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27/01/2015

A memória viva na poesia de Ana Paula Tavares (Renata Bomfim UFES/ FAPES/CAPES) Texto apresentado no Colóquio Internacional: A modernidade nas Literaturas Africanas em Língua Portuguesa: António Jacinto e a sua época/ Universidade de Lisboa.


Ana Paula Tavares e Renata Bomfim. Lisboa/dez. 2013
Resumo:

A poeta e historiadora angolana Ana Paula Tavares possui uma escrita que traz no seu bojo variadas imagens da sua terra natal: costumes, sabores, cores, ritmos e sentimentos. Sua obra expõe, também, feridas provocadas por um processo histórico conturbado que fez com que, além dela, outros escritores angolanos empenhassem a pena em prol da construção de uma literatura não excludente e comprometida com a liberdade. Ana Paula Tavares cultiva a palavra, trabalha cuidadosamente a espacialização do poema, escolhe os vocábulos como quem separa sementes. Desse processo criativo brotam poemas que cantam a vida, com cenas bucólicas onde encontramos o boi, o homem simples com sandálias de couro, o corpo lavrado. A poeta reflete sobre a condição feminina denunciando a escravidão cultural, a segregação étnica, seu canto também possui um erotismo premente. Mitos, ritos e valores que o mundo construído pela poesia evoca é a matéria prima que utiliza na construção de uma obra polifônica e de forte lirismo. Tomamos como suporte nesse estudo a critica pós-colonial, que questiona a perspectiva colonialista da história, e valoriza vozes que foram durante muito tempo esquecidas. Como bem disse Frantz Fanon, o escritor que escreve para o seu povo deve utilizar o passado com o propósito de “abrir o futuro, convidar a ação, fundar a esperança”. Amparada nas palavras de Fanon, e a partir dos arcabouços apresentados, propomos a analisar a memória viva na poesia de Ana Paula Tavares.

Palavras-chave: Ana Paula Tavares, Poesia, Mito, Pós-colonialismo.



“A poesia resiste à falsa ordem, que é, a rigor, barbárie e caos, aferrando-se à memória viva do passado”, declarou Alfredo Bozi em O ser e o tempo da poesia (2010, p. 169). Observamos na escrita de Ana Paula Tavares a confirmação deste caráter de resistência da poesia destacado pelo pensador brasileiro. Ana Paula Tavares é uma poeta comprometida com a história. Óbvio, − poderiam dizer −, afinal, ela é historiadora por formação. Mas, percebemos que o interesse da poeta em manter viva a memória de sua terra, possui um tom que se reforça pela via de sua identidade e da cidadania.
Ana Paula Tavares nasceu em Lubango, província da Huíla, Sul de Angola, em 1952, é mestre em Literatura Africana de língua portuguesa. Doutorou-se com a tese “Memória, Identidade e História”, fruto de pesquisas realizadas sobre as sociedades Luanda e Cokwe, tendo como aporte basilar a obra do viajante português do século XIX, Henrique Dias de Carvalho.
Professora, apanágio daqueles que tem como profissão de fé o compartilhar o do conhecimento, Ana Paula Tavares possui passagens como trabalhadora por variadas instituições educacionais e de cultura, é escritora também de obras em prosa, e colabora com textos em jornais e revistas.  
Chamou–me a atenção, a forma como, na obra Africae Monumenta (2002, p. 471), Ana Paula alerta o leitor para a importância da arte pictográfica africana, pondo em xeque a radicalidade da historiografia tradicional, que afirma a inexistência de fontes escritas endógenas para a história de algumas regiões africanas, dentre elas Angola[1], restringindo apenas à oralidade e a arqueologia o resgate de sua história. Para a escritora “o oral e o escrito não podem ser tratados como países autônomos de fronteiras rígidas” (2009, p. 225).  Outro caso, este no texto intitulado Cinquenta anos de literatura angolana[2], publicado em 1999, Ana Paula questiona o silêncio monolítico na poesia angolana e destaca que este “silêncio aparente é povoado por vozes de estatura e estrutura muito diferentes” (2013). Em Origens, capitulo da sua obra poética Dizes-me coisas margas como frutos (2001), encontramos os versos:
Guardo a memória do tempo
Em que éramos vatwa
O dos frutos silvestres
Guardo a memória de um tempo
Sem tempo
Antes da guerra
Das colheitas
e das cerimônias
(TAVARES, 2001, p. 10)

