* Hello, my friends! welcome to letra e fel! If you like this space, please share it with your friends.
* Dzień dobry, drogi czytelniku, witaj w blogu Letra e Fel! Dziękujemy za wizytę. Jeśli nasz blog ci sie spodobał, poleć go swoim znajomym.
*!Hola! , amigo lector. Sea bienvenido y si le gustó mi blog, recoméndelo a sus amigos!
*Cher lecteur, soyez le bienvenu! Veuillez conseiller notre blog à vos amis si vous l'avez aimé. Merci beaucoup!

07/04/2016

O corpo de luz em El CURVO BLANCO, de Anahi Celeste Cao Cileiro (por Renata Bomfim)


O corvo poeticamente pintado por Anahi Celeste Cao Cileiro canta a vida, diferentemente de “Nunca mais”, ave “estranha e escura” pintada por Edgar Alan Poe e que simboliza o luto e a ausência irremediável causada pela morte.
El curvo blanco aponta ao leitor a sua estirpe insurrecta, luminosa e vivificante desde as suas epígrafes, com versos do escritor russo anarquista Piotr Kropotquin e da ativista transgênero argentina Lohana Berkin. Não é impunimente que os versos das epigrafes cantem a vida emanando da própria vida e a recuperação do corpo como fonte de liberdade. VIDA, CORPO E LIBERDADE são palavras caras nesse poemário que se começa com um “húmedo temblor”, movimento terreal que “inicia la vida y la muerte”. É impossível que o corpo fique indiferente a esse movimento, assim, ele “palpita” e “inicia sus partos de piel luminosa”.
O eu lírico está desperto e sentindo tudo que está ao seu redor: “Siento mi cuerpo, su olor, el cuerpo de un animal, su piel distinta”, assim como “la madera de los antiguos arboles erguir el fuego, los profundos azules del mar, la noche negra que orienta la sed y los latidos”. O desejo de conhecer o mundo se intensifica, uma “inquietud vital” se apodera do ser e o mundo se torna “una lenta respiración de cuerpos”.
Após o encontro com outro, − essência e corpo −, e a descoberta do prazer, o eu lírico pode reconhecer “el hilo” de suas voz, uma voz dolente, agônica, que se apresenta como um convite ao abandono de si mesmo. É preciso “crear el calor que ilumina, entender que todo regressa”. Amigo leitor, El cuervo blanco, como destaquei inicialmente é diverso do corvo “Nunca mais”, de Alan Poe, no sentido em que ele “pressente “la vida entre los muertos”, tornando-se arauto da esperança e buscador da “ piel encendida que se abre a la eternidad en el parto”: o eu lírico tem necessidade de existir.
 “Soy una mujer, un cuerpo feminino/ [...] Yo soy un cuerpo vivo”, diz o eu lírico que ama, se comove com “la vitalidad irracional del fuego”. A identidade do eu se abre e a mulher se torna, também, mãe que transborda de amor por sua filha, “mariposa de ojos negros y labios tibios como cántaros de leche”.
El curvo blanco é um livro onde as palavras voam livres pelas páginas brancas. Nele,  “El cielo tiembla ansioso de luz sobre la más profunda oscuridad”, cada página emana vida: “Todo me trae de regreso a la vida”. Porém, a vida, esse tecido feito com fios dourados, quando se esgarça, revela o segredo de sua urdidura. É assim que “La vida se deshace”, mas ainda não é o fim, pois,  “Todo se conserva en el cuerpo del viento”
Renata Bomfim 
(Espírito Santo/ Brasil)

Nenhum comentário: