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18/07/2016

ATOS (IN)TENCIONAIS (poema Renata Bomfim)

I
Ainda não viste a minha cor,
Nem sentiste o meu cheiro,
Nunca me conhecerás por inteiro.
Esta sou.
Sempre outra, outra, outra,
Desde que o mundo é.
Fui e continuarei sendo.

Ainda não viste a curva espinhal
Nem sentiste o abalo dos ventos
O furo seco do punhal: a lâmina.
São de ferro as minhas vértebras.

II
Não sou para ti,
Nem para o teu prazer.
Não sou adorno para a tua casa,
Tempero da tua cama, não!
A mula incansável e obediente
É fantasia tua.

Não sou.
Não estou aqui para ti.
Talvez por isso vejas apenas o desejo
E não a mim e nem as coisas do mundo.
Talvez por isso não enxergues
A vida íntima da minha vida.

Não compreendes:
Sou o vazio grávido.

III
Fértil e pronta.
Nasci formada de ventre,
Vísceras, carne, sangue, cuspindo símbolos.
Estou aqui.
Enxergas-me agora?
Sinuosa e cantando lisuras, sigo.

Gestada pelo vazio no interstício,
No entre,
(Lugar que desconheces)
Fui, sou a dona dos  espaços  ambíguos.
Habitas o centro e não sabes
Do oco e do nem vazio.


IV
Não pretendo revelar-te esses segredos femininos,
Ignoras as sombras vivas que nos acompanham.
Ignoras as sombras,
Pobre de ti!
Não vês  que o canto em ondas curtas e longas faz o tempo ruim.
Pobre de ti!
Mira, o tempo abre fissuras na existência,
Desconheces o canto e suas ondas?
Pobre de ti!
Aprende o caminho de volta.

V
Um motivo para viver.

Vivo porque o ar se impõe aos meus pulmões.
Porque o meu corpo possui vontade própria.
Embora o sol aqueça a minha existência e torne tudo luz
Eu prefiro a lua, as sombras, o escuro.

Uma sombra me acompanha.
Ela é espessa e não respeita obstáculos. 
A sombra não precisa de motivos.

Eu preciso levantar após a noite mal dormida.
Gostaria de ter alguma certeza aos abrir os olhos.
Nenhuma certeza!

VI
Vozes conflituosas.
Alguém me toca
Despertam os demônios da memória.
Necessito esquecer.
Necessito te esquecer.
Quero ser derrotada na luta dos inocentes.
Fui mulher de muitos homens
Mantenho a pureza
Como o lírio que se abriu sob
O manto da aurora.

VII
O homem que amei se ria dos meus bocejos.
O homem que amei se ria, ia, ia, ia, ia...
Hoje faz um dia que perdi as chaves. 

VIII
Você enxerga a vida que se oculta
Dentro de mim?
Reconhece a vida de minha vida?
Normal que não me enxergues,
Normal.
Só enxergas o que teus olhos imaginam,
O teu desejo te cega.

Tive uma paciente chamada Norma,
A vida íntima de Norma era linda, ela era livre.
Mas, quantos remédios,
Faziam de tudo para ela se adequar.
Norma passava a sua vida ordinária drogada.

A vida secreta de minha vida possui legislação própria.
Vivo drogada de poesia.
Ontem cheirei Walt Whitman,
Depois injetei uns românticos e, por fim,
Camões, cantos encapsulados.  

Talvez as vozes que nos orientam
Na passagem da vida íntima para a vida revelada
Permaneçam se comunicando através da mente.

IX
Em segredo plantei um jardim.
Nada de simetria. 
Cultivo as flores da desordem. 
Em segredo, a vida de minha vida se expressa
Nas entrelinhas de mim, ou dessa que imagino ser.
Tudo normal, mas, não sou a Norma.

X
Me achas rude,
Grosseira,
Má. 
Sou essa.

Grotescamente rude e desordeira,
Leio as palavras que balbucias
A contrapelo.

Sou barroca, encarniçada
Saturnina, desvairada,
Sou isso.

Hierática, elétrica,
Orgástica, dramática.
Nada Rococó,
Não amenize os fatos,
Gosto dos efeitos,
Vamos debulhar afetos:
Sou barroca,

barroca.

*** Traduzido para o castellano por Pedro Sevylla de Juana

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