Neste poema, que considero um dos mais belos deste poemário, observamos a afirmação do não esquecimento, a orquestração das lembranças de um tempo quando “éramos vatwa”, ou seja, originais da terra, antes das migrações, invasões e partilhas do território que hoje conhecemos como Angola. A memória evoca uma paixão que nos toca, move e transforma, pois, como bem destacou Ecléia Bozi (2003) estamos todos ávidos e sedentos de passado:

Tão manso é lago dos teus olhos
Que temo avançar as mãos
Cortar as águas
E semear o espanto na descoberta
Da minha sede antiga
(TAVARES, 2001, p. 19)

 Acredito que vem daí grande parte do encantamento da poesia de Ana Paula Tavares, ela sacia a nossa “sede antiga” com memória de quem realmente somos, traz à luz a expressão de uma humanidade esquecida, que deveria ser o traço básico de nossa constituição coletiva. O eu poético transita entre o passado e o presente nos convidando a prospecção de um futuro comprometido com o devir:
Amado, onde perdeste a tua língua de metal
A dos sinais e do provérbio
Com o meu nome inscrito

Onde deixaste a tua voz
macia de capim e veludo
semeada de estrelas

Amado, meu amado
O que regressou de ti
É a tua sombra
Dividida ao meio
É um antes de ti
As falas amargas
como os frutos.
(TAVARES, 2001, p. 9)

Neste poema eu poético convida para o regresso há um tempo fora do tempo, antes da guerra, quando o homem, íntegro, tinha a voz macia e aveludada. Via poesia podemos voltar a este tempo e perceber como ele contrasta com o tempo do “sal e da culpa”, dos “celeiros esvaziados”, quando impera a fome, inclusive fome de amor e de fraternidade.
O homem amado é chamado a se reconhecer, a redescobrir a sua verdadeira identidade, ele é alertado para o desenraizamento que desagrega e amarga a vida e as palavras. Considero este poema emblemático, visto que nele incide o brilho de um significado coletivo. Para Ana Paula Tavares a memória coletiva se confunde com a história, mas, não o é, pois, embora trabalhe com os mesmos materiais, e reconstitua o passado em função do presente.
O colonialismo marcou a história de muitos países. A Angola sofreu sob o jugo desse poder, e o corpo de sua escrita expõe as marcas. O sistema colonial, utilizou um rico arsenal para implementar a dominação e, como destacou Frantz Fanon[3] (1979), a retirada destes do território colonizado, não apaga a história de barbárie (deportações, massacres, trabalho forçado, escravidão) geralmente ocultada, e que resultaram na falta de familiaridade do colonizado com os seus próprios mitos, nomes e identidade. Ana Paula desafia a agenda colonial por meio da sua poesia, ao questionar a perspectiva colonialista da história, e esboçar uma geografia mítica de sua terra que, durante muito tempo, foi ocultada, e a sua poesia provoca um rasgo no discurso colonial ao rememorar o tempo vivido e resgatar um tempo marginal e perdido.
Jorge Macedo (2003, p. 47) destacou que Ana Paula Tavares “orquestra liricamente os sentidos antropológicos emergentes da vida rural”, geralmente banidos dos discursos oficiais. Corroboramos esta afirmação ao observarmos a forma cuidadosa com que a poeta cultiva a palavra, como trabalha cuidadosamente a espacialização do poema, escolhe os vocábulos como quem separa sementes, desse processo criativo brotam poemas que cantam a vida, com destaque às cenas bucólicas. Encontramos o boi: “Boi, boi,/ Boi verdadeiro/ Guia a minha voz/ Entre o som e o silêncio (TAVARES, 2001, p. 8). Na representação do boi, animal que sempre fez parte da vida do homem, e que foi contextualizado em variadas culturas, geralmente tendo destacada a sua força de trabalho que elevou cidades, e arou a terra para o cultivo, se vê o respeito para com outro ser vivo.  Na contemporaneidade o boi se transformou em um problema ambiental, e na mais patente mostra do desnorteio de sentido de vida social. A criação de gado para o abate responde em muitos países tropicais, inclusive o Brasil, por grande parte do desmatamento das matas nativas. Ana Paula Tavares reinsere o boi no espaço mítico e comunitário, conferindo ao animal o respeito e a dignidade devidos. Para a poeta os mitos têm propriedades especiais, pelo seu caráter de ambíguo, e pelos equívocos que produzem em tópicos que se dividem nos seus opostos e na mediação que a sedimentação do tempo legitima. Bozi (2010, p. 169) destacou que a poesia refaz zonas sagradas que o sistema profanou: “o rito, o mito, o sonho, a infância, Eros”, e desfaz “o sentido do presente em nome de uma liberação futura”, o que faz com que o ser da poesia contradiga o ser do discurso corrente. A poesia de Ana Paula Tavares resiste a falsa ordem denunciando a escravidão cultural e propondo reflexões, especialmente, sobre a condição feminina. O passado está aberto para o eu poético, é importante rememorar, questionar, auscultar a sabedoria dos mais velhos:

