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01/03/2015

Luz del Fuego se torna patrona de uma cadeira na Academia de Letras de São Mateus (AMALETRAS/ES)

Amigos, 
senti-me feliz e honrada ao ser convidada para tomar posse como escritora correspondente na Academia de Letras de São Mateus (AMALETRAS/ES). A Academia, embora ainda jovem, vem prestando um importante serviço à literatura, especialmente à literatura capixaba, ao trazer à luz destacadas personalidades do nosso Estado, algumas delas com o nome e a história quase apagados pelo tempo. 

Assim que recebei o convite, feito pela presidente da AMALETRAS, Marluce Pestana Daher, fui indagada sobre qual escritora seria a patrona da cadeira que assumiria como correspondente, sugeri o nome de Dora Vivacqua, a nossa LUZ DEL FUEGO
Luz del Fuego
Em 2012 escrevi o artigo "Luz del Fuego, a Lilith capixaba", para o Caderno Pensar, do Jornal A Gazeta, Nesse texto falei um pouco sobre a vida e obra dessa extraordinária mulher capixaba, natural de Cachoeiro de Itapemirim. 
Dora Vieira Vivacqua nasceu no dia 21 de fevereiro de 1917 no município de Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo. Praticamente expulsa da sua terra natal por não se submeter às normas sociais vigentes, foi para a “Cidade maravilhosa” (Rio de Janeiro), onde passou a escandalizar, com o seu comportamento liberal, a sociedade brasileira. 

Na contramão do ideário feminino de sua época, décadas de 1940 e 1950, Dora recusou o pedido de casamento de um jovem carioca de família tradicional, desde menina ela sonhava ser artista. 
A carreira artística de Dora teve inicio no picadeiro do Circo Pavilhão Azul, onde dançava seminua com o codinome “Divina luz”, era anunciada como: "a única, a exótica, a mais sexy e corajosa bailarina das Américas”. Começa ai, também, a relação de amor de Dora com as serpentes, que lhe acompanhariam por toda a vida, especialmente as serpentes de estimação Cornélio e Castorina. 

A exposição do corpo nu e envolto em serpentes desenhando arabescos evocou no inconsciente de homens e mulheres a energia da poderosa Lilith, conferindo a Dora uma sensualidade radical.
Dora Vivacqua
Dora tomou o nome Luz del Fuego emprestado de um baton que fazia sucesso na boca das mulheres argentinas. Adotá-lo como nome artístico foi sugestão de seu amigo, o Palhaço Cascudo. Luz del Fuego caiu na boca do povo e Dora passou a conhecer o sabor do reconhecimento que tanto almejava. 
Dora viveu numa época de grande preconceito e intolerância, as vedetes, as cantoras, as atrizes e as dançarinas eram vistas como prostitutas, e muitas delas chegaram a ser fichadas na polícia. O Departamento de Imprensa e Propaganda do Estado Novo (DIP) proibiu as manifestações de Luz del Fuego sob a alegação de serem uma “perversão da moral vigente”. Os irmãos de Dora, um deles Senador da República, passaram a boicotar todas as ações que a dançarina desenvolvia, como por exemplo, comprar e queimar quase todos os exemplares do livro “Trágico blackout”, que a dançarina havia publicado.
Luz del Fuego foi precursora do Movimento Naturista brasileiro, na época chamado naturalismo. As idéias que trouxe do tempo em que passou na Europa eram muito avançadas para a sua época, Luz del Fuego defendia a nudez como uma expressão de liberdade numa época em que as mulheres brasileiras ainda não usavam duas peças na praia. A primeira manifestação pública do movimento encabeçado por Luz, além de escandalizar a sociedade carioca, resultou em prisão para todos os participantes, a nudez pública era algo insuportável. A Lilith capixaba possuía admiradores nos altos escalões do poder, esta influência lhe rendeu a concessão de uma ilha, a “Tapuaba de dentro”, localizada na Baía de Guanabara (RJ), e foi nela que Luz del Fuego criou a primeira colônia de naturismo da América Latina.

A honra de ter o meu nome irmanado ao dessa capixaba, Dora Vivacqua, artista, dançarina, escritora e política, ícone da liberação feminina brasileira. 

Foram muitos os legados de Luz del Fuego, ela foi a precursora de um movimento germe de um estilo de vida que busca reaproximar homem e natureza, o Naturismo, movimento que abarcaria o vegetarianismo (eu sou vegetariana) e a defesa ambiental. Luz del Fuego publicou o livro "A Verdade Nua", onde lançou as bases de sua filosofia. Em função de sua importância para o Movimento, no dia do seu nascimento se comemora o “Dia do Naturismo”.

Dora Vivacqua foi brutal e covardemente assassinada em 1967. A mulher de sonhos luminosos que lutou contra tudo e contra todos pelo direito de ser ela mesma, certa vez declarou que seria lembrada na sua terra natal “apenas cinqüenta anos depois da sua morte”. Maciel de Aguiar no livro Nós, os capixabas (2009), afirmou que talvez cinqüenta anos não sejam suficientes para se “expurgar os resquícios do rancor, da ingratidão e do preconceito contra uma das mulheres mais corajosas e destemidas do seu tempo”. 

Acredito que é tempo de nós, capixabas, resgatarmos da sombra a memória de Dora Vivacqua, a nossa Lilith, linda e poderosa, e de nos orgulharmos dela, certamente ao fazê-lo estaremos resgatando partes de nós mesmos.
À AMALETRAS o meu agradecimento. Pretendo retribuir o carinho que recebi dando continuidade às pesquisas sobre a vida e a obra dos nossos conterrâneos.
 Abraços fraternais,
Renata Bomfim



Imagens de Luz del Fuego do acervo de Thiago Menezes, autor da biografia "A verdadeira Luz del Fuego".

2 comentários:

Aloysio Peixoto disse...

Parabéns!!! Como sobrinho - neto de Dora, fique super feliz ao tomar conhecimento desse fato.

Thiago Menezes disse...

Parabéns !

C. Thiago Menezes, autor da biografia "A verdadeira Luz del Fuego". Presidente da FALASP - SP

falasp2004@yahoo.com.br