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20/05/2012

A Joana d'Arc de Erico Verissimo, texto publicado no Caderno Pensar de 19/05/12


Olá amigos, que preciosidade esta edição do pensar, especialmente para os capixabas que, como eu, cresceram frequentando o Parque Moscoso. Parabéns a todos os escritores que partiparam e aos amigos do "Pensar". Estou feliz em ter comentado, no "Entrelinhas", a obra A vida de Joana d'Arc, dessa vez, mostrando as facetas de Joaninha, a guerreira menina pensada carinhosamente, e nos mínimos detalhes, por Erico Verissimo. Segue o texto para vocês conferirem e espero que sintam o desejo de conhecer a obra.

Capa do livro
Joana d’Arc é uma personagem histórica. Ela nasceu em Domrémy, na França. A sua vida púbica foi relativamente curta, inscreveu-se entre os anos de 1429 e 1431. O Caderno Pensar do dia 12 de novembro de 2012 publicou um ensaio intitulado “As múltiplas faces de Joana d’Arc”, no qual apresentei esta personagem retratada pelos olhares do dramaturgo Bertolt Brecht e do escritor capixaba Luiz Guilherme Santos Neves, no romance As chamas na missa. Agora, tenho a alegria de apresentar Joana d’Arc pelos olhos de Érico Veríssimo. A vida de Joana D’Arc, escrita por Veríssimo (1905- 1975) em 1935, foi o primeiro livro de uma série dedicada ao público infanto-juvenil. Em 2011 a Cia das Letras reeditou-o com ilustrações de Rafael Anton.
 O carinho de Verissimo por Joana d’Arc é explícito, tanto que ao final da obra ele endereça e ela uma carta: “Fora do tempo e do mundo, a “doce Joana” pertencerá “a quem quer que tenha um pouco de fé ou imaginação”.
Esta é uma obra para todas as idades, nela Veríssimo descreve acontecimentos marcantes da vida de Joana d’Arc, expõe os jogos políticos da época e as lutas que transformaram a “camponesinha de Domrémy, que levava as ovelhas para o campo, e viajava na garupa do burrinho”, a se tornar uma guerreira. Esse percurso narrativo é feito de forma lúdica, cada capítulo da história é colorido pelo escritor com detalhes e acontecimentos inusitados e comoventes.
Joaninha é uma menina que “caminha resoluta” pela floresta, ela possui “passos largos” e, “os seus pés d escalços parecem duas pombas brancas”. Os enunciados, aparentemente, simples, revelam múltiplas camadas de leitura: o bosque, as pedras, a coragem com que Joana enfrenta os lobos para defender os animais, e outras imagens, ganham uma dimensão outra quando vistas com um olhar critico. Joana é destemida e possui o coração cheio de amor. Enquanto os “meninos maluquinhos” brincam de guerrear ela contempla a natureza, observa os “cabelos verdes” dos salgueiros beijarem o rio Mosa, e se emociona com os peixes, dos quais ela tem “muita pena”. Joana acredita que os peixes não deveriam ser retirados de dentro d’água: “Deus não deve gostar de ver os peixes irem para a panela da mamãe Isabel”. Joaninha sente extrema compaixão pelos animais.
A aldeia seria um paraíso “se não fosse a guerra”. As variadas invasões perpetradas à aldeia de Joana por saqueadores faz com que uma antiga profecia seja relembrada: está escrito que uma virgem libertará a França. Tio Henrique reúne as crianças para contar histórias e Pedrinho que ouvir relatos de guerra, Jacquemin que ouvir sobre as fadas, mas Joana quer conhecer a história dos santos. A história de santa Margarida, que morreu decapitada sem perder a fé, gera nela o desejo de “morrer por Jesus”.
As histórias de encantamento e magia estão muito presentes no imaginário dos camponeses, embora sejam desestimuladas pela igreja: o jovem Merlin e suas profecias, a fada Viviana, o rei Arthur, a árvore das fadas, dão forma a um universo de beleza que se contrapõe aos horrores da guerra. Joana foi visitada por uma forte luz, os “seus santos”, presenças amigas que lhe acompanhariam até o seu último suspiro. A donzela do Mosa dedicou-se a ajudar o “gentil delfin”, Carlos de Valois, ela levou esperança, luz e força a um exército desmotivado que, sob a sua direção, obteve várias conquistas. A jovem guerreira passou a conquistar admiradores e também muitos inimigos.
A traição marcou a derrocada da vida de Joana d’Arc. Ao ser aprisionada pelo inimigo os seus amigos a abandonaram. Deixada a própria sorte Joana foi humilhada e quando passava, presa, a multidão gritava e gesticulava chamando-a “feiticeira, herege, filha do diabo”. Exposta a variados interrogatórios, a virgem guerreira já tinha seu destino traçado, pois, o Bispo Cauchon não descansaria enquanto ela vivesse.
Condenada à morte na fogueira, em Ruão, Joana d’Arc “como uma santa no andor” seguiu rumo ao seu destino. A amarraram em um poste, “a multidão uivava”. Joana exclamou: “Ó São Miguel! Valei-me”, enquanto “a chama do fogo” crescia, lambendo os seus membros. Joana “se contorce de dor” com olhos fitos na cruz, o pavor reina na multidão que quer “afastar dos olhos a cena horrenda”, mas não pode. A heroína morre, então, com “um grito de dor, de desespero e, ao mesmo tempo, de triunfo: Jesus”!
A liberdade radical que marca a história da vida e da sua morte de Joana d’Arc, a sua fé, o seu amor pelas pessoas e pela pátria, a sua coragem, são elementos que imantam essa personagem com uma aura de transcendência muito sedutora, que certamente renderão, ainda, muitas boas histórias.