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27/09/2014

"Geografia afetiva": Vitória sob o olhar de Dayse Resende (por Renata Bomfim)

Por Renata Bomfim
Dayse Resende
Quando visitei a exposição “Geografia afetiva”, da artista plástica Dayse Resende, logo me vieram à mente as palavras de Carmélia Maria de Souza, a cronista do povo, que publicou em um jornal de junho de 1967: “Você, aí, precisa aprender a olhar com mais ternura, ou por outra, com alguma ternura e um pouco de amor dentro dos olhos, sempre que olhar para a nossa cidade”. É assim, com amor nos olhos, e ternura, que Dayse Resende contempla Vitória. Acredito que é assim, também, que os moradores da Ilha a veem. Talvez por isso essa exposição, esteja tocado, de forma especial, a sensibilidade de quem a visita. Imagino o olhar de assombro de Vasco Fernandes Coutinho (e sua trupe) ao olhar para a Ilha pela primeira vez, em maio de 1535, e se deparar com tanta beleza. Há um registro histórico, de 1576, no qual a então capitania é descrita pelo colonizador como sendo “a mais fértil, melhor provida de todos os mantimentos da terra, que outra alguma haja na costa”. Ah! embora eu não tenha vivido nessa época, ainda sonho com ela! Também devo ressaltar a história de resistência dos índios que habitavam a ilha, ─ os tupiniquins , nossos antepassados, corajosos guerreiros que lutaram contra a invasão. Essas e outras reflexões pululavam dentro de mim (capixaba da gema) na abertura da exposição. Não é de hoje que a ilha inspira artistas plásticos, poetas, músicos, dançarinos. Ítalo Campos escreveu: “ A ilha, provisória vida./ Vida, ilha provisória”, apontando para a mutabilidade da cidade e de nós mesmos, seus moradores, ─ territórios de sonhos e de ansiedades. Fernando Achiamé poetisou Vitória, pois, “Igual ao Cosmos, a ilha está em ruínas:/ lavas petrificadas, vulcões extintos, poucas chuvas ácidas, sem geleiras, gêiseres, furacões”. Sim, como destacaram os poetas, Vitória está aí, e seus monumentos naturais não nos deixam esquecer dessa inscrição cósmica universal.
Abertura da exposição "Geografia afetiva"
Dayse Resende se declara uma “apaixonada por pedras”. Nessa exposição a Baía de Vitoria, ─ porto aberto para o mundo─, o Mestre Álvaro, o Morro do Moreno, o Moxuara, o Penedo, a Pedra da Cebola, ganham destaque: “Vitoria para mim ganha sentido nas relações que se estabelecem entre esses grandes monumentos naturais, as construções urbanísticas e as pessoas”, afirmou a artista. Segundo Dayse, essa exposição é, também, um alerta para as intervenções que não respeitam o desenho natural da cidade, e que interferem de forma indiscriminada em um patrimônio que é de todos, criando ruídos e gerando desequilíbrios: “A ocupação desordenada, a perda dessa vista é um prejuízo coletivo. A gente tem que se preocupar com isso. Os espigões, frente aos monumentos naturais precisam ser repensados." Geografia afetiva é uma exposição que celebra a relação entre Vitória e as pessoas, A artista destaca a conectividade como um valor importante na poética das obras, e fala um pouco sobre o seu processo criador: “Nós nos ligamos à Cariacica, à Serra e à Vila Velha; Vitória é uma cidade metropolitana. Essa exposição foi se construindo, ela começou com o olhar para essa paisagem, depois veio o mapeamento da cidade, e terminou na união disso tudo. O trabalho foi crescendo com as escolhas das tintas, das cores. Utilizei uma cartela de cores específica”. 
A artista no seu Ateliê
Na obra de Dayse Resende Vitória flutua entre o céu e o mar, elementos que ora são negros, ora são azuis e cinzas. A artista trata de forma singular variados elementos, a linha do horizonte, por exemplo, é uma referência e recebe destaque, pois delimita a realidade e a ilusão. Esse procedimento poético/pictórico encontra paralelismo na técnica escolhida para as pinturas, que mescla a abstração e o figurativo.


As obras em azul nos remetem para a influência da colonização portuguesa, ─ da azulejaria─,  ressaltando o caráter rico e plural do povo capixaba, fruto da miscigenação com outros povos.  Dayse escolheu um ponto de Vitória para contemplar o Convento da Penha, e foi a partir daí que pintou: “Me agrada pensar plasticamente essa paisagem”. O Convento da Penha faz parte da paisagem da ilha. Podemos observar a padroeira do Espírito Santo, desde o alto do morro (no continente), abençoando quem passa pela Reta da Penha, mirada que nos aproxima do sagrado.
Obra: Convento da Penha
Vitória está dentro e fora do tempo, tanto que a diva da literatura capixaba, Bernadete Lyra, na obra Memória das ruínas de Creta, soltou o Minotauro na Ilha, “onde à terra faltava consciência, ao ar luz e brilho, ao mar fluidez, ali a única verdade era a face da Ilha”, mais recentemente, e escritora lançou A Capitoa, obra que desvela uma ilha cuidada por mulher, Dona Luisa Grimaldi, fidalga eborense que foi esposa do donatário Vasco Fernandes Coutinho e primeira dirigente de uma capitania no Brasil. Muito há que falar sobre Vitória, de suas belezas e singularidades. O saudoso escritor e radialista Marien Calixte criou o slogan “viver é ver Vitória”, a nossa Carmélia Maria de Souza criou a frase “Vitória é uma delícia”. A Ilha interliga a todos nós (seja por suas pontes, por sua história, pelo amor...), talvez por isso a Carmélia Maria tenha alertado ao leitor: “Não sei se você sabe, mas ainda é tempo de termos o domingo que não tivemos, de cantar a canção que não cantamos, de contemplar a estrela sentados numa varanda de frente para o mar”. O mar é um companheiro para quem vive na Ilha, e foi inspirada em Vitória que escrevi os seguintes versos: “Esta Ilha tem "um quê"/de Ítaca, Olimpo, Pasárgada.../nela, eu sou eu!/nela me dissolvo.../ Nela florescem, por toda parte,/ múltiplos objetos de amor:/ rosas fascinantes e assombrosas...”. Espero que visitem a exposição e viagem por esse mar, por esse chão, descobrindo uma Vitória outra. 

Exposição Geografia Afetiva, de Dayse Resende
Abertura para convidados, 18 de setembro às 19H.
Visitação: de 19 de setembro a 10 de outubro
Entrada gratuita Segunda à sexta das 11h às 18h/ Sábados das 09h às 12h.

Local: Escritório de Arte Dayse Resende
Av. Ranulpho Barbosa dos Santos, 587, sala 101, Jardim Camburi, 
Vitória, Espirito Santo. 

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