sua princesa, mas não há princesa para cantar: “Mi sede de amor no tiene fin” e busca entre “Herodias y Salomé”, a princesa. “En vano busqué a la princesa/ que estaba triste de esperar/ La vida es dura. Amarga y pesa./ Y no hay princesa que cantar” (MASSARO, 1954, p. 227-228).
Destaquei na minha pesquisa de mestrado intitulada  Vozes femininas: a polifonia arquetípica em Florbela Espanca, que Florbela travou, através de sua poesia, um embate com outros discursos, no caso, vozes que ultrapassaram fronteiras e continentes, e que a poética florbeliana é uma resposta a estes outros enunciados (BOMFIM, 2009, p.143). Darío diz no poema  A uma estrella, do livro Azul: “Princesa del divino imperio azul, quem besara tus lábios luminosos!, o eu poético se define como “el enamorado estático” que sonha e canta em seus sonetos “tu místico florecimiento”, revela o desejo de compor para a amada “um poema sideral, [...] ser tu amante ruiseñor, e darte mi apasionato ritornelo, mi etérea e mi rubia somadora” ele diz que a luz de sua musa “hace cantar a los poetas”, chama-a de “peral en el Océano infinito, flor de lis [...] (DARÍO, 2009, p. 133-34). Darío clama por uma musa, uma princesa que possa cantar, aquela que será luz a guiá-lo, Florbela responde: “E fui aquela que habitou Paços reais;/ No mármore de curvas ogivais/ [...] Tantos poetas em versos me cantou” (ESPANCA, 1996, p. 68).
Defendemosa existência de uma responsividade entre as poéticas de Florbela Espanca e de Rubén Darío no livro Charneca em flor, de Florbela e ratificamos que a poesia atuou como estratégia de resistência para estes autores. Florbela Espanca e Rubén Darío conquistaram um lugar de destaque no cânone literário depois de muitos conflitos com a ordem política e ideológica dominante.

 
Referências:

* BOMFIM, Renata Oliveira. Vozes femininas: a polifonia arquetípica em Florbela Espanca. 2009. 142 f. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal do Espírito Santo, 2009. Centro de Ciências Humanas e Naturais.
* CABEZAS, Juan Antônio. Rubén Darío: um poeta y uma vida. Buenos Aires: Espalsa-Calpe, 1954.
*DARÍO, Rúben. Autobiografia: oro de Mallorca. Introduccíon de Antonio Piedra. España: Mondadori, 1990.
*DARÍO, RUBÉN. Cantos de vida y esperanza. Madrid: Alianza Editorial, 2004.
*DARÍO, Rubén. Quarenta e cinco poemas. Disponível em . Acesso em 21 de dez de 2009.
*ESPANCA, Florbela. Poemas Florbela Espanca. Estudo introdutório, edição e notas de Maria Lúcia Dal Farra. Martins Fontes. 1996.
*ESPANCA, Florbela. Afinado Desconcerto: (contos, cartas e diário). Estudo introdutório, apresentações, organização e notas de Maria Lúcia Dal Farra. São Paulo: Iluminuras, 2002.
*FIORUSSI, André. Jóias novas de prata antiga: Artifício e versatilidade na poesia de Rubén Darío, São Paulo: FFCH/USP, 2010. (Coleção Produção acadêmica premiada)
* GONZÁLEZ, Mirza L. Literatura revolucionária hispano-americana. Madrid: Editorial Betânia, 1994.
* MASSARO, Anturo. Ruben Dario y su creación poética. Bueno Aires: Kapelusz, 1954.
* PAZ, Octávio. El arco y la lira. 7. Ed. México: Fondo de Cultura Econômica, 1990.
* RANCIÈRE, Jacques. Políticas da escrita. Rio de Janeiro: Editora 34, 1995. (Coleção Trans
* RETAMAR. Roberto Fernández. Caliban e outros ensaios. Prefácio de Darcy Ribeiro. São Paulo: Busca Vida, 1988.

*Olá amigos, este texto é o resumo de um artigo que  apresentei no Colóquio Internacional Florbela Espanca, em dezembro de 2011, e  está sendo publicado na Revista Portuguesa Calipolle.

20 de fevereiro de 2012

Crepúsculo granadino: faceta do Cocibolca


inesquecivel!

