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14/05/2013

Remisson Aniceto, poeta a martillazos (por Pedro Sevylla de Juana)


Na minha rua há um morredouro, quase como
aquele da Irmã Angélica de Bombaim.
Lá, tudo é miserável e não há enfermeiras,
só moribundos, decadentes, agonizantes,
cujas vidas não podem ser saciadas com
comidas ou remédios terrenos.
As paredes são descarnadas e pequenas valas
serpenteiam entre as enxergas,
um acúmulo de sangue, pus, escarros e lágrimas.
Tudo forma um quadro de pintura abstrata,
involuntária, de chãos e paredes multicores,
vermentos, com predominância do vermelho.
Cães comem pelos cantos e lambem as valas;
não é justo chamá-los de nojentos: não há
nojo em saciar a fome, há satisfação.
Vê-se uma sutil beleza naquela podridão,
naquele concerto de gemidos e lamentos.
Oh! Deus! Quando minhas pernas bambearem
estarei lá, adepto da loucura por algumas
horas, alguns meses ou até a hora extrema,
a critério dos vermes que, quase imperceptivelmente,
já me corroem as entranhas... RA
“Poesía para o mundo”. 2008
 
A Poesia é a roda e o eixo do mundo: tudo se move a partir dela. Senhora das emoções, encontra-se em cada detalhe, em cada sorriso, em cada lágrima, em cada fala, em cada objeto. Às vezes quase imperceptível, ela sutilmente movimenta o mundo e o transforma, promovendo a integração e a harmonia entre os povos. A Poesia pode ser classificada como o Quinto Elemento necessário à vida, pois assim como a Água, a Terra, o Fogo e o Ar, ela sacia a sede do espírito, germina e floresce, aquece e oxigena o sangue, abrindo novos horizontes. Transitória ou permanente de acordo com o olhar de cada leitor, por si só ela torna-se perene, fica. Na poesia podemos encontrar o caminho para a paz. (Pórtico do poemario “Poesia para o mundo”)
 
 
Remisson Aniceto, poeta a martillazos
 
Hierro él en la fragua de la vida, a golpes se forjó un día y otro. La biografía de Remisson Aniceto, nacido en la dificultad y crecido en los impedimentos, teniendo la inquietud como constante vital, es una biografía de lucha y esperanza. A sí mismo se moldea inquieto y activo, avanzando contra viento y marea. Realidad y promesa, Nova Era, la ciudad en que nació, situada al borde del río Piracicaba, en Minas Gerais, ofrece a sus hijos lo que cada uno sea capaz de conquistar. Los logros personales, en cualquier sitio del globo, y en unos más que en otros, dependen del punto de partida. Remisson Aniceto salía de una hondonada y fue capaz de conquistar lo intangible. Garimpeiro de la belleza, entre aguas cenagosas y tierras de aluvión supo encontrar equilibrio y armonía. Pudo así iniciar una peregrinación poética por el mundo de los sentimientos.
Me invitó, hace años, a colaborar en su blog de entonces, Nosso mundo; envié algunos poemas, y aparecieron junto a textos heterogéneos expresados en distintos idiomas. Repitió la invitación al inaugurar su revista PROTEXTO, y nuevamente colaboré. Quisimos tener él y yo una plática reflexiva, para hablar sobre poesía y poemas, acerca del modernismo y de Carlos Drummond de Andrade. A falta de un punto intermedio, nos encontramos en las alturas virtuales que dominan los espacios todos de su existencia; y la conversación fluye de un lugar a otro, de un tiempo a otro.
Eu nasci em Nova Era em abril de 1962: dice para explicarme el principio de todo y su relación con los compañeros de viaje, ese viaje trascendente que va definiendo con un poco de temor a lo extraño y mucha confianza en sus fuerzas: Dizem que a idade está na cabeça, mas eu pretendo guardar em mim o melhor, o mais agradável, o mais prazeroso que encontrei e ainda hei de encontrar em cada parente, em cada amigo, em cada transeunte. Esta é a melhor riqueza que podemos ter: o compartilhamento da vida. Me cita dos versos de Drummond: Eu não vi o mar. Eu vi a lagoa...y luego desgrana su vida grano a grano, y voy recogiendo en una sola mirada al niño, al muchacho, al hombre maduro…y aprecio la rica filosofía nacida de la acumulación, su amor a los animales, a las personas; el sugerente sentido del humor:
 
O eu anômalo
A vida são números matematicamente
encadeados, frações de entidades
fantasmagórico-abstratas complexas.
Pena que não aprendi álgebra...
 
