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08/07/2015

Eltânia André; “o que falta é sempre o que me move em direção ao desconhecido e inusitado” (por Angelo Mendes Corrêa e Itamar Santos)

Mineira de Cataguases, extraordinário celeiro de artistas da mais alta relevância para o país ao longo do século XX, Eltânia André, psicóloga por formação, publicou seu primeiro livro, Meu nome agora é Jaque, em 2007, a que se seguiu Manhãs adiadas, em 2012, a respeito do qual muito oportunamente observou o escritor Menalton Braff: “Eltânia soube captar com extrema sensibilidade tanto conflitos interiores, de cunho mais metafísico, como a trepidação dos seres humanos espremidos em uma grande cidade.” Tem inéditos três romances, um dos quais em parceria com seu marido, o poeta, contista e crítico literário Ronaldo Cagiano, e ainda outro em fase de elaboração.

Quando o contato com o universo dos livros?
Recorto um trecho de uma crônica que escrevi: “Não li Proust aos oito anos, em francês, nem A Montanha mágica na adolescência, ou Ulysses. Lia, sim, o que a escola exigia, mas lembro-me bem do que me caía nas mãos: os estoques de bang-bangs de bolso do meu irmão mais velho”. A literatura entrou em minha vida de uma maneira descompromissada. Hoje, necessito de uma rotina diária de leitura. Estou sempre lendo e se por algum motivo não leio, sinto-me doente, como se não tivesse em contato com uma necessidade orgânica.

Ter nascido em Cataguases, cidade mineira que no século XX foi um celeiro de grandes artistas, teve algum significado especial para que se tornasse escritora?
Acredito que sim, mas não de uma maneira direta. Quando eu era adolescente, outro irmão lançou um livrinho de poesias e foi assim que descobri que havia essa possibilidade no mundo. Houve um tempo em que ele investiu na leitura, na construção das poesias, com o apoio dos intelectuais da cidade, coquetel de lançamento, noite de autógrafos, tendo eu participado com ele de alguns desses processos, o que me despertou interesse e motivação pela escrita. Talvez ele tenha sido influenciado pelos grandes nomes da literatura de Cataguases. Eu, de uma maneira bastante sutil, fui seduzida pelo olhar do poeta que convivia conosco, em nossa casa. 

Que autores considera essenciais em sua trajetória?
Os que ainda não li, pois são minha pulsão de vida. O que falta é sempre o que me move em direção ao desconhecido e inusitado.

A formação e o trabalho como psicóloga auxiliou em algum momento a de escritora?
Creio que sim, sobretudo a explorar o universo íntimo e subjetivo dos personagens. Na verdade, só sei escrever tendo como mote ou leitmotiv as matérias e circunstâncias do que me rodeia, da vida que pulsa, dos flagrantes do quotidiano que esperam um olhar detido, situações que estiveram ao meu alcance, seja como espectadora, seja como protagonista ou com a força do meu imaginário.

Sua prosa é sempre carregada de imensa poeticidade. Já pensou em escrever poesia?
A poesia está numa esfera superior. Ela sempre me desafia. Necessito parar diante de um poema na tentativa (ou ousadia?) de tocá-lo. Às vezes, preciso que alguém leia o poema para mim, preciso ouvir outra voz e não a minha. Se na condição de leitora eu esbarro com cautela e êxtase nesse universo concentrado e belo da poesia, seria uma ousadia maior a tentativa de escrever poesia. A poesia é maior que eu.

Outro aspecto marcante tanto em seu livro de estreia, Meu nome agora é Jaque, quanto em seu mais recente trabalho, Manhãs Adiadas, é a coloquialidade da linguagem. A observação do cotidiano e da rotina das ruas teve papel decisivo nesse sentido?
Não apenas das ruas, mas também o que recolho da memória, dos acontecimentos explorados pela mídia, às vezes do mínimo movimento do mundo. Daquilo que me toca. Do que ficou incompleto. Da melancolia das coisas. Do inusitado e do intangível. Tenho a impressão de que os objetos que ficaram pelo caminho, perdidos, eu vou encaixando-os na minha ficção e dando sentido e forma para eles, assim eles se transformam em outra coisa. E há a força do inconsciente que direciona com avidez o que escrevo, sobretudo como escrevo: a escolha da linguagem é o que me emociona e o que dá força a meu texto.

Costuma conversar com seus leitores e ouvir as impressões que tiveram ao ler seu trabalho?
Seria muito interessante ouvir os leitores, mais interessante ainda se houvesse um número expressivo de leitores, meus livros foram editados por pequenas editoras, sem o impacto da mídia. Com dificuldade de acesso a grandes livrarias. Mas ainda assim, confesso que é gratificante quando tenho contato com as impressões de alguns amigos, leitores e ou críticos.

A mudança de uma cidade pacata, no interior de Minas, para uma metrópole trepidante, como São Paulo, influenciou sua produção literária?
Primeiro mudei-me de Cataguases para Belo Horizonte e na capital mineira vivi cerca de 15 anos. Depois passei uma curta temporada entre Conselheiro Lafaiete e Barbacena, onde fiz minha graduação em Psicologia, e somente no segundo semestre de 2009 vim para São Paulo. Todo o percurso, por onde andei, onde estou, influencia a mim, em todos os aspectos, não apenas literariamente. Bom considerar ainda o que me transforma: os livros que li e lerei, uma experiência importante. Mas é também com o corpo que escrevo e com aquilo tudo que arrecadei. E até com a espera. Escrevo comigo inteira, não tem como ser diferente.

Há espaço no mercado editorial para os novos talentos? Como foi sua experiência?
O espaço editorial nas grandes editoras, eu, particularmente, ainda não tentei. Mas sei que há um muro difícil de escalar; pouca oportunidade para muitos que querem apresentar-se às editoras, aos leitores e ao mercado. Fico pensando se a qualidade da obra, a linguagem, a densidade, o conteúdo, são os crivos para os escolhidos. Será? Tem muitos escritores talentosos sem editora. Grande batalha. Mas ainda bem que existe a internet, as pequenas editoras. A minha experiência ainda é quase a não experiência.

O romance está em seus projetos futuros?
Já tenho alguns romances escritos, todavia não editados: Para fugir dos vivos, Diolindas, que escrevi junto com Ronaldo Cagiano e Desde o Ventre, romance juvenil. E ainda outro que não terminei Da varanda vejo o mundo. Todos os títulos podem ser alterados.




*Angelo Mendes Corrêa é professor, jornalista e mestre em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP).

*Itamar Santos é professor, ator, jornalista e mestrando em Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo (USP)

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