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06/12/2013

A Dama e o Unicórnio pelo olhar da escritora portuguesa Maria Teresa Horta

Amigos internautas,
que alegria a minha e que privilégio ter conhecido pessoalmente a escritora portuguesa Maria Teresa Horta, jornalista, poeta e co-autora das Novas cartas portuguesas. Encontramos-nos em um delicioso café no Campo Pequeno, onde a escritora reside, enquanto estive em Lisboa como bolsista da CAPES. Estava conosco o amigo Fábio Mário e o meu marido Luiz. A escritora me falou um pouco sobre si, sobre poesia, e sobre a sua mais recente obra, o poemário A Dama e o UnicórnioEsta obra foi inspirada  na tapeçaria medieval La Dame à la Licorne, que está exposta no Museu de Cluny, em Paris. Esta é uma obra enriquecida por parcerias, com António de Sousa Dias e Ana Brandão ela transita  pela  literatura, música, performance e artes visuais, tendo como aporte os meios  tecnológicos. 

Vê-se logo de saída que este é um livro diferente, e assim como a tapeçaria que o inspirou, ele foi criado nas tramas do desejo e do tempo: é a concretização de um projeto sonhado durante mais de 20 anos pela escritora.  O livro foi editado pela D. Quixote e possui 72 poemas divididos em oito cantos: ‘Arte e Ofício’, ‘As Personagens’, ‘As Tapeçarias’, ‘O Mito’, ‘À mon seul désir’, ‘A Sedução’, ‘Posse’ e ‘A Eternidade’. A capa dura, as folhas em papel couché ora vermelho, ora cinza e branco, e um CD com os poemas caprichosamente gravados dão forma a um dos livros mais bonitos feitos em Portugal ultimamente.

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- Tendo, igualmente «sequiosa», provado o sangue do Unicórnio, a Dama entra na Eternidade. E com esta advém a consciência da «fala sem mundo», essa concepção horteana da condição feminina, temática que MTH desenvolve extensa e inovadoramente no penúltimo e longo poema do livro. Eis um trecho significativo sobre «o embuste, o passado que a rodeia e a leva a repetir-se numa infindável e incomensurável cadeia», a partir de uma repetida interrogação de Geneviève de Nanterre:

O que faço da minha eternidade?
Pergunta de novo a si mesma

E ao ver-se agrilhoada ao Unicórnio
ela entende o embuste, o passado
que a rodeia e a leva a repetir-se
numa infindável e incomensurável cadeia

Peregrina, tal como Helena de Tróia
foi um dia na Ilíada de Homero
essa imensa e intocável epopeia
onde a paixão e o ódio se degladiam

«Não sei quando começaram os suspiros
os murmúrios, os clamores, as vozes
e as tantas memórias obscuras e alheias,
Não sei quando começaram os meus êxtases

As visões, os gritos e os gemidos»
- um chamamento antigo tantas vezes
multiplicado quantos nela têm sido os tempos

Os dias dos meses e dos séculos que
já deixou de contar, de conter, de entender.



( trechos de poemas e foto de «A Dama e o Unicórnio»)
Texto retirado do site da escritora.


Encontro com a escritora em nov./2013

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