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02/09/2012

BEATRIZ ABAURRE – um ícone da cultura capixaba (por Maria do Carmo Marino Schneider)

Beatriz Abaurre
Maria Beatriz Abaurre, nascida em Londrina, Paraná, radicou-se ainda jovem no Espírito Santo, fazendo da ilha de Vitória o seu lar, o seu refúgio, a ilha que a abrigou, compreendeu e soube retribuir o seu afeto, expresso no carinho de tantos amigos de fé que, como ela, amam a cultura e lutam por ela. Uma qualificação dada a Sócrates, atopos, por seus interlocutores, no sentido de inclassificável, de uma originalidade sempre imprevista, caberia perfeitamente a ela, dada a sua originalidade brilhante, o que a torna inigualável. Preferi chamá-la de ícone, imagem e modelo da cultura capixaba, dada a presença marcante de sua figura no cenário cultural de nossa ilha e dos exemplos que deu quando na direção de órgãos de cultura no estado: Presidente do Departamento Estadual de Cultura e Coordenadora de Planejamento do mesmo Departamento. Presidente do Conselho Estadual de Cultura por três mandatos e Vice-Presidente do mesmo conselho também por três mandatos. Como Membro efetivo integrante desse Conselho, permaneceu durante oito mandatos consecutivos. Os serviços relevantes prestados na área cultural do Estado do Espírito Santo foram reconhecidos com menções honrosas do Ministério Público, da OAB e do Governo do Estado.

Beatriz com as filhas Martha e Júlia
Ao analisarmos a vida e a obra de Beatriz depreendemos que ela sempre viveu uma bela aventura de inteligência e sensibilidade. Ainda criança começou a embalar-se nos acordes da música, que tem cultivado apaixonadamente durante toda a vida. A literatura, essa busca incessante a respeito da existência humana, da essência do homem e de sua transcendência, cumpriu um papel importante em uma fase difícil de sua vida: alimentou-a e elucidou o seu espírito. Dotada de uma cultura invulgar, artista da palavra, brinda-nos com contos, crônicas, ensaios, análises literárias, poesias e livros infantojuvenis de conteúdo, beleza e criatividade sem igual. Sua independência repeliu rótulos de quaisquer escolas ou tendências literárias, o que lhe permitiu viajar livremente, sempre com muito talento e sensibilidade pelas muitas vertentes da literatura. Sua percepção literária tem sido única, marcante, pessoal.
Mostrou ser uma virtueuse na área da música, encantando a todos com os acordes maviosos que seus dedos ágeis faziam emergir do piano, do violino e da viola, nas apresentações da Orquestra de Câmera da UFES e da Orquestra Sinfônica de Vitória, como integrante ou como solista. Na esfera da administração dos órgãos culturais nos quais atuou, deixou sua marca na elaboração de projetos culturais e de incentivo à arte, de um modo geral. Foi exemplo de seriedade, responsabilidade, visão prospectiva e amor incondicional, à cultura, à arte.
Beatriz pode ser chamada, com toda certeza, ícone da cultura capixaba, um modelo a ser seguido por quantos enveredam no âmbito das criações humanas, colaborando na sustentação de um novo mundo, onde a arte autêntica, como emanações do espírito, mostra diretrizes, confirmando o impulso evolutivo do ser humano. As experiências da morte e das doenças cumularam de sequelas o seu espírito. Sua saúde sempre foi bem frágil, ora conquistada, ora perdida e reconquistada. Não obstante isso,viveu, apesar de efêmeros, momentos de alegria, ocupando-se na execução da música, da poesia, das atividades culturais, que foram as asas robustas que sustentaram o seu espírito nos voos que a impulsionaram a ir sempre além. Essas crises assemelhavam-se às dores do parto: quando se recuperava, dava à luz um novo livro, uma nova obra de análise literária, um novo conto, novos poemas publicados nos jornais A Gazeta, A Tribuna, Revista do IHGES, Jornal Metropolitano e outros. Os descansos involuntários que repentinamente lhe traziam a cura, proporcionavam-lhe um excedente de saúde intelectual que lhe valeram a indicação para membro das duas Academias de Letras do Estado: A Academia Feminina Espírito-santense de Letras e a Academia de Letras do Espírito Santo. Exatamente nesse estado de sofrimento e quase total renúncia, no terreno ético-espiritual a alegre sede de conhecimento elevou-a às alturas, onde triunfou sobre todos os martírios e toda desesperança. Superou a doença pelo trabalho do pensamento. Reservou, mesmo debilitada, suas energias para aquilo que ainda desejava realizar no terreno da literatura. Nem a dor física e espiritual, nem a solidão, nem as enfermidades constantes impediram-na de continuar.
E muitas são as suas obras publicadas: “Geografia Afetiva de uma ilha” (1997), “Gritos sem resposta” (1999), os três primeiros livros da coleção infanto-juvenil A Magia da Música (2000): “A Revolução das Violas”, “Joaquim e seu Flautim” e “A Jiboia que Virou Trompa”. Trabalhos de pesquisa literária também fazem parte de seu acervo de obras: “A Metaficção Histórica do Romance Cotaxé” – Monografia (2000), “Ticumbi, Preservação que se impõe” (2000) “ Metafísica na obra infanto-juvenil de Carlos Nejar” (2001). Na prosa, destacam-se: “Enquanto seu lobo não vem” (2005), “O Jogo da Velha” (2009). O mais recente livro infantil é “Cecília, a Cedilha Cibernética” (2012). Em fase de ilustração: “O Piano que tocava Cores” (infantil), “No Fio da História” (ensaios, contos e crônicas), “Sob um Raio de Lua” (infanto-juvenil). Participou nas três edições da Editora Flor e Cultura: “Escritos entre dois séculos”, “A parte que nos toca” e “Alguns de nós”. Participou em Escritos de Vitória n. 15 (1996), “Personalidades de Vitória” e em Escritos de Vitória n. 19 (2000) ,“Os quatro que eram três” e “ Vitória de todos os ritmos” . Tem ainda contos publicados em diversas antologias capixaba. Beatriz aí está, sempre caminheira, removendo as pedras dos caminhos, caminhos ásperos de uma dura jornada. Embora com o corpo roto, quebrado o mastro na luta desigual nos embates impostos pela vida, segue a trajetória pelas águas que Deus lhe deu a singrar e bendiz as lágrimas, porque “ainda existem sorrisos como pontos de luz na escuridão”.
Maria do Carmo Marino Schneider (Madu)- Professora e membro da AFESL
Assistam a bela homenagem que Beatriz recebeu no lançamento da sua biografia, escrita por Madu, na Aliança francesa. Uma linda festa onde pudemos, além de homenagear esta grande mulher, rever os amigos e curtir uma niote de boa música, com Edu Rosa e convidados.

Obrigada ao amigo Jakson, da Confraria dos Bardos, por registrar este momento especial com as amigas e confreiras Beatriz e Madu.
Lia, Jô, eu, Karina e Maria José- curtindo a festa...

Alunos do projeto social de maruípe.

Um comentário:

Gerusa Contti disse...

Beatriz foi também a idealizadora da TVE, aqui no ES. Que tudo se resolva bem, e que a gente ainda possa contar com sua presença por longos anos. Amém!!