Amigos,
foi com esta imagem estupenda, pôr-do-sol no lago Cocibolca, que me despedi de Granada. O passeio pelas ilhas do lago, que é o maior da América Latina com cerca de oito mil km², começou com sol à pino, devagar o ceu foi se transformando, ganhando novas cores e "Boom", meus olhos captam isso, essa epifania!
Agradeço ao Cristo Cósmico... Gracias, gracias, gracias!!!
Abraços a todos
Renata

Em busca de Rubén Dario

Olá amigos, minha maratona em busca de Rubén Dario me levou hoje a Cidade Dario, local onde nasceu o poeta no ano de 1867. Quando Dario nasceu o povoado se chamava Chocoios, depois passou a ser chamada Metapa e hoje chama-se Cidade Rubén Dario. A cidade fica a cerca de 120 km de Granada e tudo nela lembra o poeta.



Embaixada do Brasil na Nicaragua convida para a palestra intitulada Diálogos transnacionais entre Rubén Darío e Florbela Espanca, com a poeta brasileira Renata Bomfim

A Embaixada do Brasil na Nicaragua convida para a palestra intitulada Diálogos transnacionais entre Rubén Darío e Florbela Espanca, ministrado pela poeta brasileira Renata Bomfim.

A palestra será no Centro Cultural Brasil-Nicarágua
Tel.: 2265-3604. Carretera Sur km 7 3/4, Managua
Dia 21 de fevereiro de 2012
As 18 horas
Entrada gratuita

19 de fevereiro de 2012

Fantasmas da Esperança (poema lido por mim no VIII Festival Internacional de Poesia de Granada -Nicaragua\ 2012)

Dedico este poema aos sindicalistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, covardemente assassinados por defenderem a floresta da ganância dos madeireiros e a outros mártires que a mídia não tem interesse em vivulgar.

Deixemos Deus sossegado
e colhamos as vinhas da nossa ira.
Soem trombetas
Acordem liras
Pois não existe céu além deste que
conhecemos e poluímos.
Homens, até quando
a terra será encharcada
com o sangue dos teus irmãos?
Até quando morrerão índios,
negros, mulheres, crianças,
bastardos e desempregados,
e uma leva de outros seres subalternizados?
Por que não conseguimos enxergar
que o rosto desfigurado
do homem e da mulher
sem nome, sem casa e com fome
é o meu e o seu rosto, é o nosso rosto?
Porque não aceitamos que
esse homem e essa mulher são, também,
a flor que arrancamos,
o animal que assassinamos
as árvores que deixamos cair...
Até quando o ferro e o fogo
calarão vozes mais esclarecidas?
E no lugar das árvores
sejam plantadas as sombras
dessas existências perdidas?
Morreu Paulo Cesar Vinha,
Chico Mendes, Maria do Espírito Santo
Dorothy, irmã querida,
morreu José Cláudio Ribeiro da Silva,
defendendo as castanheiras
e a nossa humanidade.
Tantos outros também partiram
traídos pelos seus.
Exército de vencidos
que se levantará um dia
ainda mais forte, pois,
existem coisas que não se pode matar:
a Fé, a Esperança, a Revolta, a Justiça!
Esta é a hora de nos inspirarmos
nos fantasmas da esperança, para que
as gerações futuras possam descansar, ter
ar, água, lugar de existência.
Nós nos perdemos no labirinto
da modernidade ourobórica,
construída com armas tecnológicas.
Não temos, mas, ainda buscamos,
alguém ou algo que nos salve
de nós mesmos.

Renata Bomfim.ES\Brasil

17 de fevereiro de 2012

Taller Literário com o poeta e tradutor Luis Alberto Ambroggio no VIII Festival Internacional de Poesia de Granada

Olá amigos, o poeta e tradutor Luis Alberto Ambroggio ministrou um Workshop bastante produtivo no Festival. Nesse trabalho ele compartilhou com o grupo os seus conhecimentos sobre tradução e, por meio de variadas tecnicas e procedimentos, exercitamos a escrita criativa, a edição e lapidação de poemas, a oratória, etc. Valeu ter participado. Obrigada aos poetas e organizadores Fernado López e Victor Chavaria pelo apoio que tem me dado durante o Festival de poesia. Gracias!
Foto dos participantes do Taller.
Participação especial no taller do poeta Robert Pinsky
 e de outros poetas americanos.

