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21/04/2013

A tupiniquim que me habita

 
À memória dos índios que habitaram a ilha de Vitória antes da colonização portuguesa, e para aqueles que, ainda hoje, resistem à opressão e lutam pela cidadania.
 

Há dentro de mim uma noite arcaica,
Cujas trevas quase podem ser apalpadas.
Há também uma floresta densa,
Onde as árvores fazem colóquios.
Dessa escuridão ouço ecos de vozes, sussurros.
O meu corpo estremece com a batida de um tambor,
Não posso ignorar essa cadência que faz de mim quem sou.

O sangue espiritual de um povo carrega

O registro da história de sua resistência.
Vi se chocarem dois mundos.
Vi colidirem crenças e tradições.
Vi a terra banhada em sangue.
Vi cortejo de ladrões levarem para longe,
Além do ouro e da madeira, a fé, a esperança e a alegria...
Todos esses registros estão dentro de mim.

Habita o meu abissal uma índiaTupiniquim
Com cabelos serpentinos e olhar de âmbar.
Suas mãos sabem fazer unguentos,
Curam mágoas seculares, ressentimentos,
À noite, devolvem a coragem ao guerreiro.
Quando eu cuido de um pássaro que caiu do ninho,
Ou defendo um animal como se meu filho fosse,
Não sou eu, é ela, a índia de canto doce...

Todo capixaba traz um índio dentro de si,
Que lhe impele a resistir à opressão.
Esse ente faz com que sejamos singulares, especiais...
Precisamos aceitar essa marca de Caim
(passaporte dos livres...)
Ser capixaba é ser herdeiro desse povo combatente
É ser presença, é ser presente, é ser porvir...

(RB)


Amigos, este poema foi publicado em 2012 na antologia Escritos de Vitória nº 28, em comemoração aos 461 anos da nossa querida Ilha de Vitória.

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