De que cor era o meu cinto de missangas, mãe
Feito pelas tuas mãos
E fios do teu cabelo
Cortado na lua cheia
Guardado no cacimbo
No cesto trançado das coisas da avó

[...]
De que cor era aminha voz, mãe
Quando anunciava a voz junto a cascata
E descia devagarinho pelos dias.

Onde está o tempo prometido pra viver, mãe
Se tudo se guarda e recolhe no tempo da espera
Pra lá do cercado.
(TAVARES, 2001, p. 23)

A poetisa pinta um retrato da vida efetiva, familiar, revela aproximações e afastamentos, recolhe o espólio do abandono, mas o eu poético jamais deixa de amar. O amor perpassa os escritos de Ana Paula dando forma a imagens de forte lirismo. Ela nos faz saber que em tempos de guerra o que restava era “a noite única”, “no lugar do coração antigo” (2001, p. 14) e que um homem bêbado “de seu próprio sangue”, “mal vê a voz de anunciar princípios” (2001, p. 14), pois, ele:
Perdeu a capacidade do gesto
Não consegue deixar o rastro
[...]
As mãos já não são mãos
Mas um tecido de veias
Que pingam sangue no útero da flor.
(TAVARES, 2001, p. 17)

Como bem destacou Frantz Fanon (1979, p. 193), o escritor que escreve para o seu povo deve utilizar o passado com o propósito de “abrir o futuro, convidar a ação, fundar a esperança”. O poema Mukai (2) nos fala do ventre semeado que deságua a cada ano, e de seus frutos..., feitiço que faz com que a alma acorde e a voz olha para os silêncios milenares. A lembrança se paralisa com o mutismo, é preciso falar. Há muito se conhece o poder terapêutico e curativo das palavras, a memória pode se tornar um apoio sólido da vontade e matizar projetos. Ana Paula Tavares faz de sua poesia um espaço de vibrante de engajamento, regressamos com ela a este tempo fora do tempo com vistas a avançar na compreensão do presente, e na conquista de uma comunhão á muito perdida entre os homens e a natureza. O passado aberto e inconcluso saúda a memória, Viva! O mundo se reconstrói oniricamente, o eu lírico sonha que “nascem tartarugas dos olhos dos anjos” e o anjo voa “a voz da tartaruga” (TAVARES, 2001, p. 18). Este poema nos remete ao mito da queda, não haverá Eva descoberto fomes imemoriais na calmaria do paraíso? A mulher é um elemento chave para se pensar o mundo.
Respira mansa a superfície do lago
Silêncio e lágrimas pesam-lhe as margens

Uma mulher quieta enche as mãos de sangue
Cortando o azul da superfície de vidro.
(TAVARES, 2001, p. 20).

*
Tristezas os olhos
Que não tem o brilho de contar
[...]

Tristezas os olhos
De onde me olhas
Detrás de um tempo passado
O tempo das promessas antigas.

Teus olhos, amado,
São os olhos de alguém
Que já morreu
E ainda não sabe.
(TAVARES, 2001, p. 22)

Para não morrer nos “lábios de prata” do amado o eu lírico se metamorfoseia, “pássaro e serpente”, “mulher e gente”, “sonho e cabaça fechado”, e ao mesmo tempo não ser “mulher, pássaro e gente” (TAVARES, 2001, p. 24).