 
Parnasiano? Quem, eu?
Não às regras e ao virtuosismo!
Abaixo a versificação!
Quem fez "O incêndio de Roma"?
Eu não!
Saudações ao puro sentimento! RA
 
Carlos Drummond de Andrade nace en 1902 en Itabira, muy cerca de Nova Era; pero estudia en Belo Horizonte y luego se instala en Rio de Janeiro, de modo que –tiempo y espacio- el deseado encuentro resulta imposible. No lo es, sin embargo, el descubrimiento poético, aspecto en el que se puede decir que Remisson Aniceto va tras los pasos de Drummond. Con un dejo de pesadumbre que al momento vence, suma al relato de su origen recuerdos aclaratorios: Tive um irmão que morreu aos 15 anos (eu tinha doze) e sete irmãs. Éramos muito pobres e o meu pai –recordo-o sempre doente- faleceu aos 45 anos. Ganhando pouco o pai e muitas vezes desempregado, passávamos necessidades. Caçávamos tatus, pacas, gambás, lagartos, cobras, pássaros. Comíamos  aves e pequenos mamíferos, única forma de termos carne nas refeições e colhíamos frutos, folhas e raízes que abundavam no sítio em boa parte do ano. Com o milho a minha mãe preparava diversas receitas para acompanhar as carnes, quando as tínhamos. Pregunto lo que representó el río Piracicaba para él; ese río serpiente que lleva peces en su seno y la posibilidad de hallazgos preciosos: Eu pescava também, mas poucas vezes no rio, a maioria num pequeno córrego que passava peo nosso sítio no Aleixo. Na época da cheia, das chuvas, este córrego ficava cheio de peixes e então aproveitávamos.
 
O rio chora…
Ele corre lentamente,
serpente de terra tingindo os vales e as cidades.
O rio corre levemente, baixo, na seca de Minas.
Mas, na tempestade de agosto,
ele grita, ruge, explode na sua viagem sem fim,
tromba com as margens, os morros, derrubando,
destruindo, levando vida e morte…
Rio Piracicaba
rio das minhas dores
rio dos meus amores
Rio de Minas
rio de mim. RA
 
Enquanto isso o poeta federal /tira ouro do nariz. A propósito de estos versos de Drummond que Remisson cita, pregunto por la minería, que durante un tiempo rodeó todo, ordenó y desordenó todo en su espacio. A minha família não trabalhava na mineração, mas muitos vizinhos sim, porém na minha infância já não havia mais esta atividade e os grandes, extensos e velhos túneis abertos pelos antigos garimpeiros eram muitos, enfileirados nas encostas, nos morros e suas bocas semi-fechadas pelo mato me atiçavam a curiosidade. Muitas vezes eu pegava uma lanterna e uma pequena pá e abria as portas das cavernas, entrando vários metros adentro, correndo perigo de desabamentos da terra. Eu furava a as paredes das cavernas e até encontrava pequenas pedras às vezes, pedras brilhantes, de cores diversas, lindas, que pareciam ter sido já beneficiadas pelo homem. Muitas tinham o formato de triângulos azulados, vermelhos, verdes... Eu não sabia se tinham valor. Para mim tudo era aventura, brincadeira. E não passou disto.
 
Misérrima
vida
de favela
que vivi.
Desvalida
vida ávida,
desprovida,
vida sem brio,
sob pontes,
sobre rios...
Vi-a vil,
hostil,
dividida.
Quisera vê-la
à luz de velas,
baixelas...
Ah! Vida vil,
vil vida. RA
 
La nostalgia parece apoderarse de él cuando habla de su padre: Lembro-me que o meu pai saía de madrugada para trabalhar. Ele adorava ler. Lia livrinhos de faroeste, revistas de novelas, quadrinhos, tudo que era possível conseguir e me incentivava a ler. Fue ese estímulo, esa demostración del ejercicio lo que incitó el hijo: Como as brincadeiras no sítio não eram muitas e os amigos moravam em casas distantes umas das outras, eu, vendo os sorrisos, as caretas, as expressões diversas no rosto do meu pai quando lia, pensei que aquilo devia ser bom e comecei a ler. Não parei mais. Recita en tono poético Mas a poesia deste momento / inunda minha vida inteira”: dos versos de Drummond. Y me dice que, entonces, entre la prosa desigual, suave y estriada, descubrió la sinuosa voz de la intrigante poesía. Su sensibilidad innata se agita agitándolo. “A noite dissolve os homens”: escribió Drummond. Y la noche se une a la lectura, a la escritura; la noche parece haber sido oscurecida e iluminada para la poesía:
 