Tradutor, ensaista, critico literário,e professor na Universidade de Boston,
 Robert Pinsky foi indicado ao prêmio PULITZER
el é tradutor da obra de Dante para o inglês.
Agradeço a Luis Alberto Ambroggio o acolhimento, a paciencia para com o meu "portunhol",
o taller foi  alegre, descontraido e um espaço bastante democratico.
 Agradeço a Ambroggio o exemplar de sua obra com o qual me presenteou. Gracias Luis!
Este trabalho foi oferecido pela Emabaixada dos Estados Unidos na Nicaragua.

 
THE POEM BODIES MAKE
By Luis Alberto Ambroggio
Translated by Naomi Ayala

Behold the poem the bodies
of gods who love one another make;
how they fit into each other and become whole
in their secret recesses,
the sensual possession
of a divine garden.

Behold it in its clear and firm curves,
soft masterpieces inhabited by fire.
See the lovers’ intertwined legs,
their arms closing around the loving sphere.
Listen to how they knock against each other with the breath
of waves;
heart open, light infusing them;
a giddiness of being singing in heartbeats,
the sky brushing, volcanoes of sweet sweat,
above and below mountains.

Behold the sketch of its endless lines,
the blood-stone, black sun,
the silken passages, unisonous skin.
Come through this poem with its language of touch,
in the bare light of night
stroke the soul behind the eyes,
delight in the ultimate flavor of ripe fruit
and return over again, engrossed,
with love’s force, with thirst and hunger,
with rain, flowers of sunlight, and wind,
with the scent of syllables, to its beauty…
the very poem bodies make.

La poesía, baila, canta y sigue la fiesta



Derek Walcott recebe as chaves da cidade de Granada

“Es un honor entregar las llaves de esta ciudad a tan distinguido huésped”, manifestó Eulogio Mejía, alcalde de Granada. Mientras Derek Walcott, Premio Nobel de Literatura 1992, en tono de broma, agradeció el reconocimiento y dijo que no tenía una bolsa tan grande en su pantalón para cargar la llave. Además de la distinción, la editorial Amerrisque publicó una selección poética de sus mejores poesías, la que fue entregada por Gloria Gabuardi, secretaria ejecutiva del VIII Festival Internacional de Poesía de Granada. De la edición, Walcott leyó su poemario Islas .

CAPITAL DE LA CULTURA

El Sistema de Integración Centroamericana (SICA) reconoció el impacto mundial que ha tenido el Festival Internacional de Poesía de Granada, lo que motivó a Luis Carlos Chavarría, director de protocolo del SICA, a escoger anualmente a un país de Centroamérica como “Capital de la Cultura”. Esto significaría un esfuerzo de todos, explicó el experto, durante su conferencia, denominada: “El ámbito cultural y la integración centroamericana”, presentada en el Convento San Francisco de Granada.
Por su lado Ivo Goon, secretario adjunto de la Unión Europea, durante su participación dijo que ellos como institucionalidad han dado su apoyo a estos esfuerzos culturales que apuntan a unificar la región sobre los temas culturales. El Festival, en su octava edición ha reunido, alrededor de más de mil poetas del mundo, entre ellos un alto porcentaje de Centroamérica. “Durante una semana, nos convertimos en la meca de los poetas, y Granada en la Capital de la poesía en el mundo”, dijo el presidente del festival Francisco de Asís Fernández.

Fonte: La Prensa
Outras imagens:
Derek gostou de saber que estou lendo Omeros...
No primeiro plano o Embaixador do Brasil na Nicarágua, Sr. Flávio Macieira, ao lado da Embaixatriz, Sra Josiane Cotrim Macieira. Em seguida eu, a poeta brasileira Viviane de Santana Paulo, Bruno Nogueira e Carlos Henrique Pissardo, da Embaixada do Brasil na Nicargua.
Quero agradecer a Embaixada do Brasil pelo apoio precioso que tem me dado, e parabenizá-la, nas pessoas citadas, 
pela dedicação com que  divulga a lingua e a cultura Brasileira na Nicaragua.

