* Hello, my friends! welcome to letra e fel! If you like this space, please share it with your friends.
* Dzień dobry, drogi czytelniku, witaj w blogu Letra e Fel! Dziękujemy za wizytę. Jeśli nasz blog ci sie spodobał, poleć go swoim znajomym.
*!Hola! , amigo lector. Sea bienvenido y si le gustó mi blog, recoméndelo a sus amigos!
*Cher lecteur, soyez le bienvenu! Veuillez conseiller notre blog à vos amis si vous l'avez aimé. Merci beaucoup!

19/07/2018

Do Mar e de nós-2: O sonho que me sonha (José-Augusto de Carvalho)


Livre, navega o sonho que me sonha.
O vento de feição --- icei as velas.
Que o transe que me espera o Mar disponha
de assombrações, de medos, de procelas…

Que cantem as fatídicas sereias
o fado que eu há muito sei de cor,
o fado que eu herdei e em minhas veias
palpita em dó menor em dó maior.

Meu fado que tens mastros e velames
e um leme por desígnio e condição…
Guitarra que por cordas tens cordames,
por forma e por sentir meu coração!

Que levas sob o céu e sobre as ondas
as melodias que inventar o vento,
as melodias com que insone sondas
o lucilar do meu encantamento…


19 de Julho de 2018.
Alentejo * Portugal

18/07/2018

NICARAGUA SABE QUE LA AMO (Francisco de Asís Fernández)

 III
Ahora puedes ver el cielo por la noche,
y puedes ver un océano de agua subterránea
en donde emerge Nicaragua con una luz distinta.
Las alas de las mariposas son brillantes
y alumbran a Nicaragua.
La vida es maravillosa y nos la están quitando,
mi vida corrió tras una rosa y me dispararon,
quería señalar mis sueños con pétalos rojos,
abrí los árboles y mi vida cayó como una rosa.

***
Esse belíssimo poema escrito pelo amigo Francisco de Assis Fernandez traduz o desejo de paz do povo Nicaraguense que ama a sua pátria e sonha com uma Nicarágua livre. Nos solidarizamos com  a luta do povo nicaraguense!

08/06/2018

Hakini mudra (Renata Bomfim)

O gesto é espontâneo,
as mãos se aproximam, 
pontas dos dedos 
buscam conexão, comunhão.
Dentro, o vazio.

O corpo aspira,
inspira, transpira,
transborda!
A carne VICEJA, anseia,
Deseja.
O sangue vivaz
acelera o percurso 
no ritmo da respiração.

A estrutura e tudo o que ela possui
de concreto e etéreo
transformam-se em laboratório.

Os sistemas buscam conhecer-se
até os mais inflexíveis.
Cada cavidade é caverna
de sombras a ser iluminada.

Estou dentro do útero da mãe TERRA.
é ela quem me alimenta,
estou segura, confortável
recebo oxigênio e nutrição.

As mãos, como se quisesse tocar
o intangível, elevam-se ao alto.
Sou herdeira de todas as utopias








05/06/2018

Corpo (Renata Bomfim)

I
Ah! o corpo e sua antiguidade...

Células, sangue, estrutura que se equilibram
Num balé misterioso.
Festa da vida.
É pavoroso descobrir
A fragilidade dessa fortaleza.

II
Penetraste as entranhas úmidas
dedilhaste as camadas do meu dentro
como se um livro fosse.
Reconheceste a história de tuas dores e agonias
nas frágeis páginas de mim.

III
O movimento é lento,
Num átimo meus braços se elevam e
Danço sozinha no silêncio.
A coluna dobra vertingens
Os pés deslizam
Tomados por uma emoção sem nome.

Apenas danço!

IV
Esse mesmo corpo conviveu com os dinossauros,
Viu a terra e belezuras indizíveis.

Será que o corpo que habito me pertence?
Tateio a face,
Os dedos deslizam.
Sinto o sabor da pele fina
na boca e sugar se torna um ato religioso.

Os olhos se fecham,
Há brandura e selvageria
No corpo.

V
Desfrutaste a beleza dos primeiros dias,
Agora, sente a beleza do fim.
Canta para os  seios,
Para as palmas das mãos, ventre...
Canta que a vida é infinita
Já o corpo,  poeticamente transita
Nesse oceano.




