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18/08/2008

Museu de Imagens do Inconsciente- O legado da Dra Nise da Silveira

"Cada um desses indivíduos- esquisofrênicos ou marginais de vários gêneros- possui suas peculiaridades, mas todos têm contato íntimo com as forças naturais, brutas, virgens do inconsciente. Que hajam configurado visões, sonhos, vivências nascidas dessas forças primígenas, eis um dos mistérios maiores da psique humana" (Dra Nise da Silveira).
Amigos,
trago para vocês um pouquinho do trabalho realizado pela Dra Nise da Silveira, fundadora do Museu de Imagens do Inconsciente. Tive a honra de fazer meu estágio de arteterapia no Museu, antigo Hospital psiquiátrico pedro II, foi uma experiência ímpar que resultou na produção de um vídeo. Mas quem foi a Dra Nise da Silveira? Certamente uma mulher a frente de seu tempo, uma psiquiatra que, inconformada com as práticas terapêuticas de sua época (eletrochoque, insulinoterapia, lobotomia e confinamento), falamos da década de 40, inovou criando no Hospital Psiquiátrico Pedro II, a seção de Terapêutica Ocupacional.
Dra Nise trabalhou para fundamentar cientificamente esta nova forma de lidar com os pacientes, e os resultados não demoraram a aparecer, juntamente com o surgimento de um grande volume de produção realizadas pelos pacientes (especialmente pinturas e modelagens), e estes, a medida que produziam, passavam a apresentar melhoras significativas no quadro clínico.

As imagens que resultaram desse trabalho passaram a intrigar a Dra Nise que buscou apoio na teoria junguiana para, de alguma forma, elucidá-las. lançar um olhar sobre a produção de um paciente era ter acesso a sua psique, coisa quase impossivel de ser feita por outra via, especialmente na esquisofrenia. Dra Nise viu que muitas das imagens produzidas eram formas circulares ou próximas do círculo, símbolo da unidade e da integração e identicas as imagens utilizadas para meditação e representação das divindades das religiões orientais. Ela se perguntou como e porque pessoas psiquicamente cindidas estariam estar produzindo, em profusão, simbolos da unidade? Dra Nise encontrou apoio em Jung que também ficou muito interessado nessas imagens.
A psique possui, assim como o corpo, potencial autocurativo, e busca compensar a situação caótica da mente e a dissociação por meio da produção de símbolos, que são pontes entre o mundo da psique e o mundo exterior, ou seja, a realidade objetiva. Este trabalho realizado pela Dra Nise da Silveira acabou introduzindo a psicologia analítica junguiana no Brasil, e entre Jung e Dra Nise inicou-se uma profícua troca de experiências. Jung literalmente mandou a Dra Nise estudar os mitos, sem o conhecimento destes, não seria possivel uma compreensão mais profunda das representações produzidas pelos pacientes. Muitas imagens surgidas no ateliê tinham semelhanças com temas míticos universais, e os autores dos trabalhos, eram em grande parte, pessoas humildes, de classes sociais que não lhes permitiam grande acervo de conhecimento da cultura de outros lugares.
Esse trabalho é um marco para a psiquiatria no mundo, infelizmente mais conhecido e reconhecido no exterior que no Brasil e abriu portas para mudanças significativas na forma de tratamento no campo da saúde mental, certamente um orgulho para todos nós terapeutas e brasileiros. A psicologia junguiana não tem como único objetivo encontrar mitos representados na produção dos pacientes psiquiátricos, o seu interesse maior está em identificar e acompanhar nas produções o processo contínuo de elaboração dos conteúdos psiquicos, visando melhorar a orientação do tratamento para a melhora do paciente.
Encontro entre Nise e Jung
"Do mesmo modo que o corpo humano é um agrupamento completo de órgãos, cada um o termo de longa evolução histórica, também devemos admitir na psique organização análoga. Tanto quanto o corpo, a psique não poderia deixar de ter sua história" (C. G. Jung).

Cópia em gesso de modelagem em argila produzida por Adelina Gomes, interna do Hospital pedro II

Estatueta da cultura Tisza- 5000 a.C.

Tema mítico do dragão baleia:
Pintura realizada por Olívio Fidélis (1967)

Jonas saindo da beleia- Biblia latina do séc. XV. Biblioteca nacional de Paris.

O tema mítico de Mitra:
Lápis de cor sobre papel de Carlos Pertuis (1975)

Deus-sol instituído por Mitra, governador do mundo. Baixo relevo.

Rituais:
Óleo sobre papel de Carlos Pertuis
Sacrifício para a divindade serpente- Placa votiva- Sialesi (Eteonis) Beócia.

Alquimia:
Óleo sobre papel de Octávio Ignácio (1972)

Águia como símbolo do espírito elevando-se da matéria prima. Ilustração alquímica do séc. XVIII.

Mitos egípcios:
Lápis de cera sobre papel de Carlos Pertuis

Deus Rá e a barca do Sol- detalhe de papiro egípcio da 19ª dinastia.
Este estudo encontra-se na íntegra no site do Museu:

3 comentários:

Ângela disse...

Muito interessante observar a comparação entre as imagens. Passa a idéia de uma inconsciente coletivo que carregamos desde a existência de nossos antepassados. Mas isto se manifesta em algumas pessoas com a expressão artística.

renata disse...

Olá Angela, obrigada pela tua visita ao letra e fel...
É isso aí, o inconsciente coletivo é, na minha opinião, um dos conceitos mais arrojados da psicanálise do seculo XX. As vezes ele é mal interpretado e sofre com olhares reducionistas, mas está posto para quem quiser ver.Ele é tão empírico quento o conceito de inconsciente.
Abraços
Renata

Sr do Vale disse...

Psique

As modulações plumáticas
Do inconsciente humano
Atravessou a fonte da loucura
Do imaginável

Desfez-se a morte
Em sua câmara mortuária
Pra viver
Os sonhos da vida

Pelos corredores da normalidade banal

sr.do vale