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15/12/2011

O busto de Florbela Espanca


Olá amigos,
Tive a oportunidade de visitar, em Évora, o busto de Florbela Espanca. A história da instauração deste busto, desde o inicio de sua confecção em 1932, até quando ficou pronto, em 1935, pelas mãos  do artista Diogo Macedo, a pedido de intelectuais como Celestino David e Antônio Ferro, tem rendido leituras interessantes nos estudos florbelianos. Eu apenas tangenciei este tema na minha dissertação de mestrado mas pretendo discorrer mais sobre ele, agora, no doutorado. Foucault nos fala que força do discurso é tanta que foram criados  mecanismos de delimitação e de controle do mesmo, no caso, o controle do discurso feminino. Entre tais mecanismos alguns funcionam como sistemas de exclusão e isso se aplica a questão do busto de Florbela. É de conhecimento público que a igreja católica portuguesa classificou Florbela Espanca como sendo uma pessoa "moralmente perniciosa", e mais, considerou-a um "péssimo exemplo", o que fez com que a leitura de seus livros passasse a ser "moralmente" desaconselhável. 
O caso da instalação de um busto em homenagem a poeta ocupou por muito tempo as páginas dos jornais, foram muitas confusões que contaram, infelizmente, com o auxilio de vários estudiosos da obra de Florbela Espanca (na década de 30)  e contribuíram para com a formação de uma imagem mítificada da poeta. Esse mito foi sendo alimentado com prováveis e, muitas vezes inventados, aspectos curiosos, anedotários e tétricos sobre sua vida e sobre sua morte, como a calúnia de ela ter sido ninfomaníaca, ou o de ela ter sido praticante de incesto, informações que ajudaram a montar um perfil de mulher extemporânea, capaz de incomodar a estamental sociedade católica portuguesa. Não é circunstancial que Florbela tenha se tornado uma importante referência para o movimento feminista. Pode-se observar que Florbela Espanca carregou o estigma de ser mulher numa sociedade patriarcal e falocêntrica
Possuio documentos que mostram que a Sra. Aurélia Borges, em 28 de janeiro de 1947, pediu ao Presidente da Direção do Grupo Pró-Evora, Antônio Bartolomeu Gromicho, uma posição sobre a instalação do busto, (que seria instalado apenas dezenove anos depois da morte de Florbela), este respondeu que o [...] Grupo Pró Évora observou uma “má vontade”, [assim como a] inesperada e violenta resistência de alguns vereadores. [o caso do busto envolveu o ministro da Educação que] foi amável e elogioso para o valor da poetisa, mas terminou por me dizer que “a sepultura estava ainda muito quente” para que a homenagem pudesse se realizar. Portanto, não consentia a homenagem, “nem em Évora, nem em qualquer ponto do império português”. [movidas altas influências tanto a favor, quanto contra a instauração do busto eis que surge] uma nota do Governo civil explicando que o busto não podia ser colocado no jardim. [Instalado o busto, após anos de luta, não foi demolido porquanto] um vereador , da nova geração, [...] conseguiu inteligentemente levar à Câmara a resolver que se tapasse ou “camuflasse” o plinto com benévolas e discretas trepadeiras. [O Sr. Gromicho finaliza o documento afirmando que] exoste pois o monumento incompleto de Florbela Espanca, tal qual a Célebre Sinfonia Incompleta vibrando altissonante dos seus admiradores (GROMICHO, 1947). O mecanismo de exclusão perpetrado à obra e a memória de Florbela Espanca mostra como defendeu Foucault (2006), que dentro de uma determinada sociedade, é preciso conjurar os poderes e perigos do discurso feminino e “dominar seu acontecimento aleatório”, afim de esquivar sua pesada e temível materialidade. O poder hegemônico masculino delimitou o lugar e as funções do sexo feminino, assim, definitivamente, o lugar de Florbela Espanca não seria o de homenageada em praça pública. Quem quiser ler a dissertação completa basta baixa-la em pdf

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