01/01/2018

Uma história de imigrantes por Virgínia Gasparini Tamanini (Por Elizangela Peixoto)



Virgínia Gasparini Tamanini foi uma importante escritora capixaba muito atuante na história literária espírito-santense. Nasceu em 1897 na Fazenda Boa Vista em Santa Teresa, filha de imigrantes italianos. Era autodidata e se dedicou intensamente a vida literária escrevendo romances e poesias. Em 1926 mudou para a cidade de Itapina, onde viveu por 23 anos e escreveu parte do seu primeiro romance KARINA, depois mudou-se para a cidade de Vitória, onde residiu até o fim da vida vindo a falecer vítima de pneumonia aos 93 anos. 
A escritora ingressou na Arcádia Espírito Santense e fundou com outras escritoras a Academia Feminina Espírito Santense de Letras. Montou e dirigiu peças de teatro, foi membro da Comissão Julgadora do concurso de contos promovido pelo jornal A Gazeta de Vitória, membro da Comissão Julgadora do Concurso Literário promovido pelo Lions Clube de Vitória, recebeu Menção Honrosa em concurso promovido pela Academia Internacional de Letras pelo poema “Criança Pensa”, ocupou a cadeira de número 15 da Academia Espírito Santense de Letras, recebeu o título de “Cidadã Vitoriense” da Câmara Municipal de Vitória e de  “Cidadã Colatinense” pela Câmara Municipal de Colatina. Também era pintora e houve exposição de suas pinturas na Galeria Homero Massena, pela Fundação Cultural do Espírito Santo; e na Fundação Cultural do Distrito Federal. Sua antiga residência, em Itapina, foi tombada como patrimônio material.     
Karina foi seu primeiro romance publicado em 1964 e teve 11 edições. O romance narra em primeira pessoa a história da jovem imigrante Karina que saiu contra a vontade dos pais, da Itália, juntamente com seu marido e outros imigrantes seus compatriotas em busca de riquezas, terras e uma vida melhor na América. Mas antes mesmo de desembarcarem em terra firme o grupo de estrangeiros começa a se dar conta de todas as dificuldades que iriam encontrar nessa aventura. Ao chegarem no Espírito Santo começa um grande calvário na vida desses personagens e Karina vai narrando cada importante detalhe: a rotina, o trabalho, as perdas, a total falta de estrutura, o medo. Mas ainda assim nunca perderam a fé e a alegria de viver. Apesar dos infortúnios eles vão se adaptando aos costumes do lugar e criando uma diversidade cultural rica na culinária, na música e em outras tradições tão preservadas ainda hoje por esses povos aqui no estado. 
O romance ainda retrata a formação de algumas cidades do interior do estado como Ibiraçu, Santa Teresa e São Roque do Canaã. Virgínia constrói uma bela narrativa, com um tom poético e envolvente que encanta e inebria o leitor de Karina.

Referências bibliográficas: 
BOBBIO, Kátia. A voz do coração. Virgínia G. Tamanini: vida e obra/ Kátia Bobbio: seleção, notícia biográfica (cordel); 
Matusalém Dias de Moura: estudo crítico. Coleção Roberto Almada. Vitória: 
Academia Espírito Santense de Letras; Editora Formar; Secretaria Municipal de Cultura, 2007. TAMANINI, Virgínia Gasparini. Karina. Rio de Janeiro: Ed. Pongetti, 1964.

Dores e delícias de ser e de escrever na poesia de Elisa Lucinda (Por Maria Fernanda B. de Araújo)


Eu ainda assistia a novelas quando conheci Elisa Lucinda. Lembro-me de alguém dizer “olha, uma atriz capixaba!”. Daí a conhecê-la como poeta foi um salto no tempo, meu mergulho na literatura é recente. Mas não foi lendo, e sim assistindo a uma maravilhosa declamação de seus versos,  com toda sua alma.  Se não sabem do que estou falando, procurem por sua performance de “Mulata exportação”.
Elisa nasceu em Vitória, Espirito Santo, ao meio dia de um domingo de Carnaval,  no dia 2 de fevereiro de 1958, dia de Yemanjá. Não é à toa que poetiza sobre as águas, como em “Amor de Odoyá”, “Inocência” e “Rio melhor”. As águas da chuva, dos rios, do mar, perpassam suas memórias, suas paixões, suas palavras. “Toda lágrima deveria virar palavra”, diz em “Escrito d’água”, “Aproveite a lágrima, faça ela render.”
No poema “Uma vitória”, Elisa Lucinda rememora um momento em que declamou versos na Festa de São Pedro de 1999, dividindo o palco com a cantora e sua madrinha Beth Carvalho, a quem dedica o poema. “Minha terra me amava, o Espírito Santo me amava, caí no chão do camarim, de muita emoção eu chorava.” Um relato que nos revela a construção da identidade de uma artista diante de sua terra natal.
Poeta, atriz, jornalista, cantora e professora, Elisa é uma das fundadoras da Casa Poema, no Rio de Janeiro, para onde se mudou na juventude. O projeto, com oficinas e saraus, atende a um público diversificado e acredita na poesia, especialmente a falada, como uma forma de melhorar a qualidade de vida das pessoas. Em diversos poemas da escritora, encontramos a reflexão sobre o fazer poético, sobre a palavra que nasce, cresce, grita e não morre dentro da gente. E é dessa necessidade de transbordar a palavra que essa poeta capixaba nos faz crer que escrever é para todos, nos convida a poetizar porque acredita que a palavra, nascendo do sentimento de cada um de nós, é estrada para o outro.