Sonus, strambotti, sonètto...
Para mim, é tudo poesía…
A noite … segreda
versos aos meus ouvidos.
Amo a noite, em cujos mistérios ecoa poesia.
A matéria-prima do poeta é a sensibilidade, que o faz ver o invisível
e capturar nas entrelinhas as minúcias da vida. RA
 
Rememora Remisson los comienzos escolares y sonríe orgulloso del esfuerzo realizado en ese sentido: Estudei os primeiros anos em uma escola da prefeitura a três quilômetros de casa, depois em outras duas, já em Nova Era, onde concluí o ensino fundamental. Os professores indicavam livros para leitura e eu, que já frequentava a única biblioteca pública, aproveitava para emprestar outros livros, que lia vorazmente. Na cidade não havia escolas para o ensino médio e quem quizesse continuar os estudos, tinha que se deslocar para as cidades vizinhas, o que era caro. Assim, pensei que não faria sequer o ensino médio, mas o Peter, meu professor de Língua Inglesa no ensino fundamental era dono da única escola secundária particular de Nova Era e chamou-me para conversar.
Esa conversación tuvo para Remisson una enorme importancia: Ele disse que meu aproveitamento era muito bom e se eu quisesse poderia fazer o ensino médio à noite no seu colégio, trabalhando durante o dia para pagar. Aceitei e a minha primeira atividade foi organizar a biblioteca, cujos livros estavam abandonados, empoeirados, tristes. Demorei o dobro do tempo para concluir o trabalho, pois era imprescindível folhear os volumes e ler uma parte aqui, outra ali...Tarea tan agradable proporcionó beneficios inmediatos que afectaron a su carácter: Creio que a convivência escolar e a leitura aos poucos foi-me tirando aquela timidez, aquele medo das pessoas, o receio de apertar a mão, de ouvir, de falar. A leitura realmente abre portas e janelas para novos mundos, novos conhecimentos. Um bom livro é como se fosse uma casa confortável, onde é possível habitar, se alimentar, trabalhar, fazer amigos. Y así, trabajando de día y estudiando de noche, sin sospecharlo siquiera, pudo sustituir al profesor: Depois, ainda no primeiro ano, fui dar aulas de reforço de português, história e geografia para alunos repetentes. Muitos deles haviam perdido a bolsa e estudos na escola pública (três anos de repetência consecutivas tiravam este direito) e migrados para a particular, com os pais pagando as mensalidades. Cheguei a dar aulas de reforço para ex-colegas de classe na outra escola. Ya tuvo alas, ya quiso volar: Isto durou dois anos e resolvi vir para São Paulo trabalhar.
 
Sozinho contigo
na sala de estar,
te beijo, querida,
e quero mais beijar.
Quando os olhos abro
que pena me dá!
Estava sozinho
e me pus a sonhar...
 
 
Quero que guardes de mim
uma lembrança feliz de ontem,
quando rimos, quando brincamos,
quando meus olhos brilhavam ao te ver
quando eu ainda não sabia que ia partir. RA
 
Após a morte do meu irmão e do meu pai a situação econômica da família piorou mais e aproveitei a visita de uma tia e a acompanhei para São Paulo em 1979, onde trabalhei em diversas áreas, sendo balconista, cobrador (funcionário público), vendedor de livros, segurança, auxiliar de disciplina, etc. Mas nunca parei de escrever poesias, crônicas, artigos sobre educação, resenhas de livros, obtendo algumas premiações. Completei o ensino médio há poucos anos, mas os estudos superiores ficaram para trás. En Nova Era queda aún mucho de Remisson Aniceto: Minha mãe, já quase com 80 anos, ainda mora em Minas Gerais, onde a visito sempre que posso. Lá moram também todas as minhas irmãs, sobrinhos, primos, tios, muitos amigos antigos. E lá ainda moram as minhas maiores e melhores lembranças. Parafraseando a Drummond exclama: Nova Era é apenas uma fotografía na parede./Mas como dói!
Da un salto y se yergue ya en la actualidad: Há 16 anos trabalho em um colégio franciscano em São Paulo, onde mantenho contato diário com crianças, jovens (alunos) e adultos (pais, professores e funcionários), todos envolvidos com a educação, a cultura, a solidariedade, o aprendizado. Este envolvimento me engrandece o espírito e me renova a cada dia, dando-me forças e criatividade para escrever e mostrar a minha literatura. Fe, esperanza y caridad se hacen Amor en Remisson:
 
