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11/09/2011

Labirintos da América Latina: o Pachuco e outros extremos

Se engana quem acredita que no labirinto, se é presa ou predador. Há outra alternativa, ser Dédalo, e construir a própria fuga. Essa foi a reflexão que me veio quando li o extraordinário texto de Octávio Paz intitulado O Pachuco e outros extremos. Octávio Paz integra uma safra de críticos literários que vem repensando a América Latina a partir de si mesma, de seus pressupostos e particularidades. Fiz um apanhado desse texto que foi escrito, em parte,  nos Estados Unidos. Nele, o escritor faz uma comparação entre o processo de desenvolvimento psíquico de um indivíduo e de uma nação, e destaca que a consciência é a “muralha transparente”que se impõe entre o ser o e mundo. Paz destaca a solidão como companheira do homem desde que nasce, fala das brincadeiras que este empreende na infância, e do trabalho que lhe permite transcender a solidão. A singularidade é uma descoberta importante, mas, ela pode se tornar um problema, ao passo que torna a consciência uma “inquisidora”. O processo de desenvolvimento humano assemelha-se ao de uma nação, pois, quando a consciência nacional irrompe, há um questionamento sobre si e o despertar para a história de sua singularidade. O tempo é o elemento responsável por corrigir as respostas que damos aos questionamentos emergentes. Octávio Paz fala sobre a singularidade do seu país, o México, e lança a seguinte pergunta: “o que pode nos diferenciar do resto dos povos”? O escritor esclarece que a “originalidade” de caráter de um povo é sempre duvidosa, pois as circunstâncias mudam e a criação está sempre em ação. Esta reflexão adveio ao crítico quando ele refletia sobre a arte mexicana. Paz pensava que a arte os singularizava enquanto povo, mas descobriu que ela vai além, ela expressas os anseios desse povo e ajuda a recriá-los. Paz pergunta também: como o medo pode influenciar na análise? Ele cita Samuel Ramos, para quem o sentimento de inferioridade influencia na análise. Ramos explica que a escassez de criações leva instintivamente a idéia de uma incapacidade de criar. Paz destaca no seu texto que o mexicano, hoje, está exatamente no processo de auto-questionamento, ele se interroga, e isso é natural no processo de crescimento, especialmente depois de uma fase de revolução. O mexicano se volta para dentro, se contempla, e as perguntas formuladas agora só o tempo responderá. No território mexicano convivem diferentes raças, línguas, níveis históricos, e há aqueles que vivem antes da história. Os “otomis”, por exemplo, vivem à margem. Várias épocas se confrontam, ignoram e, até mesmo, entredevoram, separados, às vezes, por poucos quilômetros. Sob o mesmo céu, um mosaico, diversidade total, Paz afirma que nem as épocas ancestrais deixam de existir e nem as feridas mais antigas, que ainda jorram sangue. O escritor estudou um grupo de mexicanos bem especifico, “concreto”, formado por pessoas que tem consciência de si como mexicanas. Este grupo, embora reduzido, ou seja, “minoria”, não está fechada e se metamorfosea, “é ativa”, ela cresce e conquista o México. No tempo em que viveu em Los Angeles, Paz conviveu com outros mexicanos, e compartilhou da mexicanidade do lugar: seus adornos chamativos, o descuido, o fausto, a negligência, a paixão e a reserva. O critico foi categórico ao afirmar que “eles se fantasiam”. Sensíveis como “Pêndulos” que oscilam com violência e descompassados, esse grupo se apresenta como Pachuco. Paz esclarece que os Pachucos são um bando de jovens geralmente originários do México, eles possuem linguagem própria, assim como é próprio o seu jeito de vestir. Rebeldes instintivos, os Pachucos não reivindicam a sua raça, antes, eles buscam ser “diferentes dos outros”. Tudo neles é impulso, enigma, nó e contradição. É contra eles que se voltam o ódio e o racismo norte- americano. Embora o Pachuco não queira voltar a origem mexicana, ele também não quer fundir-se a vida norte- americana. Mas, afirma Paz, queiram ou não, eles são mexicanos, ou melhor, eles são o extremo a que pode chegar um mexicano. Essa afirmação exasperada da personalidade é uma estratégia de resistência frente à recusa dos norte-americanos, e a sua incapacidade de adequação. O Pachuco aponta para a incapacidade da sociedade de lidar com as diferenças, ele é órfão de “valedores” e de “valores”, e é aí que ele se afirma enquanto diferente. O Pachuco perdeu a sua herança (língua, mitos, religião, crenças), o disfarce o protege, destaca e isola. Para Paz a novidade do pachuquismo está no exagero que o torna “imprático”, quer algo mais anti-norte-americano? O caráter do Pachuco é ambíguo, ele possui um desejo sádico de auto-humilhação, dessa forma, como vítima, ele encontra um lugar no mundo. Os norte-americanos temem o Pachuco pois enxergam nele um ser mítico que perturba e fascina. Desligado de sua cultura mãe, o Pachuco não afirma nada, apenas o seu desejo de “não-ser”. Paz afirmou: “Sim! Fechamo-nos em nós mesmos”, “estamos ensimesmados”, destacando que este isolamento só faz aumentar a solidão. A solidão do mexicano é a morada, tanto do sentimento de inferioridade, quanto dos insaciáveis desuses mexicanos. A história México é a história do homem que busca a sua origem. A pesquisadora chilena Ana Pizarro na obra O Sul e os trópicos destacou que está havendo um despertar da critica latino-americana, especialmente a partir de 1960, quando se impôs no continente Latino- Americano, “de forma quase militante”, a idéia de “busca de identidade”. Foi neste período, também, que a América Latina se inseriu, forma majoritária, mas, ainda em caráter periférico, no contexto internacional, e experimentou um desenvolvimento histórico e cultural, a partir da incorporação de elementos, tanto do espaço internacional, quanto do regional. Essa busca de identidade é própria das culturas herdeiras dos processos coloniais e significava o “des-velar de um corpo escondido, estático, uma unidade orgânica unitária, harmônica em sua carência de contradição, convergente em sua diversidade”. Paradoxalmente, os questionamentos resultantes das inquietações de busca de identidade, revelaram não uma identidade fixa, mas “identidades em evolução, em construção, em jogo de diacronias”. A partir de então, revelou-se uma América Latina paradoxal. Pensar os labirintos da América Latina pressupõe refazer um trajeto histórico que, até bem pouco tempo, era encarado como verdadeiro e absoluto, mas que, a partir da modernidade tardia, mostrou-se atrelado a interesses de elites, geralmente européias.

Referência:
- PAZ, O. O labirinto da solidão e Post-scriptum. Trad: Eliane Zagury, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2ª Edição, 1984.
- PIZARRO, Ana. O Sul e os Trópicos: ensaios de cultura latino-americana. Niterói: Editora da Universidade federal Fluminense, 2006.

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