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07/09/2013

Brasil



Dedico aos índios brasileiros, que continuam sendo massacrados, humilhados, e tendo a sua cidadania negada, e aos fantasmas da esperança que morreram defendendo a nossa humanidade.
Brasil,
Minha Terra,
Meu Amor.
Onde vou estás comigo,
No balanço do quadril que
Ginga ao som de tua aquarela,
No ondulado cabelo,
Filetes de água doce
Deslizando entre manguezais.

Meus olhos são os da arara 
Que atravessam as matas
Como dardos inflamados por Eros.
São também os olhos do tigre, 
Do macaco prego, da jaguatirica,
Do lobo guará, do peixe boi, 
Da capivara, da cascavel, 
Das formigas, do tamanduá
(Teu porta-bandeira).

Teus montes, morros e falésias
São a minha carne, o meu corpo
De mulher: Sangramos!
É nossa a mesma ferida
Provocada pela exploração,
Pela corrupção,
Pela falta de cuidados e de amor.
Minha terra, quanta dor, quantos ais!
Os navios negreiros ainda vagam,
São espectros no vasto oceano,
Os seus fantasmas são quase palpáveis. 
Parte de mim ainda está acorrentada 
no porão fétido, 
segue viagem sentindo saudades
da África
ansiando liberdade.

Ouço os gritos de horror,
Os pedidos de socorro 
Dos irmãos Guarani Kaiowa.
Os gananciosos querem queimar tudo!
Querem consumir a mata, 
Dizimar mais de duzentas etnias com
Suas línguas, costumes, e tradições:
Querem transformar em fumaça, hoje,
O nosso manhã. Resistimos!
Choramos, cantamos hinos de guerra e
Lutamos com arcos e flechas,
(Luta desigual e perversa).

Nossos pés, machucados pela lida,
Merecem descanso! 
Nossas mãos, que tecem humanidades,
Merecem respeito!
Nesse momento uma criança faminta
suga o meu seio: 
Uma menina chamada Esperança.

Eu canto baixinho, quase sussurro,
Sou xamã,
Conheço preces, rogos,
Preparo unguentos,
Confecciono patuás,
Lanço sortilégios aos sete ventos,
A minha palavra cura e exsuda venenos.
O meu coração é braseiro que
Arde de amor: fogo santo!
O céu estrelado da minha terra
Está dentro da minha boca!

XXXXXVou manter a memória viva!
XXXXXde teus povos.

Quando eu toco a tua face
(Como um cego) 
Buscando conhecer a tua fisionomia,
Minha terra, é a mim que busco:
Preciso conhecer a raiz da planta que sou, 
Compreender os por quês das minhas folhas,
Frutos, e flor...
Como cantar esta brasilidade?
Deixo que os pássaros o façam por mim,
O vento vai assobiar o teu hino.

Essa bem-aventurança ardente,
Orgulho mátrio que colore o meu peito,
Está para além 
Das alegrias e dos sofrimentos,
XXXX É paixão,
XXXX Pedra da lua:
Possui muitas cores e
reluz, reluz, reluz...
Onde estou estás comigo, Brasil,
Minha terra,
Meu amor.



RB, Lisboa, 7 de setembro de 2013.


Manifesto:
Hoje, 7 de setembro, comemoramos a "Independência do Brasil", mas, o nosso Brasil ainda não é livre, infelizmente, ainda serão enforcados muitos Tiradentes, infelizmente, ainda vai correr por este chão sagrado o sangue de muitos ambientalistas como o de Chico Mendes, da irmã Dorothy, do capixaba Paulo Cesar Vinha. Para que se estabeleça uma nova ordem, uma nova forma de se conceber o "progresso", para que sejamos realmente livres, precisamos escutar o grito que vem das florestas, dos becos escuros, dos hospitais, das escolas, precisamos tirar a cera dos ouvidos, e o mais importante, precisamos agir. O verdadeiro progresso tem nome e sobrenome: Compaixão e  Sustentabilidade.  

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