* Hello, my friends! welcome to letra e fel! If you like this space, please share it with your friends.
* Dzień dobry, drogi czytelniku, witaj w blogu Letra e Fel! Dziękujemy za wizytę. Jeśli nasz blog ci sie spodobał, poleć go swoim znajomym.
*!Hola! , amigo lector. Sea bienvenido y si le gustó mi blog, recoméndelo a sus amigos!
*Cher lecteur, soyez le bienvenu! Veuillez conseiller notre blog à vos amis si vous l'avez aimé. Merci beaucoup!

11/07/2013

Rosalía de Castro: a flor da Galicia

"Daquelas que cantam as pombas e as flores
Todos dizem que têm alma de mulher,
E eu que não as canto, Virgem da paloma
Ai, de que as terei?"
(Rosalía de Castro)

Rosalía de Castro (1837-1885)


Rosália de Castro é uma personalidade de destaque na poesia espanhola. A carreira literária desta poeta reflete a florescência do processo de reivindicação, por parte das mulheres, de inserção no campo discurso, especialmente do discurso poético. Rosalía têm destacada por inúmeros críticos, a coragem com que cantou temáticas relevantes para a emancipação feminina, numa época em que o peso opressivo da cultura patriarcal inviabilizada o discurso feminino. 
Foto de Rosalía de Castro


Maria Rosalía Rita de Castro, ou Rosalía de Castro, nasceu no dia 24 de fevereiro de 1837, em Santiago de Compostela, Espanha.  Assim que nasceu foi imediatamente batizada na capela do Hospital real e entregue a uma criada do solar dos Castro. Rosalía era filha de Doña Maria Teresa de La Cruz de Castro y Abadia, de ascendência nobre, e de José Martinez Viojo, um seminarista, ou sacerdote.  Rosália de Castro foi registrada como “filha de pais incógnitos”, e pesava sobre ela o fato de ser uma criança “Sacrílega” (fruto de uma profanação). Para não arruinar a reputação da casa fidalga dos Castro, e também preservá-la dos falatórios por conta do nascimento “indigno” de Rosalía, a menina foi afastada de sua mãe e enviada para morar no interior, em Ortoño. Embora fosse de origem fidalga, até aos oito anos Rosalía viveu como qualquer menina de aldeia.

Casa-Museu de Rosalía de Castro

A poesia de Rosalía de Castro efetua uma operação semelhante com referencia à Galicia, àquela efetuada por FLorbela Espanca no Alentejo. Vale destacar que a Galiza faz fronteira com o norte de Portugal e é a terra da mais antiga civilização neolatina da Península Ibérica. A cultura Galega difere da tradicionalmente conhecida no resto da Espanha, pois, a influência celta nela foi mais destacada que a moura, dessa forma, na Galícia, ao invés das touradas e da música flamenca, cultivou-se  uma mais campestre e vinculada ao natural, e o idioma não é o castelhano, mas, o galego.
 
 
 O Galego, assim como o português, possui um tronco linguístico comum, elas são línguas românicas que derivaram do latim. O galego entrou em decadência no final da Idade Média, e ficou restrita aos contextos da comunicação informal, e ao âmbito privado por cerca de três séculos (XVI, XVII e XVIII). No século XIX surgiu na Galiza um movimento chamado “Ressurgimento”, que propôs recuperar o galego como língua histórica, cultura e literária. Foi nesse contexto que surgiu Rosalía de Castro com seus Cantos Gallegos, primeira obra publicada inteiramente nesse idioma galego. Nem Rosalía e nem os intelectuais da época tinham dicionário ou gramáticas disponíveis, por isso recorreram á linguagem falada, transpondo-a para a escrita. Rosalía converteu a fala popular em ferramenta artística e nessa ela cantará, especialmente, as belezas da Galícia:

Cantares galegos (III)
Lugar mais formoso
não houve na terra
que aquele qu’eu mirava,
que aquele que me coube.

       Lugar mais formoso

No mundo não acharia
Que aquele de Galiza.
Galiza encantada!

Galiza florida,
Qual ela não há:
De flores coberta
Coberta d’espumas
[...]

Cantares galegos (IV)
Cantar-te-ei, Galiza,
Teus doces cantares,
Pois assim me pediram
na beira do Mar.

XXXCantar-te-ei, Galiza,
Na língua galega
Consolo dos males,
Alívio das penas.

Mimosa, suave,
Sentida, queixosa,
Encanta se ri,
Comove se chora.
 
Qual ela não há
Tão doce que cante
Saudades amargas,
Suspiros amantes,
 
Mistérios da tarde,
Murmúrios da noite:
Cantar-te-ei, Galiza,
Na beira das fontes.
 
Pois assim me pediram
Pois assim me mandaram
Que cante e que cante
Na língua qu’eu falo.
 