Um abraço inesquecivel do poeta Ernesto Cardenal.
Walcott, Francisci de Assís Fernandez (organizador do Festival) e Ernesto Cardenal.
Poetas se organizando para a foto oficial do
 VIII Festival Internacional de Poesia de Granada.

16 de fevereiro de 2012

La Poesia es Insurrección Solitaria!!! Carnaval poético em Granada- Nicarágua

Al grito de ¡Viva la poesía!, de la poeta Gloria Gabuardi, inició por las calles de Granada el Carnaval Poético de la Identidad Cultural, acompañado por poetas invitados y 1,450 bailantes de los distintos grupos folclóricos de Granada y sus municipios.


Poetas de 54 países participam do Carnaval poético pelas ruas de Granada
 (estou nocantinho esquedo)
A bordo del poetamóvil, los bardos leyeron sus poemas en sus idiomas de origen y en español, en 11 esquinas de La Gran Sultana hasta llegar a las costas del Malecón del Lago de Granada, donde enterraron simbólicamente el desamor y las tristezas.“Bienvenidos al entierro de las lágrimas del desamor y que no exista más dolor en el mundo por la falta de amor”, dijo la escritora Gloria Gabuardi, ante poetas de 54 países que celebraron con sus versos un día más de la edición del VIII Festival Internacional de Poesía.
“Vivimos en un mundo de desigualdades, en el mundo de la usura, en un mundo enfermo que mata por no comprender la poesía, por tener más intereses que poesía, más intereses que amor, más intereses que solidaridad”. Bayardo Martínez, uno de los organizadores del este evento, manifestó que en el Carnaval Poético de la Identidad Cultural hay desde marimbas, mazurcas, palo de mayo, el güegüense, inditas de guacal, los chinegros de Nindirí, los diablitos de Nandaime, la yegüita y el atabal de Granada, representativos de nuestro folclor. “Nosotros queremos el amor no el desamor, queremos la alegría, queremos la paz, queremos la dicha, no solamente para Nicaragua sino para todo el mundo”, dijo Martínez.
Entre los poetas que leyeron en las esquinas estuvieron Yolanda Castaño, de España; Reynaldo Lacamara, de Chile; Sergio Mondragón, de México; Laura Lugones, de Argentina, y la poeta nicaragüense Gioconda Belli.

texto retirado do Jornal nicaraguense La Prensa
outras imagens:

Grupos folclóricos nicaraguenses

Funeral do Desamor

foto com a nova amiga, a poeta nicaraguense Ligia L, Guerrero.
Lígia é autora da obra La poesia hecha mujer.

Agradeço o carinho da comunidade nicaraguense,
A toda hora manifestavam a adimiração pelo Brasil, por sua gente,
por suas belezas naturais e por suas novelas...
Amigos, este carnaval foi deslumbrante. A cidade toda prestigia e
o grito de guerra é "viva la posia!", eu acrescento "Viva Granada!"

mito para una columna de sal (poema lido no VIII Festival Internacional de Poesia de Granada, pelo poeta nicarguense, residente nos EUA, Silvio Ambrogi Román)

Mito para una columna de sal


“Pero una estatua de sal
no es una Musa inoportuna”.
Carlos Martínez Rivas.

XXXXXX A: Carol Bendaña Mendoza.

