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04/09/2012

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Serão meus os versos que escrevo,
ou apenas palavras- frags que conjugo e organizo?
Serão estas palavras partes de mim que desconheço?
A poesia que gesto é embate, é utopia, é também,
filosofia: de onde vim, para onde vou?

Era eu ou a era a letra em esgarço noutros tempos?
Será que a poesia do século XVI era minha?
Pois as trovas são, para mim, tão familiares.
Vejo rostos, sinto cheiros, dialogo com reis, rainhas,
observo os elementais dando o tom à natureza.

São estes os amigos secretos da contadora de histórias
que recria o próprio mundo e brinca dando voz
ao cinema mudo, preto e branco e opaco da vida.
Teria sido eu uma amazona, lançando palavras- setas
buscando atingir sem pedir licença?

Serão antipoesia os sentidos desconexos
buscados no mistério de ser outro?

Quem se habilita a ser eu noutro corpo?
Quem ousa ser paralelo e unir versos criando supernovas?
Quem arrisca a própria vida rabiscando folhas em
branco, garatujando e recriando o verbo?
Metapoesia.

Renata Bomfim

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