 
Reza por mim, amor.
Reza por mim 
e não serei um mero grão disperso
e não serei um anel de Saturno
desgarrado, solto no espaço-tempo
da Eternidade.
Que aqui tudo é mistério,
tudo é descoberta,
há outro sentido,
outro conceito de Existência.
Aqui não há espera,
só a lembrança fugaz,
só a vaga imagem do teu rosto
na moldura do Infinito.
Reza por mim…
Reza por mim, amor.
Imagina-me como um lago
de águas puras, serenas,
e assim hei de ser
para matar minha sede
de ti. RA
 
 
Amor concretado en la amada, solidificado, fiel. Perfila sonetos, modela sonetos; los rompe, juega con ellos, los arma y los rearma…
 
 
Ó Rosa que no Céu estás plantada,
Rosa alva dos meus sonhos arrancada.
Tens a cor da bela nuvem em claro dia,
Perfumando os céus azuis da Fantasia.
 
 
Ó Rosa santa, das flores mor-rainha,
Tu perfumaste o jardim da vida minha.
Triste Flor na primavera colhida
Por quem de inveja me roubou a fé na vida.
 
 
Etérea Flor, se sem querer foi que partiste,
Foge do teu anjo guardião nalgum descuido.
Quem te quer mais que o Céu na Terra existe. 
 
 
Que a levassem nada fiz por merecer.
Vem, Flor nívea, derramar teu santo fluido,
No jardim que sem teu pólen vai morrer. RA
 

 
El conocimiento de los grandes poetas en lengua portuguesa, con Drummond y el Modernismo al frente, le expande y profundiza: Não o vivi, mas me enriqueci (culturalmente) com eles, com a vanguarda. Aquela ruptura estética trazida pelo Modernismo refletiu-se em toda a arte e na literatura principalmente, antes concentrada nas academias, restrita a uns poucos. Li e vi obras consagradas deste movimento e como não se influenciar pelo Manifesto da Poesia Pau-Brasil, como não admirar o novo em Macunaíma, ignorar estética de Tarsila do Amaral... Casa Grande & Senzala, livro de Gilberto Freyre, mostrou para todos nós as verdadeiras raízes do nosso povo, as nossas origens.
Sobre las influencias recibidas en lo poético, afirma: A minha poesia recebe influência de tudo ou quase tudo que leio, de quase tudo que vejo, que vivo. Ao ver um bom filme, um musical por exemplo, se uma cena me emociona ao extremo seja pelo drama, pela alegria das cores, pela plasticidade dos movimentos, crio um poema. Se leio um bom livro, daquela história posso tirar um poema. Da vida, da morte, de um sorriso, do choro, da angústia, do sexo, dos animais, do nascimento nasce um poema.
Eu aprecio o Gregório de Matos com sua religiosidade e a sua ironia, o Vinícius de Moraes com o seu romantismo, O Pessoa que não cabia numa só pessoa, O Neruda, Octavio Paz, Alfonsina Storni, Arthur Rimbaud, Baudelaire... não há como fazer uma lista, porque pode-se ler dezenas de poemas de um autor e, de repente, um poema deste mesmo autor nos transforma. Assim, a minha poesia recebe sim, a influência de autores diversos espalhados pelo mundo. Por isto eu gosto de dizer que a poesia depois de (re)criada não pertence a ninguém em especial, mas àquele que a lê. Depois de lida a poesía retorna para o ar, possível para outro e outro e outro poeta... e outros tantos leitores:
 