Vaca fêmea, guia bem amada dos rebanhos
A que não salta, não corre,
Avança lenta e firme
Lambe as minhas feridas
E o coração.
(TAVARES, 2001, p. 29)

Na obra O lago da lua (1999) Ana Paula Tavares desafia as forças da natureza, “rasga a noite”, seu canto é premente e libertário.
Aquela mulher que rasga a noite
Com o seu canto de espera
Não canta
Abre a boca e solta os pássaros
Que lhe povoam a garganta

(TAVARES, 1999, p. 17)

Os temas eróticos e sensuais, após o afrouxamento dos tabus e moralidades da época colonial, emergem com força e podem ser observados, especialmente, no poemário publicado em 2001, intitulado Dizes-me coisas amargas como frutos, onde o eu poético, no poema Amargas como fruto, indaga: “Amado, porque voltas/ com a morte nos olhos e sem sandálias/como se um outro te habitasse/num tempo/ para além/ do tempo todo./ Amado, onde perdeste tua língua de metal/ e dos sinais do provérbio/ com o meu nome inscrito/ Onde deixaste a tua voz de capim e veludo/ semeada de estrelas/ Amado, meu amado,/ o que regressou de ti/ é a tua sombra/dividida ao meio/ é um antes de ti/ as falas amargas/ como os frutos” (MACEDO, 2003, p. 50).
Em uma entrevista concedida a Cláudia Pastore, da USP[4], quando perguntada se a poesia angolana pode ser abordada como uma poesia de gênero, Ana Paula Tavares respondeu:

Até muito pouco tempo isso não era preciso. A voz da mulher realmente não tinha uma identidade, embora houvesse vozes femininas que tinham construído seus trabalhos em determinados momentos, como a poesia sobre a terra... mas eu penso que essas mulheres, incluindo dentre elas Alda Lara, não tinham ainda uma consciência das particularidades do “eu feminino” dentro daquele universo”. [...] É muito difícil nós falarmos da poesia de gênero... (SANTOS; GIOVETH, 2005, p. 26).

É indiscutível que a poesia angolana trouxe para um plano de destaque as inquietações e problemáticas da mulher, especialmente da mulher angolana, como destacaram Santos e Gioveth (2005, p. 27): “olhamos para a vida política e econômica e concluímos que ainda não estamos bem representadas. Interessa, acima de tudo, que, nos diversos discursos, esse mesmo “eu feminino” construa o seu verbo, partilhando espaços, interesses e fazendo convergir as utopias”,

Mulher VIII

Que avezinha posso ser eu
Agora que me cortaram as asas
Que mulherzinha posso ser eu
Agora que me tiraram as tranças
Que mãe grande posso ser eu
Agora que me levaram os filhos
(SANTOS; GIOVETH, 2005, p. 187)

Xamã e curandeira, o eu poético feminino guarda no seu “corpo perfeito”, “feitiço forte”, e o compromisso de manter aceso “o fogo sagrado” (TAVARES, 2001, p. 13). O corpo é tear privilegiado onde as cores da vida do amado se cruzam, ela é a “floresta fechada” onde o homem perdido guarda “a chave e o provérbio” (2001, p. 14). O tempo é de espera, o sol já se pôs, “e não vinhas, amado”, as tranças do cabelo mudaram de cor, a casa limpa, “e não vinhas, amor”, “chamei os bois pelo nome/ todos me responderam”, somente “tua voz se perdeu” (TAVARES, 2001, p. 14). A sensibilidade da poetisa se encaminha para a emancipação da mulher que, durante muito tempo, esteve subjugada sob os valores de uma cultura étnica. A crítica social está presente na sua poesia impregnada de cenas bucólicas, como observamos no poema Colheitas: “De dez em dez anos/ cada circulo/completa sobre si mesmo/ uma viagem/nasce-se brota do chão/ e dez anos depois o primeiro/ forma-se espera e cai/ por gravidade/ ao décimo oitavo dia/ entre dez e dez anos/ prepara-se para a semente (MACEDO, 2003, p. 48).
A poetisa encarna o conhecimento da tradição e o seu canto é premente. Ela denuncia as imposições que a comunidade étnica submete a mulher, seu canto é libertário. A linguagem poética se revela em imagens de grande beleza e plasticidade:

Amada
Vestiste os passos de chuva
Para assistires meu fim
Das noites antigas
Vens com os mesmos passos
Das noites antigas
Quando, vestida para o amor,
Me preparavas o tempo
Com os óleos sagrados da espera
Amada, tens os olhos vermelhos
Do sal e da culpa
Os celeiros estão vazios
As crianças sem leite.
(TAVARES, 2001, p. 11)

No poema Rapariga o eu lírico expõe a condição feminina, “Cresce comigo o boi com que me vão trocar/ Amarram-me já às costas” (TAVARES, apud MACEDO, 2003, p. 74). Ao passo que denúncia a escravidão cultural, nos permite entrever a vida da gente campesina com seus valores, ritos e mitos, reconstruindo a memória do cotidiano, avesso oculto da história hegemônica. A sociedade de consumo não possui relíquias, nela os objetos são descartados.

