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16/07/2012

Vênus de ébano

É doloroso
Não te dar Amor
Na minha Idade de Ouro.
Na idade da razão insana,
Na qual tudo é raro,
Blasfemo e
Santo.

Alimentei todos os vícios,
Inspirei  poetas.
Cantei (no quarto escuro) ladainhas:
O mal, o bem,
Todas as misérias do mundo!

A paleta exaurida
(dos meus sonhos)
Precisava de vermelho e de ocres.
Das cores e dos sons da primavera.
XXXXXXXXXXXX Gerei versos
XXXXXXXCriei cobras e leopardos
X Pintei palavras e segredos...

Sim, os meus filhos brilharam,
Como se fossem rebendos de Apolo.
Mas, sobre mim faltaram
Os teus olhos (de águia)
Fui e sou a Pomba da Paz,
Solitária,
Desenhada por Picasso.

No jardim
Há flores ressequidas.
Recorro aos amarelos e aos azuis
Dos campos de trigo e
Da noite estrelada
De Van Gogh.
Alimento os corvos
Com um Amor profundo!

Aonde estão os admiradores
Dos meus quadros?
Dos meus prazeres?
Das minhas tragédias e glórias?
Aonde estão os beija-flores
E as cigarras?

Nada mais é meu!
Agora, tudo  o que (não) tenho são
Ruinas.

Da tua boca  branco-gelo,
Nada sai e nem entra.
A minha língua vive a esmo,
desbravando o silêncio...
Eu ainda estou em busca
De palavras...

O Tempo é um adorno:
Passado e Futuro são brincos de pérola
Que fazem cintilar minhas orelhas.
O presente é o meu pescoço nu:
Dos teus braços, beijos e dentes...

Não há marcas e nem saudades
Na estátua de ébano
Que sou.

(Renata Bomfim)

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