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08/04/2011

Questões poéticas VIII

Oh! Deus, que dor é essa que
parte de lugar que desconheço
e vem se instalar aqui dentro?
Que faz do meu peito berço,
cela, cemitério?
Que me foi legada
antes mesmo de eu ser feito:
antes do eu, do feto e do desejo?


Meu defeito:
ser eu e não outro,
ser também tantos e tantas.
Minha sorte:
vagar,
ser estrangeiro e
estranho para mim mesmo.
Por que me assombra
o fantasma da esperança?


Oh! Espírito que anima águas e terra
que faz dos bosques verdes, refúgio
para alguns, e do deserto cor de sangue,
o único abrigo, para mim, possivel,
responde: o que fazer com este isso,
impenetrável e intraduzivel?


A alma canta em meio à dor
a lira não a acompanha.
Me enternece e cadencia
os passos imprecisos:
o choro da criança,
o olhar do animal,
a invisibilidade do marginal,
a fome do Outro
a fome dentro,
há fome virando a esquina.


Lembro-me da árvore que
não deixaram viver, e sinto...
O cimento grama a cidade,
machuca os pés descalços,
desbota a cor dos pássaros.

Ouço um bonzai gritando:
—me deixem crescer!
Ele não suporta mais
ser podado e amarrado.
Mutilações realizadas em nome da beleza,
da tradição...
Nunca será Árvore frondejante
Nunca será o que deveria ser.

Pobre planta!
Assim como outros seres

cumpre um destino traçado
por mãos habilidosas.
Há compaixão nisso?

Há pessoas que acreditam
em pecado, no inferno, 
que rezam o tempo inteiro,
lamentam se o dia está chuvoso...
Clamam:
—Senhor, Senhor!
mas não abrem mãos de comer
e de beber carne  e sangue de inocentes.
Repudiam alegria,
se sacrificam por prazer,
vivem de inverno...
Por elas eu choro,
mesmo achando que não merecem,
mesmo sem querer.

Tudo aquilo que  atravessa
incontáveis e desconhecidos sentidos e
escapa à compreensão,
Coisas que machucam,
ferida que dói para além daquilo
que posso suportar,
circula, agora, pelas minhas veias.

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