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27/01/2012

Maria Helena Varela: À Procura de Ìtaca


Olá amigos internautas,
Em dezembro, quando estive em Portugal para o Colóquio Internacional Florbela Espanca, fui presenteada pelo casal de amigos Manuel Serrano e Noêmia Serrano (do Grupo de Amigos de Vila Viçosa) com a obra, À procura da Ítaca perdida, da escritora e filósofa Maria Helena Varela.

Natural do Porto (Portugal) Maria Helena Varela morou no Brasil por cerca de sete anos, onde publicou, pela editora Espaço e Tempo, os  livros Heterólogos em Língua Portuguesa, em 1995, e Labirintos e Mapas, 1999, poesia. Posteriomente, em Portugal, a escritora publicou os livros Poetobiografia (2000) e Microfilosofia(s) Atlântica(s), 2001. Pela Fundação Lusíada publicou a obra Conjunções Filosóficas Luso-Brasileiras, em 2002. Maria Helena Varela era doutora em filosofia e lecionava Estética e Filosofia da Cultura na Universidade de Évora.

A obra À procura da Ítaca perdida foi publicada pela Editora APPACDM de Braga em 2003 e desde o prefácio, escrito pela prórpia autora, revela um nomadismo inquietante, questão ontológica e prenhe de devires: "O nômade é um peregrino do fora, passageiro da terra mais do que habitante da territorialiedade". Marai Helena no seu livro canta a busca de Ítaca "pela portugalidade" pelo abissal dos mares, a "lonjura" até onde podem chegar os sonhos dos marinheiros. Para a poeta as nossas cartografias serão sempre "líquidas, nômades utopias" que mergulham "num tempo oceanico" um "mar saudade no entardecer autoral" dos dias " ofídicos percursos". A obra está subdivida em oito partes: Pórtico, Partidas, Partituras, Pensar, Habitar, Sentir, Fluir, Post Scriptum. Cada parte desvela imagens de viagens atemporais, como no poema LIsboa revistada, onde no presente, o rio Tejo torna-se um "hesitante lugar em tempo incerto" e a poeta segue, intrépida "na estréia do global sem infinito" em peregrinações e epopéias.

Manuel e Noêmia me falaram do amor de Maria Helena pela poesia e pelo Brasil, e eu percebo esse amor fluindo através da lira de Maria Helena, que no poema Confições de Anteu diz:

[...]
Aos viscerais sertões
Presto homenagem.
Aqui me arrimo
E arrisco nos convés,
Brasileira de mim,
Terceira margem.

Brasil que me ensinou
A lei e a sorte,
O jogo, o acaso e a tutopia,
Sua antropofagia
Além da morte.
Os Rosas, Riobaldos e herdeiros,
Sussurrando-me a gesta
Dos terceiros
No rasgar de solos e sertões,
Bandeirantes,
Cruzados e cruzeiros.

Aqui me conservei,
Vária e mutante,
Rocei o acontecer,
Colhi o instante.
tremor de terra,
A língua me ditou
camadas arcaicas e futuras
No trovar sem traição
Doutras misturas,
O império fluido
que ficou.

Diadorim hermes, Afrodote,
Hermafrodita,
Coito e conjunção,
Chave anfíbia
Do nosso ser terceiro,
matema de poeta
E marinheiro.
Língua de curumim,
Cravo e canela,
Peregrina de meios e miragens.
[...]

É um deleite navegar pela zona fronteiriça da poesia de Maria Helena. Nòs, brasileiros, não podemos ignorar os traços deixados por Portugal no corpo da linguagem, da mãe terra, uma leva de conhecimentos e consequencias que ainda estão sendo processados. É para essa viagem de reconhecimento que Maria Helena nos convida por meio da sua poesia. Ítaca é uma utopia possivel, pelo menos foi para Ulisses, herói representante da modernidade por excelência, que no fim dos seus dias pode repousar no seio da sua amada e na companhia do seu filho. Essa obra engendra um desejo de pertencimento, o que só se concretizará por meio do abandono absoluto e do cumprimento de um circuito simbolico e arquetipico, onde o ponto de partida e de chegada se encontram. segue na íntegra outro poema de Maria Helena, intitulado Habitat:

A errância presumida,
O ensaio e o erro,
Temores tentativas,
Tentações,
A vida entre silêncios,
Sem guarida,
A língua como lastro
Em convulções.
E os brasis que passaram
Desse jeito,
Surpresa sem saudade
Nem conceito.

O regresso,
Um retorno
Em branda errância,
A hora sem hábito
Nem ânsia
habitadas em fonemas
De ficar.
O lócus prometido
Na lonjura,
Do ponto aproximado de morar
Na ponta mais extrema
E insegura.

Os laços que nos atam
Sem liame,
A língua que ora sobra
Em seu ligar,
Os cheiros da infância
E dos começos
No gesto infundado
De fundar.
E a terra marítima
refeita,
Em naus de ser
Ainda insatisfeita,
No hímen da viagem
A rimar.

Minha canção de amigo
jamais finda,
Mensagem doutro cabo,
Doutra Índia,
Saudade de algum porto
P'ra aportar.
No cansaço dos deuses
E das pátrias,
A casa onde balançam
Mil viagens
É a letra além das línguas
E linhagens,
O enigma sem fundo
Deste mar.

Lindo, não? Registro aqui a minha admiração por essa poeta e pesquisadora que é lembrada por seus amigos com carinho, e recomendo a leitura das suas obras, especialmente da obras de "A procura da Ìtaca perdida".
Abraços
Renata Bomfim

2 comentários:

Manuel Serrano disse...

Manuel Serrano


‎(in) confidencias
Sou apócrifo
De todas as legendas
O hetrónimo banal
De todas as promessas,
Trago um halo de nada
Nos sentidos,
Golfadas desse mar
Que não me cessa.

E o meu estado contido
É desregrado,
E o meu ser rarefeito
É deiscente,
Não canto nem encanto
Forma ou fado,
Apenas me perdura
O que me mente.

Trago manuscritos,
Rasgo letras
Misturo minotauros
E anões,
Emigro da página
P´ra vida
Cuspindo-a na palavra
Em borbotões.
E os traços
Ruminados,
Esculpidos,
O incipit dum eu
Em contorções.

No rasto de algum livro
Por escrever,
O rosto por haver
Destas cisões.
In “ À procura da Ítaca Perdida”

Renata Bomfim disse...

OLá querido amigo Manuel, que alegria receber a sua visita no Letra e fel e obrigada por esta esta belissima contribuição!
A obra de Maria helena merece um estudo aprofundado e pretendo fazê-lo assim que folgar um pouco a escrita da tese, está brabeira!!!
Abraçoamigo em você e Noêmia
saudades portuguesas
Renata