 
A Galiza foi durante séculos a mais agreste região da Espanha, e o povo galego padecia graves necessidades, dentre elas a fome. Nos séculos XIX e parte do XX a única solução de sobrevivência para os galegos era a emigração. A situação social, econômica e política marcou profundamente a poética rosaliana. Observemos o poema V de Cantos galegos que diz:

Esse vai e aquele se vai,
E todos, todos se vão,
Galiza, sem homens ficas
Que te possam trabalhar.
Tens, em compensação, órfãs e órfãs
E campos de solidão,
E mães que não tem filhos
E filhos que não tem pais.
E tens corações que sofrem
Longas ausências mortais,
Viúvas de vivos e mortos
Que ninguém consolará.


Rosalía de Castro denunciou a exploração que os galegos sofriam como imigrantes, trabalhando de sol a sol por salários irrisórios, muitos não retornavam para as suas famílias.

Castelhana de Castela,
Tão bonita e tão fidalga,
Mas que para ser fera
A procedência lhe basta:

Dizei-me, minha senhora,
Já que vos mostrais tão ingrata,
Se o meu rendimento humilde
Ânsia de vômito vos causa,
[...]
 Dizem que na nobre Castela
Assim aos galegos se trata.
[...]
 
 E vou-me pra Galiza formosa
Onde em conjunto me aguardam
O que não tendes, senhora,
E o que em Castela eu não acharia:
 
Campinhos de lindas rosas,
Fontinhas de frescas águas,
Sombra na beira dos rios
Sol nas alegres montanhas,
 
Rostos que nascem sorrindo
E que sorrindo vos amam,
E que mesmo morrendo
E em sorrisinhos se banham
*
[...]
 Foi a Castelha por pão,
E saramagos lhe deram;
Deram-lhe fel por bebida,
Peninhas por alimento.
 
Deram-lhe, enfim, o amargor
Que tem a vida no seu seio...
Castelhanos, castelhanos,
Tendes o coração de ferro.
 
Permita Deus, Castelhanos,
Castelhanos que detesto,
Que os galegos morram
Antes de vos pedir sustento.
 
Em tronos de palha sentados,
sem fundamentos, soberbos,
pensai que nossos filhinhos,
nasceram pra vos servir.
 
Pois Castelha e castelhanos,
Todos num montão, bem juntos,
Não valem uma ervilha
Destes nossos campos frescos.
 
 
Observamos na quadra popular a seguir a presença de uma tradição medieval galega- recolhida por variados trovadores galaico-portugueses, que consiste no pedido de noivos a algum santo cristão, especialmente na época das romarias: 
Sant’ Antônio bendito,
Dai-me um homem,
Ainda que mate,
Ainda que m’esfole.

 Rosalía de Castro cantou a saudade, o mar, e variadas temáticas que, aliadas às  vicissitudes de sua biografia contribuíram para que em torno da mesma se erigisse uma aura, o que acabou por mitificá-la. A dor foi um tema recorrente na escrita rosaliana:

XVII
Mas, vê que meu coração
É uma rosa de cem folhas,
E é cada folha uma tristeza
Que vive agarrada n’outra.
Tiras uma, tiras duas,
Tristezas me restam de sobra;
Hoje dez, amanhã quarenta,
Desfolha que te desfolha.
O coração me arrancarias
Se as arrancasses todas.
Após 1880, Rosalía vivenciou momentos de grande dificuldade. Ela experimentou a incompreensão literária, que fez com que abandonasse o idioma galego . Seu ultimo livro de poemas intitulado En las orillas Del Sar (1884) foi escrito em  castelhano, bem como toda a sua obra em prosa.
 
 Referências:
- MADARIAGA, Salvador. Mujeres españolas. Madrid: Esparsa- Calpe, 1972.
- CASTRO, Rosalía. Poesia. Tradução, notas e apresentação por Ecléia Bosi. São Paulo: Brasiliense, 1987.
- CASTRO, Rosalía. A rosa dos claustros. Tradução, notas e apresentação por Andityas Soares de Moura. Belo Horizonte: Crisálida, 2004. 

Amigos, apresentei um estudo comparativo entre as obras poéticas de Rosalía de Castro e Florbela Espanca no IV Encontro de Escritoras Capixabas, promovido pela AFESL. Seguem os slides, espero que curtam a seleção que fiz.


2 comentários:

Pedro Luis López Pérez (PL.LP) disse...

Magnífico Documento sobre una gran Escritora y sobre la Tierra que la vio nacer, Galicia...Tierra de mis Padres y casi toda mi Familia...Preciosos Versos y Entrada.
Abraços e beijos.

Renata Bomfim disse...

Olá Pedro, fico feliz que tenha gostado do meu texto. Olha, como não se apaixonar pela Galicia ao ler os poemas de Rosalia? impossível! Volte sempre ao Letra e fel para conferir as novidades, ok?
abraços dessa poeta
Renata Bomfim