A poesia de Elisa Lucinda não tem enigmas ou rebuscamentos. De forma simples, direta e bela, fala de amor e paixão, de dor e frustração, de preconceito, violência e morte. Fala também de delicadezas de toda sorte. Versa sobre a natureza, a amizade, o desejo e a saudade; a mulher, o negro, a mulher negra na sociedade. Racismo, sexismo, pobreza: para esses temas, não convêm sutilezas. Elisa rasga o verbo, desnuda a alma, traz à tona todas as vozes guardadas nos convidando a dialogar, a compartilhar, a multiplicar. Sua escrita revela aquilo que vai no peito, aquilo que nunca finda. E pode ser no seu, no meu, no de Lucinda. 

Beatriz Monjardim Faria Santos Rabelo, uma autora singular (por Beatriz de A. Santos)

Nos livros a gente derrama as nossas lágrimas,mas na vida a gente é feliz! Beatriz Monjardim Os poemas são tristes, mas a autora é feliz!Beatriz Monjardim



Beatriz Monjardim Faria santos Rabelo, nasceu na cidade de Santa Leopoldina- ES,a mesma descende da família Monjardim. Ainda criança se muda para a capital ( vitória) juntamente com sua família, aonde tem sua formação educacional no colégio americano batista de Vitória.
     A autora escreveu sua primeira poesia aos 11 anos, Beatriz possui quatro livros, sendo estes: Na encruzilhada dos sonhos, despetalando saudades, sementes dos sonhos e floradas de inverno. Sua escrita se dá por meio de sonetos, os quais são permeados de versos que expressam a educação cristã que a autora recebeu, a forma da mesma ver a vida, histórias da sua própria vida, dores que são transformadas em versos, etc…
    Além dos livros, Beatriz possui outras publicações as quais ocorreram nos jornais de grande circulação no estado, A Tribuna, A Gazeta, possui também participação no livro  À Sombra do arco-íris, do escritor Malba Tahan. Essa singela mulher ganhou diversos prêmios, dentre eles a medalha de honra ao mérito Cora Coralina pela Academia feminina espírito santense de letras, a qual ela faz parte ocupando a cadeira nº 24.
    Beatriz Monjardim, além de escrever também pinta quadros, sendo de sua autoria os retratos dos ex-presidentes da caixa econômica de Vitória. É importante ressaltar que a pintura dos quadros é um hobbie da autora.
      A escrita de Beatriz Monjardim traz uma leveza e emoção, a autora coloca no papel a dor da alma de uma forma que o leitor se identifica com os escritos da mesma devido a sua profundidade no conteúdo, singeleza nas palavras.
       Seus sonetos são compostos de versos que expressam sua fé, visão da vida, desalentos, sonhos, esperanças e desesperanças.
Na obra floradas de inverno, um dos sonetos foi intitulado de “Coração Inquieto”, o qual a autora expressa sua fé, ele diz o seguinte:

O meu Coração inquieto
Palpita dentro do peito
Em busca de um puro afeto,
Em busca de um amor perfeito

Dos filhos, tenho a afeição;
Dos netos, quanto carinho!
Mas meu pobre coração
Ainda é triste, sozinho…

Nos braços do meu amado
tenho amor, tanta ternura,
Um amor apaixonado
Que há muito tempo perdura.

