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16/03/2016

Carta aberta à Junta Diretiva do Festival Internacional de Poesia de Granada/ FIPG (por Renata Bomfim)


À JUNTA DIRETIVA DO FESTIVAL INTERNACIONAL DE POESIA DE GRANADA (FIPG)

Em 2007 iniciei as investigações de mestrado na Universidade Federal do Espírito Santo (Brasil), foi quando tive contato com a poesia de Rubén Darío. Eu não imaginava que o “Cisne lírico da América” me abririam, além de portas no campo acadêmico, portas para a Espanha e para a Nicarágua.  
Em 2013, depois de passar por Portugal e Espanha realizando pesquisas para o doutorado, estive pela primeira vez na Nicarágua. Nessa oportunidade, além de conhecer pesquisadores como Julio Valle-Castillho e Ivan Uriarte, conquistei bons amigos e pude assistir ao Festival Internacional de Poesia, em Granada. Posso dizer que, desde então, passei a sentir sincera amizade e grande admiração pelo povo nicaraguense.
Em 2014 recebi o convite para representar o Brasil no X Festival Internacional de Poesia de Granada, que homenageou o poeta Rubén Darío. Senti-me honrada com o convite e feliz pelo reconhecimento do meu trabalho como poeta: posso afirmar que essa foi umas melhores experiências que já vivi como escritora.
A FIPG, além da rica partilha poética, fomenta importantes discursões nos campos dos direitos humanos entre poetas, pesquisadores e sociedade civil. Nesse ano, o Festival lançou o olhar a um tema de grande relevância e urgência no mundo: a violência contra a mulher.
O convite para participar do XII Festival Internacional de Poesia de Granada, em 2016, foi uma surpresa que encheu de alegria o meu coração. Seria a oportunidade de rever os amigos nicaraguenses, de compartilhar informações com os pesquisadores presentes e a possibilidade de dar visibilidade ao meu livro recém-publicado, o Colóquio das árvores, lançado em setembro de 2015.
A FIPG 2016, que comemorou o marco do Centenário de morte de Rubén Darío, foi dedicado ao poeta nicaraguense Ernesto Mejía Sánchez e em memória do poeta guatemalteco Luis Cardoza y Aragón. Esse importante encontro propôs aos poetas convidados uma reflexão sobre questões ambientais importantes como a destruição das árvores e dos mananciais.
É fato que a humanidade não pode continuar indiferentes a destruição do meio ambiente e cega para a interdependência existente entre todos os seres do planeta. Essa reflexão veio ao encontro da temática central do meu Colóquio das árvores, que é um chamado urgente à preservação do meio ambiente, especialmente em um momento crucial da nossa história em que mudanças climáticas causadas pelo desrespeito do homem pelos recursos naturais geram demandas sociais graves, como a crise hídrica que assola o Espírito Santo, minha terra natal, e outras localidades em variadas partes do mundo.
Urge o despertar de uma consciência cuidadora no ser humano, que o leve a compartilhar ao invés de competir e a resgatar e preservar ao invés de matar e destruir.
A poesia, nesse cenário é essencial, pois, quando faltam palavras, sobeja violência. Precisamos de palavras de paz, de amor, de palavras que resistam ao autoritarismo e ajudem a dar forma a um mundo mais igualitário e pacifico. Assim cantou o grande escritor nicaraguense Ernesto Mejía Sánchez, que o poeta é “esse ser iluminado pelo resplendor da glória”, portanto, possuímos a responsabilidade de empenhar a voz em favor da vida e contra a violência e a guerra.
É inquestionável a importância do Festival Internacional de Poesia de Granada para a América Latina e para o mundo. Esse evento promove o intercâmbio entre culturas, fortalece o sentimento de fraternidade entre os países e dá a cultura, em especial à poesia, a importância merecida, permitindo que as múltiplas vozes da alteridade se façam escutar.
A FIPG, evento grandioso que todo ano congrega poetas de todos os continentes, é um celeiro repleto de “sementes de bem dizer”, ou seja, de palavras promotoras de paz que se elevam contra a violência alimentando a alma, especialmente em um tempo em que um mercado perverso busca transformar em mercadoria, além de bens comuns como a água, o alimento e a terra, os nossos afetos mais caros
Granada está encrustada no coração da Nicarágua como um rubi, o povo nicaraguense empenha a sua atenção em receber, todos os anos, poetas e turistas que querem conhecer sua cultura e desfrutar de suas belezas naturais. Além de tudo isso, Granada é um exemplo vivo de como uma nação pode renascer com o amor do seu povo e o investimento em educação. Por isso, quero registrar o meu voto para que Granada, seja considerada, pela UNESCO, PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE, e torno público o meu agradecimento á Junta organizadora da FIPG, especialmente nas pessoas do Sr. Francisco de Asís Fernadéz Arellano e da Sra. Glória Guabardi, pelo convite para representar o Brasil na sua XII edição e pelo gesto amigo de patrocinar o meu deslocamento para o Festival.

Renata Bomfim
Poeta, Acadêmica e Educadora socioambiental brasileira

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