Aferrada a la ausencia milenaria…
Cristalizado gesto carcomido por el sol.
Silente figura oxidada por el instante,
atada a la muerte estrepitosa de las ciudades
que giraban en círculos confusos, de fuego y rayería
sobre la férrea voluntad de los dos ángeles
que en relampagueantes zigzagueos
bajaban de las nubes rojiazules electrizadas,
flashando en truenos
que la celeste voluntad dejo caer aquella vez.
Aniquilando la festiva iniquidad,
sobre el rocalloso litoral de aquel oleajecido
mar lacustre, residual azufrado y salobre,
hoy muerto, enterrado por las alturas
sin que la vida marina anide en sus profundidades,
asentada en la ceniza de la perenne sentencia.
Bajo el insurrecto deseo, Sodoma estaba condenada
al abismo inexpugnable de un rostro borrado de los mapas.
Gomorra tambaleante y beodamente febril,
el determinado designio del rector del universo
cayendo hasta el derrumbe y el carbonizado momento.
¿Fue el aceite hirviendo, acaso, que el pueblo elegido
dejo caer desde las colinas circundantes ahogando tus muros,
tus avenidas y palacios, tus calles y viviendas,
donde la lujuria blandía su escudo a carcajadas,
y que el petróleo ardiente borró para siempre
aniquilando lo que juzgaba blasfemo?
¿Pero que hacía un justo hombre de fe, piadoso,
en medio de tanta iniquidad?
¿Con que razón residía en las ciudades del pecado
exponiendo a su familia, precipitando a sus hijas
a la contemplación del horror, el descalabro?
¿Qué culpa hay que redimir y sacar a la carrera,
o fue un plan de las alturas para restregar tu ejemplo?
El borde de tu pupila sorprendida Mujer
que presurosa escuchabas la nueva del secreto
que recorría extendiéndose en lo intimo
de la familia del senil y manso Lot,
que ya desatendía aposentos nupciales
y tu maduro perfume
donde tus hijas perdían poco a poco su inocente afán.
Entonces… temblorosa aquejada y llorosa,
impactada por la sentencia inapelable de las alturas
queriendo tornar los ojos, empujada por los custodios,
que trataban de tapar la vergüenza del piadoso anciano
avergonzado delante de los dos enviados,
que mostraban la senda de salvación
a la humillada y esclavizada belleza vespertina
usurpada por un rey.
Cuando el temblor, el retumbo y el fuego
chispeaba por los aires encendidos,
calcinando y ahogando los gritos de horror y de sorpresa,
Detuviste el paso, doblaste el gesto sin avanzar,
girando en tu cuerpo casi inmóvil,
retorciéndote en tu columna vertebral,
que el degradado amor te invitaba, no queriendo abandonar,
por que en tu sangre corría la heredada curiosidad de Eva.
Y volviste sollozante, quedando erizada y quieta
silente, socavada y sideral
!Sola!...
Minada por la sal en tus entrañas,
carcomida por el celo patriarcal,
trocada en un pedazo mineral de cloruro de sodio
donde quedo cenizado tu corazón hecho acetato,
por debajo de tu manto cristalizado y rígida tu marcha,
sin mandatos te ausentabas, penetrada por el pecado.
Amarrada
Encallada
Sexolada
Abandonada.
Añorando la apagada llamada del hombre,
asomando tus petrificados contornos evaporados,
vuelta a la nada, convertida por la duda,
blanqueada por las alturas divinas,
destejida por el tiempo, detenida por el mito,
acallando el eco del grito
en el abismo de las ciudades que cautivaron tu deseo,
borrada tu melancolía,
vencida por la muerte y los castigos,
perennizada por la rebeldía del amor que hacían tu historia.
¡Permaneces!


Silvio Ambrogi Román.
Florida Diciembre 2011.

14 de fevereiro de 2012

VIII Festival de Poesia de Granada: algumas imagens

Olá amigos leitores,Granada é mais do que eu imaginava, um lugar que respeira e transpira poesia... em breve postarei os videos e outras fotos
abraços fraternos.

O poeta nobel de  literatura Derek Walcott chegou hoje a Granada. Estou aqui com o meu Omeros à postos para receber um autógrafo. Derek é da Ilha antilhana de Santa Lucia e sua obra é um canto universal e, não menos importante, pós-colonial.

O poente na Praça de Granada, ao fundo a Catedral de Granada.

Livros, livros, livros... minha sina... Se continuar  assim volto nadando para o Brasil.

Catedral de Granada


10 de fevereiro de 2012

Obrigada, sempre!

Olá amigos, estou de malas prontas para viajar para Granada (Nicarágua), capital mundial da poesia. Não cheguei ainda e já estou me sentindo  super bem vinda. Vou participar do VIII Festival INternacional de Poesia e ministrar uma palestra na Embaixada do Brasil. Quero registrar o meu agradecimento a Embaixada do Brasil na Nicarágua, especialmente ao agregado cultural Carlos Pissardo, ao poeta Francisco Javier Bautista Lara, as amigas e mestres Ester Abreu Vieira de Oliveira e Maria Lúcia Dal Farra, ao meu amor (o Luiz), ao meu irmão (Emanuel), a Leandro (meu agente de viagem), a Sonia Lóra, a Karina Fleuri, a Simone Maziero, a minha Universidade, a Ufes, enfim, todos de alguma forma facilitaram e apoiaram este projeto rubeniano. Segue um vídeo da Nicarágua, para que vejam a beleza desse lugar. Não prometo subir em vulcão, isso não. Quando eu chegar conto tudo!