Mas meu coração inquieto
Ainda suspira e palpita
Por um sublime afeto,
Uma paixão infinita

Esse amor e esse desejo
Ardentes que me consomem
Não acharei nem no beijo
E nem nos braços de um homem

No abraço aberto da cruz
Encontro amor sem igual…
O Nazareno, Jesus,
O meu amor imortal!
                                                     Beatriz Monjardim
       Neste soneto, a autora ressalta a necessidade de um afeto, um amor perfeito o qual não consegue encontrar em nenhuma outra pessoa a não ser Cristo.
     Em outro soneto ela fala sobre a angústia, tristeza, desesperança, sentimentos comuns a todo ser humano, e da sua esperança de “ver” o olhar de Jesus, sabendo que este lhe traria esperança e conforto. a Autora também afirma que Ele è o caminho, a verdade e a Vida, o que remete a passagem bíblica de João 14:6, que diz: Assegurou-lhes Jesus: “Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.
Outra passagem do soneto remete ao  texto de Apocalipse 21:4, o qual diz: Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.  
Esse soneto diz o seguinte:

Em tuas mãos

Perdoa-me Senhor, se ainda Choro,
vergada ao peso da desesperança...
Aflita, ergo as mãos aos céus e imploro:
Não sei me ouves… Se minha voz te alcança.

Quisera ver de novo o teu olhar
Buscar o meu, tão terno e compassivo
Todo o meu ser se abrasa ao recordar
Aquele sonho em que Te vi, Tão vivo!

Sei que é o Caminho, a Verdade e a Vida!
Que hás de curar toda  dor, toda ferida…
E que, dos tristes, hás de enxugar o pranto.

Deponho em tuas mãos, minha tristeza;
Ofereço-te estes versos, na certeza
De que aceitas meu louvor neste meu canto.


     No livro “Despetalando saudades”, Beatriz Monjardim escreve sobre sua Terra, Santa Leopoldina, a autora descreve como a mesma é geograficamente, os encantos presentes neste lugar e o amor que ela possui por essa terrinha localizada ao sul do estado do Espírito Santo.Nos seus  singelos versos ela escreve o seguinte:

Minha Terra
Eu sou filha das montanhas:
-Terra de verdes colinas,
Profundos e lindos vales,
Minha Santa leopoldina.
Teu rio, o Santa Maria,
Desce das serras cantando
Sua eterna melodia...
(...)
No quiosque da pracinha,
Uma banda musical
Com Valsas te embala á noite
Estimula tuas tardes
Com o hino nacional…
(...)
Esta imprevista homenagem,
Ah, eu sei muito bem,
Não me prestou tua gente,
Mas meu coração presente,
Foi minha terra que quis!
Cantava o vento nas matas…
Rolava o rio feliz…
-Olhem, voltou Beatriz!

Ainda sobre a obra despetalando saudades, Beatriz Monjardim, surpreende seus leitores com duas poesias nada esperadas, sendo elas sobre o piloto de fórmula 1, Ayrton Senna e outra sobre a copa de 94. Na poesia sobre Ayrton Senna a autora fala sobre quão admirável e capaz era o piloto nas pistas de corrida; sobre a copa de 94, ela descreve como o Brasil era merecedor do título e de como o povo deveria vibrar com os jogos, mas também faz uma alerta de que o país não deveria ficar apenas no âmbito do futebol, mas também ganhar o título de tetra contra a corrupção, fome, violência e miséria. O poema sobre a Copa diz o seguinte:

Vai lá, Brasil!

Levanta, brasil!
Decola!
Aproveita esse momento lindo.
Que teus filhos veste
De verde e amarelo!
Esquecem o dia a dia tão sofrido,
Vão pelas ruas cantando e sorrindo…
(...)
Vai lá, Brasil!
Com garra e raça!
Ganha esse “tetra” contra a corrupção
Contra a fome, a violência e a miséria.
Luta, Brasil, por essa nova taça.
      
     Sobre Ayrton Senna, a autora escreve o seguinte:

Para Ayrton Senna, o “piloto da chuva”
Não choveu nesse domingo .
O dia amanheceu festivo;
Um desses dias que me faz mais vivos.
(...)
Choveu rosas, hoje, no teu caminho…
Uma longa estrada florida,
Lentamente percorrida,
Pelo nosso campeão;
Que o tira da nossa vida,
Mas fica no coração!
Eterno Poli Position,
Quanta alegria nos deste!
Agita a nossa bandeira,
No alto Podium Celeste!

Beatriz Bomjardim traz versos que tocam a alma e encantam  seus leitores, através dos seus sonetos e poemas trabalha os mais diversos temas presentes na vida de todo ser humano, é possível ao leitor se identificar com os versos da autora, pois a distância entre autor/leitor, presente em muitas obras, não se dá nos escritos de Beatriz Monjardim Faria Santos Rabelo.