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12/09/2011

A extemporaneidade da escritora capixaba Guillly Furtado Bandeira, primeira brasileira a ingressar em uma Academia de Letras

No dia 11 de maio de 2011 o professor e amigo Francisco Aurélio Ribeiro lançou o fac-simile da obra Esmaltes e camafeus, da escritora capixaba Guilly Furtado Bandeira. Foi uma grata surpresa conhecer a escrita de Guilly e comprovar o seu valor e extemporaneidade. A escritora (confreira e amiga) Jô Drumond fez um estudo aprofundado para esta obra, intitulou-o O ecletismo literário de Guilly Furtado. Nele, Jô destacou variados aspectos da obra de Guilly, bem como, o pioneirismo da escritora, afinal, ela foi a primeira capixaba a publicar um livro, em 1914, e também, a primeira (e única) mulher a ingressar na Academia de Letras do Pará, numa época em que estes espaços eram vedados às mulheres.
Raquel de Queirós foi a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras, isso apenas em 1977, já na Academia Espírito-Santense de Letras, Judite Leão Castello Ribeiroa foi primeira acadêmica, em 1980. A Academia Francesa de Letras só permitiu o ingresso de  uma mulher em seus quadros de escritores em 1981, após 346 anos de existência.
As mulheres intelectuais sofriam muitos preconceitos, eram consideradas até certo ponto, aberrações, um desvio, visto que o lugar social para elas destinado era o do silêncio. Bem possivelmente o casamento interrompeu a carreira literária de Guilly, algo comum entre as escritoras de sua época, pois os maridos não permitiam que as esposas se expusessem em público. Guilly sofreu com a critica preconceituosa de sua época, José Verissimo disse a respeito da sua obra: “Como é natural e desculpável, especialmente em moça estreante, ela tem o vulgarissimo preconceito, a ilusão da frase enfeitada com palavreado raro, ou “dificil”, [...] neologismos impertinentes e queijandos pecados, talvez veniais”.
A obra de Guilly, Esmaltes e camafeus, aborda temas polêmicos como a aceitação da bigamia feminina, o ceticismo e a revolta contra os falsos ensinamentos religiosos. A obra de Guilly tem elementos do Simbolismo, nela encontramos o panteísmo que transforma a natureza em protagonista na obra e não um mero cenário para os idílios: “Paraiva em tudo um desconhecido frêmito de goz. A atmosphera marbida e cansada entorpecia os sentidos acordando uma sensação extranha, e mysterioso fluido espalhava-se subtil, em suaves effuvios, de toda aquela região adormecida.” Além de contos Guilly também escreveu poemas. Segue o poema intitulado Sorrisos:

O "meu demônio", hoje, está cantando;
Despertou-me num beijo tão profundo,
Que o coração de amor ficou vibrando,
Numa alucinação de um novo mundo.

Olhei em torno e vi, desabrochando,
No seio podre, larvacento, imundo,
Do pântano da vida, miserando,
O lírio puro, de um sonhar fecundo.

E o "meu demônio", a rir, na flor de sangue
De uma papoula altiva, ruiva e bela
Fez exsurgir a sua face exangue

Num delírio de risos e de guisos,
Como um palhaço... E seu olhar se estiola
De minha boca à flor, feito sorrisos...

Guilly Furtado Bandeira nasceu no dia 12 de março de 1890 e foi batizada no dia 06 de abril de 1891, no Convento da Penha. Seu pai se chamava Francisco Raymundo Furtado Júnior, e sua mãe, Laurentina Tesch Furtado.
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