Faço poemas
em versos negros
e versos brancos
para que todo poema
seja livre. RA
 
 
Su obra publicada es múltiple: poemas, crónicas, relatos y artículos sobre educación bien recibidos por los educadores. Y está muy dispersa, fundamentalmente en Internet: multitud de revistas y blogs. Trabajos suyos aparecen en ediciones colectivas y, en los primeros tiempos de su andadura, cuando se presentaba a concursos, fue profusamente premiado. Quanto aos grandes concursos, que às vezes abrem portas, não participei, pois geralmente as exigências eram muitas, e os gastos de participação também. Eu a maioria do tempo não tinha máquina de escrever ou computador para digitar, papel para imprimir, dinheiro para pagar os correios... Publiquei livros, mas alguns coletivos já se esgotaram: Poesia para o mundo, (2009). Todo dia é dia de poesia, (2002). Palavras de Poetas, (1997). Novos talentos da poesia brasileira, (1995). Escrevo nos espaços que me restam,(1982).
Alguns anos viveu em Nova Era. Principalmente nasceu em Nova Era. Por isso foi triste, orgulhoso: de ferro. Dice, parafraseando a Drummond, que escribió Itabira donde Remisson nombra a su propia ciudad: Sou de ferro temperado a marteladas.
Parte de la creación está recogida en sus propios espacios virtuales: Nosso Mundo foi o meu primeiro blog, criado para mostrar a minha literatura e para publicar textos dos meus amigos e pessoas cujos trabalhos literários eu admiro. No início pensei que fosse ser um espaço restrito, pequeno, mas ele foi atingindo proporções inesperadas, chegando a ter mais de quinhentas pessoas inscritas, grande parte destas pessoas escrevendo quase que diariamente, num grande fluxo para as páginas. O blog Nosso mundo chegou a ter 8.000 visitas diárias e hoje ainda mantém alto nível de visitação. E estou aprendendo na vivência, lendo e dando respostas, lendo crônicas e poesias de meus amigos da Argentina, Peru, Chile, México, Espanha, etc. O Blog Nosso mundo foi e está sendo um grande aprendizado para mim.
Já a Revista PROTEXTO foi criada para ser uma página sem o medo de ser fechada de repente, como pode acontecer com os blogs criados usando plataformas de terceiros. Na PROTEXTO eu posso publicar algum texto meu de vez em quando e abrir espaço para tantas pessoas que não tem um blog ou uma revista onde publicar e também para estes autores conhecidos, famosos como você, Pedro; cujos trabalhos eu gosto de ver na minha revista. Assim, a PROTEXTO está sendo para mim uma grande realização pessoal e ela pode ser para muitos uma realização pessoal e profissional.
Hablamos en plática fluida, cada uno en su idioma de los idiomas ibéricos. Sabe Remisson, que no hay poetas instintivos, es decir, personas que se ponen a escribir y les sale poesía. Sabe, a estas alturas de la vida, que la poesía hace a los poetas. Cuando la imaginación, la sensibilidad y el conocimiento se unen a las ganas de decir, y juntos llaman al trabajo sin tregua y sin freno; entonces, él lo sabe lo mismo que yo, crecen los poemas que van haciendo al poeta. En la nube virtual o en el duro suelo de la realidad, los poetas somos instrumentos, herramientas, materia prima de la poesía. Si lo entendemos así, si así lo aceptamos -coincidimos ambos en ello- vamos por el buen camino.
Amor y muerte se suceden en la poesía de Remisson Aniceto; muerte y amor se oponen y se hermanan en sus versos. Pinceladas de realismo, modernismo a calderadas, simbolismo aún; vida, amor a la vida y amor al amor. Remisson trabaja en su poesía, goza y sufre en su poesía, comparte, recibe de otros: Remisson vive en su poesía. Y de la poesía se sirve su enorme voluntad de integración planetaria. Drummond respira, late, burbujea en los poemas de Remisson. La resistencia opuesta a las adversidades le crece. Esa pedra no medio do camino, más que obstáculo resulta un acicate: Um caminho sem pedras pode ser mais fácil para caminhar, mas não nos permite abrir os olhos para o novo, para os perigos, as adversidades que nos espeitam e de repente podem atacar. A pedra pode ser, assim, um sinal, um alerta, uma orientação, um despertar. Estes versos do Drummond me acompanham e me ajudam.
Si el anhelado encuentro con Drummond no se llegó a realizar, otro, tan deseado, se hace posible en la imaginación y en la poesía de Remisson Aniceto, nacido en 1962 en Nova Era, Minas Gerais, poeta vocacional:
 
 
No “Bar e Café Pessoa” encontrei Fernando.
Ele bebericava numa caneca de porcelana,
lendo “O Corvo”. Puxei uma cadeira da mesa ao lado
e sentei, observando seu porte magro, alheio a tudo
em redor. Ali, o mundo e o pensamento eram
somente dele. Sobre a mesa de tampo fino,
repousava uma caixa envolta em papel pardo,
com uma etiqueta da Air Portugal. Ele devia ter
chegado há pouco de lá, talvez para visitar o Reis.
Fiquei observando-o durante longo tempo.
Calmamente, após pousar “O Corvo” sobre a mesa,
ele dirige sua atenção a mim, uma expressão
de desalento no olhar, como a dizer:
- Fui descoberto!
Ouço a voz da garçonete e viro o rosto:
- Sim, traga-me café numa caneca de porcelana.
Volto-me e já não o vejo. Corro até a porta,
perscruto a rua parcamente iluminada.
Não o encontro, ele sumiu definitivamente.
Retorno à mesa onde ele estivera.
A garçonete se aproxima e repete:
- Não temos caneca de porcelana, senhor.
Abro o pacote que, na pressa, ele esquecera.
Há vários livros, entre os quais um de Poe
que me chama a atenção, intitulado 
“Histórias Extraordinárias”. RA

 
 

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