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09/08/2014

O ávido

A chave está sobre a mesinha,
as flores de plástico me tranquilizam
(nunca morrerão)
A morte...

Morre tudo o que respira,
morre tudo o que tilinta:
o som da tua voz...

Lá fora um homem bate com a talhadeira no cimento resistente,
eu bato à porta do teu coração,
pedra sem lâminas,
matéria lavada por águas milenares,
uso apenas mãos crentes.
me resistes...

O ávido desejo perdeu a cauda, não nada,
nada, nada, nada.
O ávido desejo...

Encenamos o famoso banquete
em volta da mesa,falamos de amor:
─ é um demônio,
─ é um deus pagão e inclemente,
─ é o ávido sem cauda e com as asas rotas:
Martim pescador...

Diotima invejaria a nossa lucidez,
ou riria da ignorância?
Haverá amor sem esperança?
Haverá amor se um homem não
empenhar a talhadeira gasta
para alimentar os filhos?
Se eu desistisse de cavar brechas no teu peito,
buscar a mínima fenda, ainda haveria amor?
Teu coração seria a minha casa:
sem mesinha, sem chaves, sem flores artificiais,
só amor, amor, amor...

Eu apanho a chave e, num átimo, estou fora
da roda de sansara, da casa de sonhos, do castelo de fumaça.
Num átimo pressinto o ávido sem cauda se debater.

Sim, tudo morre, mas, sem cauda e com
deficiências mil, mesmo assim, o irredutível, 
o essencial, aquele que pulsa sem permissão, 
não se afoga e nem se distancia do azul mais celeste.



*RB, Vitória, 09-08-2014


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