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10/05/2015

Hasta el final camina el canto (poemas de Santiago Montobbio, Coleção "El Bardo")


comprar essa obra

Amigos, foi com alegria que recebi mais essa obra do amigo poeta barcelonês Santiago Montobbio. Hasta el final camina el poema chegou pelo carreio carinhosamente autografado e revelando, além da alta qualidade dos versos, um cuidado de detalhes com todos os elementos que dão forma a esse fetiche chamado "livro". A capa vermelho cereja é sensual e convida ao toque, à descoberta, enfim, ao sabor da leitura.

Observei um fio condutor unindo essa obra às que lhe antecederam, especialmente aos livros "La poesia es un fondo de agua marina" e "Los soles por las noches esparcidos". Permanecem os temas recorrentes na poesia de Montobbio: o amor, as sombras os silêncios e a busca do eu por construir-se a partir do labor poético: "Los poemas son muy parecidos/ y terribles sus sonidos. En ellos/ me busco, me construyo" (p. 45). O eu poético busca retratar a amada através da pintura, ação movida pelo desejo de posse e união, entretanto frustrada. O frio que congela os dedos produz a neblina que cega e impede a despedida, a suspensão do adeus gera vazios: o frio é a ausência de quem se ama.  A "Noche ciega' é rasgada pela luminiscência da manhã que desperta do sonho para realidade: "Café, amor, mañana", a brisa pousa sobre a alma e o a construção de si (via poesia) continua.
 A poesia é matéria capaz de transfigurar qualquer elemento no poema, até mesmo a perplexidade frente a doença: 'Tiene el mejor de los prognósticos, pero es cáncer", a poesia se torna elemento curativo e terapêutico, é ela, juntamente com a fé, que possibilitará que o eu lírico continue vivendo para "ser poesía y amor" (p. 55). A solidão marca o percurso do eu lírico, o poeta segue perseguindo o amor, sente-se um pássaro ferido que voa pela última vez: "Fantasmas de siluetas/ o siluetas de fantasmas" (p. 58), ecoam adeuses.
A ferida mais profunda se revela de maneira metalinguística e o poema a pensar a si mesmo. Os versos se constroem com o passar dos dias, e o eu lírico declara: "ouvido y ceniza/ y herida o hueco que te busca y que me nombra" (p. 59). Perdido e puro, como uma pomba, o eu se reconstitui através da palavra, do adeus e do esquecimento. O fantasma da ausência acompanha o eu, o ser amado se torna inacessível, quase uma miragem fazendo-o sentir que desaparece como um desenho que se apaga. Mas a ninguém importa esse sofrimento, a morte torna-se alento. O sangue flui garantindo a vida, assim como tempo amigo, "tiempo río". O tempo e os versos garantem que o eu lírico não desapareça. 
A doença do corpo é agravada pelos sofrimentos da alma. A noite densa impede que a carne enferma e sofrida estendida sobre a cama mire a paisagem: "Frio, río, lobo, destino ciego que se disuelve en nada" (p. 72). Entretanto, há amor e o eu o derrama a todo tempo pelo mundo. O frio e o rio se unem no tempo e na luta pela vida. O corpo é visitado pelo sonho, "un sueño que parecía un poema" (p. 74). 
O eu poético se perde na sombra densa,  está cheio de pó e sombra mas  anseia pela vida, pela cura das feridas "que nos sangran y nos forman" (p. 96). "Soy siempre una herida./ En el dolor esta mi nombre". Assim, esculpindo o tempo com as palavras, o eu lírico segue em busca de redenção, esperando a luz da criação: "Me condeno,/ me salvo. Arte soy,/ arte cavalgo" (p. 104).
"DIGO TU NOMBRE Y GIRA LA TIERRA/ Mi amor no necesita más poemas" (p.328). A entrega ao amor e ao silêncio prenuncia um tempo de relaxamento e renovação. O amor torna-se a fonte de devires, a alma canta e voa: "Así la vida/ pasa, anda", e o eu se entre ao canto da solidão prenhe da musicalidade das palavras. Montobbio perfaz na sua poesia um caminho circular onde perdas e ganhos, encontros e adeuses se conjugam. O eu lírico é responde a grandes desafios, ele é frágil, cheio de contradições, é temerário, mas busca forças na palavra que, arredia, não se deixa aprisionar e nem apreender, dessa forma nem mesmo o dizer poético é capaz de garantir a sua plenitude. 
O poeta utiliza a imaginação para manusear os elementos, desde a fantasmagórica sombra, passando pela água, sonho, vento, neve. Hasta el final camina el poema, dessa maneira, desafia o leitor ao risco, a tornar-se garatuja. O poema persiste até o fim, quem ousa acompanha-lo?
Renata Bomfim


Santiago Montobbio (Barcelona, 1966)
site do poeta





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