7 de fevereiro de 2012

Dionísio

XXXXXXXXXX À memória de Rubén Darío
Na selva sagrada
os instintos afloram.
Cada planta, cada bicho, o ar,
tudo é vivo, tudo fala.
Do verde brotam
movimentos sinuosos,
sussurros, risos...
É a ninfa que do deus imponente
bebe o vinho.
Ela se torna a própria taça
transbordante de desejos.
Dionísio, em desalinho, a enreda
arrastando-a, furtivo, por entre a relva,
para que desabroche, caprichosa e perfumada.
Ela cede aos seus apelos e se deixa possuir.
Seu corpo agora é fluidez entre mãos ásperas.
É gazela. Impiedosa,
a sua lança a transpassa.
Fustigada, ela quer mais...
Agora os dentes do deus a carne se adentram
marcam-na signos criados
por seus chifres reluzentes.
A ninfa ascende entre agonias,
a selva orquestra gemidos de prazer.
Em êxtase, comungam contentes.
Ela reverencia o deus pagão
senhor dos seres desse reino.
Depois, descansa recordando o idílio,
até que a noite a cubra
com seu manto de prata.

Olá amigos, a leitura dos poemas de Rubén Darío fez brotar este poeminha, publiquei-o no livro Arcano Dezenove. A poética dariana é de um erotismo transbordante e acredito que o deus Dioníso encarna esse aspecto com louvor.

5 de fevereiro de 2012

Por favor, salvem a casa de Florbela Espanca

Se não for reformada, a casa vai cair!

Olá amigos, a situação da casa onde viveu a poeta portuguesa Florbela Espanca (1894-1930) não é bonita. Estive em Vila Viçosa em dezembro/2012 e como vocês podem observar na foto, a casa estava isolada, mas nada de reforma. Situada na Rua Florbela Espanca, número 59, a casa está a ponto de cair e é propriedade de um casal que se separa de forma litigiosa, dessa forma, ainda não se definiu quem é que ficará com o imóvel. A Câmara Municipal de Vila Viçosa diz estar interessada em adquirir a casa para transformá-la em uma "casa museu". O Sr. Luís Roma, presidente do município de Vila Viçosa, explica a posição da Câmara, ele afirma que entrou em contato com os atuais donos da casa para adquirí-la, já o proprietário, que herdou de seu pai o imóvel, afirma que recorreu a Cãmara  oferecendo a casa para venda  mas não recebeu resposta. Enquanto o impasse não é resolvido...
Assistam as entrevistas

Site  O espólio de um mito, da Universidade de Évora
pesquisas, informações e bibliografias sobre a obra de Florbela Espanca.

Programação do VIII Festival Internacional de Poesia de Granada/ 2012


Olá amigos, a programação do Festivalo está variadissima, estará presente nesse evento o nobel de literatura Derek Walcott e poetas de todo o mundo. Estará presente, também, o poeta Ernesto Cadernal. A coordenação do evento está por conta da escritora nicaraguense Gioconda Belli. Nos encontramos lá!  Confira a Programação completa

3 de fevereiro de 2012

Da Ilha de Vitória (ES/ Brasil) para Granada (Manágua/Nicarágua), rumo ao VIII Festival Internacional de Poesia de Granada!

Pois é amigos, da querida Ilha até a Nicarágua é um bom pedaço de terra e outro de mar...mas agora é arrumar as malas e rumar para a América Central, para capital mundial da poesia! Vou ao encontro da poesia e em busca de Rubén Darío, poeta nicaraguense que pesquiso no doutorado de Letras da Ufes.


VI Poetry Festival, Granada, Nicaragua 2010 (English Version) from Erik Flakoll Alegría on Vimeo.



Presença  de Derek Walcott,
poeta antilhano nobel de literatura em 1992.

31 de janeiro de 2012

A mestria de Dionisio Del Santo, artista plástico e poeta capixaba

Dionisio Del Santo (1925- 1999)
Dionisio Del Santo nasceu em Colatina/ ES, no dia 31 de janeiro de 1925. Filho de lavradores italianos, foi na biblioteca do Seminário Seráfico de São Francisco de Assis, em Santa Teresa, que o jovem aspirante a padre descobriu o amor pela arte. Interessou-se por Botticelli, Portinari, Van Gogh e reproduzia em papel quadriculado, ícones da pintura clásica e moderna. Estou geometria, perspectiva e realizou projetos arquitetônicos. Assim que foi convocado pelo serviço militar mudou-se para Vila velha, indo prestar serviços como cabo no Batalhão de Caçadores. Posteriormente, lecionou latim, língua portuguesa e matemática numa escola do Rio de Janeiro. Foi professor de Gravura no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro entre outras atividades que desempenhou no campo das artes. Del Santo participou de inúmeros festivais de arte, inclusive em Nova Almeida/ES, recebeu vários prêmios e o seu nome figura entre as grandes personalidades do movimento modernista brasileiro. Eis algumas obras do artista plástico:
 Dionisio Del Santo desenvolveu em mais de 50 anos de trabalho  uma série de obras, dentre elas variadas xilogravuras, especialmente entre os períodos de 1953 e 1959. A critica descreveu este trabalho como sendo uma "faceta expressionista" dessa linguagem. O poeta desenvolveu uma intimidade com a linha, elemento basico do desenho, e com ele construiu uma obra elaborada e harmônica.
 grupos de linhas paralelas produzem um efeito de vibração. Foi na década de 70, e inspirados na serigrafia, que Del Santo desenvolveu essas obras "de conotação cinética", ou seja, que se modificam na medida em que o observador se desloca.
 Del Santo explorou o universo da serigrafia utilizando os elementos que tanto apreciava, as linhas, as cores, a estrura geométrica, aliados a composições com signos que revelam difrenetes fases de produção. As serigrafias foram desenvolvidas, especialmente, entre os anos de 1966 e 1997.

 Entre 1992 e 1998 o artista produziu um conjunto de obras que denominou "fragmentos ritmicos". Mais uma  ação com propósito de renovação da sua linguagem individual. Del Santo declarou: "considero que a preseverente elaboração da obra constitui-se na meta fundamental  que o designio celeste me determinou na vida". Se tenho cumprido a contento essa meta, cabe aos apreciadores perceber intuitivamente ou julgar segundo os seus conhecimentos".
 O crítico Carlos Chenier declarou que Del Santo "foi sempre um asceta. Mudou somente quando sentiu necessidade estética para adquirir sua própria dicção e vocabulário plástico".
 O artista possui vários prêmios, entre eles o "Prêmio Itamarati de aquisição", 1967; "Salão Nacional de Arte Moderna. Prêmio isenção do juri", 1968; "V Salão de Arte de Belo Horizonte. Prêmio de aquisição", 1973.
 Del Santo produziu um caderno de poesia intitulado "Flores murchas", com cerca de cem sonetos. nele há títulos como Inspiração, na floresta, Colatina, Amor, Serenata, Veneração, entre outros.
 SONS NOTURNOS

Estala, canta a folha da palmeira,
Embalsamando os ares de harmonia,
Depois definido, tímida e macia,
Nesse drama da noite feiticeira.

Sorri, soluça e geme a capoeira...
E o vento, ouvindo a triste melodia,
Vai rindo, loucamente, de ironia
Nos ramos denegridos da mangueira.

Enfim, tudo emudece, de repente
Tristíssimo silêncio a noite abraça
Como pausa de etérea serenata...

É da coruja fúnebre somente
O gargalhar extridulo perpassa
O taciturno âmago da mata.

Fontes: Poetas capixabas
Catálogo do Museu de Artes do ES/ MAES
 
Foi por acaso que peguei o catálogo de Dionísio Del Santo na estante, já fazia um tempinho que queria postar algo sobre esse artista capixaba talentoso que tanto admiro. Foi uma surpresa observar que hoje é seu aniversário natalício de 87 anos, sendo assim, dedico este post à sua memória.