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25/07/2016

Renata Bomfim toda estrada (pela critica Maria Lúcia Dal Farra)

Renata Bomfim, toda estrada, busca sempre outros corpos para as suas letras. Entre vulnerável e venerável (parente da Rainha de Copas), ela se mune de patuás, sal grosso, espadas de São Jorge, banhos de erva, incensos e velas para invocar o encantamento. Daí que progrida vertiginosamente nas suas metamorfoses – ritual poético em que brinca de ser outra: flor, água, madeira, fogo, cobra, vale, peças de roupa purpurinada. Chama de fogo sagrado, em desconcerto interrogante com seus pares, ela se remete a Florbela, Anto, Drummond, Balzac, Hilda Hilst, irmãos Campos, Pignatari. Mas, mulher peregrina, vai buscando como pode (e às próprias custas) a safra, a serpente primeva, a fênix, o ovo, a ova. O corpo é parque de diversões – também casa, toca, tumba. Enfim, lugar à espera de iluminação. Ela sabe que cair é princípio vital – mas é preciso jeito, performance... e o teatro ilude. Sem pruridos, essa mulher geral não hesita em enfiar mudas de caquis por entre seus versos - para que cresçam no sabor colorido e raiem belezuras indizíveis. Que atraiam mandaçaias ao léu, pois que só se ganha quando se perde - quando se oferta muito mel. Por isso, o corpo é chamado de palavras, eco de acenos, armadilha para o bem. Os verbos colidem-se no ventre e a frase salta da boca para a escrita, para a lida alheia, para a vida profana e promíscua dos que nela se imiscuem inteiros – nós, os leitores e amantes. Daí o sentido de mina, do que brota de dentro, do imo do corpo – do chão. Como criar o brocado, recuperar o fóssil cintilante afogado nas tramas da pedra? O linho que faz a renda?A poesia é processo profundo de cavocação carnal e terreal. Operação que bombardeia, aos poucos, os sentidos e apura o material bruto, descasca, lavra, clama pela alma escondida que nele se aperta. Mas, aqui, como alguém que se enamora e se maravilha com o outro, qualquer que seja: uma moqueca, uma palavra, um gato, uma viagem, um querubim. Afinal, essa substância é própria e alheia, resquícios de si mesma a serem reconhecidos ao longo das eras. Daí que a poetisa converse com o ex-amor, com os fantasmas do passado e da ilusão, com a terra agonizante, com a noiva funesta, com a sereia, com Calíope. Daí que ela encarne a moça frustrada, a mulher apaixonada, a felina - e até almeje a morte cinematográfica de Cleópatra... Se, para a tecedeira, a morte é o nó, Renata sabe que “poeta morto é o que mais canta,/não acredita?/Pega um livro da Espanca, lê,/engole em seco e te cala.” Recadeira do tempo, Renata Bomfim agradece na sua poesia, e com suas próprias palavras, o ter penetrado outras paragens: visitado o milagre.

Maria Lúcia Dal Farra 
Crítica literária
Ganhadora do Prêmio Jabuti (poesia)/2012

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