Trago nas pernas as pulseiras pesadas
Dos dias que passaram...
                            Sou do clã do boi...

Dos meus ancestrais ficou-me a paciência
O sono profundo do deserto,
                            A falta de limite...

Da mistura do boi e da árvore
                            a efervescência
                            o desejo
                            a intranquilidade
                            a promiscuidade
                                            do mar
Filha de Huco
Com a sua primeira esposa
Uma vaca sagrada
Concebeu-me
O favor das suas úberes.
(MACEDO, 2003, p. 74).

Foi buscando os vestígios da resistência do seu povo em cada lugar possível, e trazendo à luz omissões e traços da sensibilidade do povo, que a poesia de Ana Paula Tavares, imbuída de potência combativa e tendo como chave a apropriação que faz do passado, nos faz sonhar com um futuro melhor.

Referências:
1-      Africae monumenta: a apropriação da escrita pelos africanos: Volume I- Arquivo Caculo Cacahenda/ Edição, introdução, glossário e textos por Ana Paula Tavares, Catarina Madeira Santos- Lisboa: Instituto de Investigação Científica Tropical, 2002.
2-      BOZI, Ecléia. O tempo vivo da memória: ensaios de psicologia social. São Paulo: Ateliê Editora, 2003.
3-      BOSI, Alfredo. Dialética da Colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
4-      BOSI, Alfredo. O ser e o tempo na poesia. 8. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
5-      FANON, Frantz. Os condenados da terra. 2. Ed. Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 1979.
6-      História de Angola. República Popular de Angola- Ministério da educação, 1976.
7-      MACEDO, Jorge, Poesia Angolana 1975-2002: apontamentos históricos. Luanda: União dos Escritores Angolanos- Práxis1, 2003.
8-      SANTOS, Seomara; GIOVETH, Filomena. O amor te asas de ouro: antologia da poesia feminina angolana. Luanda: União dos Escritores Angolanos- Guaches da vida, 2005.
9-      TAVARES, Ana Paula. História e memória: Estudo sobre as sociedades Luanda e Cokwe de Angola. Dissertação de doutoramento, Faculdade Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Lisboa, 2009, 336p.
10-  TAVARES, Ana Paula. Cinquenta anos de literatura angolana, Disponível <http://www.fflch.usp.br/dlcv/posgraduacao/ecl/pdf/via03/via03_10.pdf>. Acesso 19 de Nov. de 2013.




[1] Observamos nos livros de história de angolana pesquisados, entre eles História de Angola (1976), publicado pela República Popular de Angola, Angola figura como sendo uma região habitada por povos ágrafes, ou seja, sem escrita, antes da chegada do colonizador, e que apenas depois do primeiro contato dos habitantes do reino do congo e do Ndongo com os portugueses, surgiram as primeiras informações escritas sobre a região, restringindo à tradição oral como única fonte capaz de suprir as lacunas de sua história. Estas afirmações são questionadas por Ana Paula Tavares.
[2] Ana Paula neste artigo destaca escritores como Tomás Vieira da Cruz, português que viveu em Angola e construiu uma vasta obra, as de Lília da Fonseca e Geraldo Bessa Victor, ainda as de Castro Soromenho, Antônio Jacinto, entre outros.
[3] Frantz Fanon na obra Os condenado da terra (1979, p. 30) destacou que o mundo colonial é um mundo dividido em compartimentos, cindido em dois, maniqueísta, e habitado por espécies diferentes. A linha divisória, ou seja, a fronteira entre estes dois mundos, do colonizador e do colonizado, é indicada pelos quartéis e delegacias de polícia, o soldado é porta-voz do colonizador e do regime de opressão. Os costumes do colonizado, suas tradições, seus mitos, sobretudo seus mitos, são a própria marca dessa indigência, dessa depravação constitucional.
[4] Entrevista completa disponibilizada no site www.uea-angola.org  

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