* Hello, my friends! welcome to letra e fel! If you like this space, please share it with your friends.
* Dzień dobry, drogi czytelniku, witaj w blogu Letra e Fel! Dziękujemy za wizytę. Jeśli nasz blog ci sie spodobał, poleć go swoim znajomym.
*!Hola! , amigo lector. Sea bienvenido y si le gustó mi blog, recoméndelo a sus amigos!
*Cher lecteur, soyez le bienvenu! Veuillez conseiller notre blog à vos amis si vous l'avez aimé. Merci beaucoup!

22/04/2015

"Nada de relevante há a dizer de mim". Poemas do escritor português José-Augusto Carvalho

Amigos, 
publico um vídeo  (prosa e poesia narrados) e alguns poemas do escritor português José-Augusto Carvalho. Agradeço ao amigo professor José Augusto Carvalho (brasileiro homônimo) por ter me apresentado a esse escritor de grande sensibilidade e florbeliano assim como eu.

José-Augusto é eborense, cultor da poesia e da língua portuguesa, e autor de vários livros. Espero que curtam os textos e visitem o blog do escritor.


Florbela 

Florbela, tu sabias que mentias!
Em nós existe só uma alvorada…
Só que de fogo aceso iluminada,
tiveste de escolher as cinzas frias.

Florbela, eu sinto, eu sei que não querias
e nada nem ninguém te quis valer!
Só uma noite escura de agonias
sobrou p’ra te encontrar e te perder…

Mas mais que a Vida pôde a decisão
serena que ditou o fim do drama.
E tu assim partiste iluminada!

A Vida ouviu teu grito de evasão,
rendida à força trágica da chama
que de si mesma fez uma alvorada…


José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 31.12.1992.
in vivo e desnudo, 1996
*
Em nome de mim

Os oráculos dispenso
e dispenso as profecias.
Se são meus estes meus dias,
aos meus dias não pertenço.

Nunca mais sol nem luar,
nem céu que por seu me tome.
Nem a pedra tumular,
nem a lembrança de um nome!

Que tudo regresse ao nada
ao que o tudo se resume,
em derradeira alvorada
de espanto, de luz, de lume…

E que tudo se consuma
no fundo deste meu mar,
onde almejo naufragar
entre ondas e nívea espuma.


José-Augusto de Carvalho
27 de Março de 2015.
Viana*Évora*Portugal
*
Silêncio

Cansado, calo a lira, calo o canto.
O abraço do silêncio me resguarda.
Quando eu morrer, e a morte já me tarda,
não quero nem exéquias e nem pranto.

Apenas o silêncio que é devido
nas horas em que a vida desce ao nada.
Depois, ora, depois, virá o olvido,
que a vida continua a caminhada.

Cantar, há mais quem cante, neste mundo.
Mais um ou menos um, na cantoria,
que diferença faz a quem escuta?

Irei sondar o pélago profundo,
este fascínio a mar e maresia
que há séculos a minha pátria enluta.


José-Augusto de Carvalho
15 de Abril de 2015.
Viana*Évora*Portugal

Nenhum comentário: