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08/06/2013

Conexão Portugal: Nuno Judice ganha Prêmio Reina Sofía de Poesía Iberoamericana 2013

Amigos, recebi com muita alegria a noticia de que o poeta e critico português Nuno Judice  (Algarve, 1949) ganhou o Prêmio Reina Sofía de Poesía Iberoamericana 2013 . Conheci Nuno Judice no I Colóquio Internacional Florbela Espanca, em Vila Viçosa, terra natal de Florbela Espanca. A competência de Nuno como crítico se reproduz na sua obra poética. Nuno é professor de Literatura Comparada na Universidade de Lisboa e já dirigiu a Casa de Poesia Fernando Pessoa.
 
Importantes nomes da literatura já ganharam o prêmio Reina Sofía, dentre eles a portuguesa Sophia de Mello Breyner Andersen, o uruguaio Mário Benedetti, o chileno Nicanor Parra, a cubana Fina García Marruz, o argentino Juan Gelman, o mexicano José Emilio Pacheco,a peruana Blanca Varela, os espanhóis José Hierro, Pere Gimferrer, Claudio Rodríguez, José Manuel Caballero Bonald, Antonio Gamoneda, José Ángel Valente, Pablo García Baena o Francisco Brines, o brasileiro João Cabral de Melo Neto. Ano Passado o ganhador do prêmio foi o nicaraguense Ernesto Cardenal.
 
Parabéns Nuno Judice, que também é um estudioso da obra de Florbela Espanca, um prêmio merecido pela qualidade do conjunto de sua obra.
Renata Bomfim
 
 
Requiem por Muitos Maios
 
Conheci tipos que viveram muito. Estão
mortos, quase todos: de suicídio, de cansaço.
de álcool, da obrigação de viver
que os consumia. Que ficou das suas vidas? Que
mulheres os lembram com a nostalgia
de um abraço? Que amigos falam ainda, por vezes,
para o lado, como se eles estivessem à sua
beira?

No entanto, invejo-os. Acompanhei-os
em noites de bares e insónia até ao fundo
da madrugada; despejei o fundo dos seus copos,
onde só os restos de vinho manchavam
o vidro; respirei o fumo dessas salas onde as suas
vozes se amontoavam como cadeiras num fim
de festa. Vi-os partir, um a um, na secura
das despedidas.

E ouvi os queixumes dessas a quem
roubaram a vida. Recolhi as suas palavras em versos
feitos de lágrimas e silêncios. Encostei-me
à palidez dos seus rostos, perguntando por eles - os
amantes luminosos da noite. O sol limpava-lhes
as olheiras; uma saudade marítima caía-lhes
dos ombros nus. Amei-as sem nada lhes dizer - nem do amor,
nem do destino desses que elas amaram.

Conheci tipos que viveram muito - os
que nunca souberam nada da própria vida.

Nuno Júdice, in "Teoria Geral do Sentimento"

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